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Obsessão doentia: A macabra história da noiva cadáver dos EUA

Sem superar a morte de uma jovem paciente, o médico Carl Tanzler a removeu do túmulo e fez dela sua esposa

Vinícius Buono Publicado em 27/12/2019, às 14h30

Carl Tanzler von Cosel e Maria Elena “Helen” Milagro de Hoyos
Carl Tanzler von Cosel e Maria Elena “Helen” Milagro de Hoyos - Wikimedia Commons

A vida de Carl Tanzler von Cosel, um microbiologista e bacteriologista alemão, foi cheia de incessantes viagens e idas e vindas. Nascido por volta de1877,  vivia na Austrália em meados de 1910.

Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, em 1914, Carl tornou-se prisioneiro de guerra e voltou para a Alemanha. De lá, apesar de ter se casado e tido duas filhas, foi para Cuba e, em seguida, para a Flórida, onde sua irmã vivia e onde exerceu suas profissões. 

Em 1930, trabalhando nos Estados Unidos, ele conheceu a jovem Maria Elena “Helen” Milagro de Hoyos, americana de ascendência cubana, que tinha apenas 22 anos de idade. Apesar de ter mais que o dobro da idade da moça, Tanzler ficou obcecado por ela.

Segundo ele, durante toda sua infância ele teve visões da Condessa Anna Constantia von Cosel, uma ancestral distante, e ela sempre lhe mostrava a imagem do amor de sua vida: uma mulher de cabelos negros que muito se parecia com Helen.

Carl Tanzler von Cosel na frente de sua casa, em 1940 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A jovem era casada, mas o marido a deixou depois de um aborto espontâneo. O pior aconteceu: ela foi diagnosticada com o mal dos séculos, a tuberculose. Tanzler usou todo seu conhecimento e inventividade para tentar salvá-la, visitando-a todos os dias e, inclusive, levando presentes caros e exuberantes.

Seus esforços foram em vão. Helen morreu, mas a obsessão do biólogo não. Inicialmente, ele ofereceu aos pais da moça para pagar o funeral e construir um mausoléu para ela. Eles aceitaram e ele visitava o túmulo todos os dias ao cair da tarde.

A rotina se deu por dois anos, mas não era o suficiente para Tanzler. Atormentado pela paixão e pela saudade a níveis doentios, ele removeu o corpo de Helen de seu descanso final e o levou para sua casa, passando a viver com ela como se fosse, de fato, a sua esposa. 

Durante esse tempo, o cadáver seguiu seu caminho natural de decomposição. Foi aí que Tanzler passou a fazer adaptações no corpo para contornar esse problema. Inicialmente, ele prendeu os ossos com fios e cabides e preencheu o torso e abdome com trapos para manter a mesma forma.

Helen enquanto viva e seu corpo embalsamado, respectivamente / Crédito: Wikimedia Commons

 

Conforme a pele ia apodrecendo, ele trocava os pedaços por seda embebida em cera e gesso. Tanzler substituiu os cabelos da moça por uma peruca feita com os fios de Helen e a vestiu com um vestido, luvas e joias por cima de tudo.

Para evitar o cheiro de carne podre, encheu o corpo de perfume. Pensando em atrasar a decomposição, também embebeu o corpo em desinfetantes e conservantes. Depois de todos os processos, o homem passou a imaginar que o amor de sua vida estava de volta.

Assim, ele viveu por sete longos anos, até que, em 1940, espalharam-se rumores de que Tanzler estava fazendo sexo com um cadáver. A irmã de Helen foi até a casa dele e descobriu o mórbido espetáculo.

Ele foi prontamente detido e, como se tudo isso não fosse suficiente, os fisiologistas e patologistas que analisaram o cadáver encontraram um tubo de papel instalado onde costumava ser a vagina da moça, permitindo que, de fato, Tanzler tivesse relações sexuais com o que restou do corpo de Helen. 

Cadáver de Helen exposto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em sua defesa, alegou que todos os dias em que a visitava no túmulo, o espírito de Helen aparecia, pedia que ele cantasse para ela e implorava para que tirasse o corpo dela de lá. A sanidade do biólogo foi, obviamente, contestada, mas os exames mostraram que ele não estava maluco, ou pelo menos não num sentido patológico.

Apesar da situação ser extremamente bizarra e perturbadora, o alemão foi solto. O cadáver pôde retornar ao seu descanso final, mas não sem antes ser exposto numa funerária onde quase 7 mil pessoas o viram.

Separado de sua grande paixão e obsessão, Tanzler viveu sozinho até 1952, apenas com uma efígie de Helen esculpida por ele mesmo. Em 3 de julho daquele ano, seu corpo foi encontrado em casa, três semanas após sua morte.

Conta a lenda que ele estava nos braços da efígie, e alguns até extrapolam a dizer que ele recuperou o corpo da moça, mas a versão oficial do obituário diz que ele estava no chão. De uma forma ou de outra, a obsessão de Carl Tanzler havia, finalmente, chegado ao fim.


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