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Há 53 anos, a morte de Harold Holt se tornava um dos grandes mistérios da Austrália

O primeiro-ministro australiano adorava o mar, e era um exímio nadador. Um dia, porém, desapareceu nele

Ingredi Brunato Publicado em 17/12/2020, às 17h59

Fotografia de Harold Holt
Fotografia de Harold Holt - Wikimedia Commons

Em 17 de novembro de 1967, o primeiro-ministro australianoHarold Holt desapareceu no mar. Seu corpo não foi encontrado e tampouco foi revelada qualquer pista de seu paradeiro. Isso mesmo, o líder político apenas sumiu, deixando a nação australiana com a tarefa de lentamente aceitar que ele estava morto. 

Tudo começou quando o político decidiu nadar na praia de Cheviot Beach naquela manhã de domingo. Holt sabia que poderia confiar em seu corpo. Era, afinal, um nadador experiente. Amava o mar: praticava, além de natação, o mergulho e a pesca. 

Seus hobbies eram tão conhecidos que corria até um rumor que durante as sessões do Parlamento, o primeiro-ministro estaria constantemente prendendo a respiração, assim aumentando o tempo que conseguia segurar o ar, e sendo capaz de mergulhar mais fundo em suas aventuras marinhas. 

E Cheviot Beach, ainda, era uma praia que Harold visitara várias vezes, portanto conhecendo bem suas águas. O que poderia dar errado?

Harold aos 58 anos, um ano antes de sua morte / Crédito: Wikimedia Commons

 

A explicação mais aceita hoje é que a força da Natureza não colaborou com Holt. Aquela praia australiana, em especial, era marcada por correntes marítimas fortes, ou seja, tudo poderia dar errado. 

O primeiro-ministro estava, portanto, no lugar errado e na hora errada, quando foi pego em uma dessas correntes. O poder do fenômeno, evidentemente, é muito superior ao que qualquer nadador poderia enfrentar. 

Fotografia da praia onde Holt desapareceu / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas não foi apenas isso. O político já estava se deixando conduzir pelas águas movimentadas pela corrente há algum tempo quando foi tomado por elas. Ele estava se afastando da praia - talvez sem nem mesmo perceber - quando, em vez de ser puxado para trás, foi puxado para baixo. Caiu em desgraça.

Ao fenômeno natural, se somou um erro humano da parte de Harold. Pode ter sido um excesso de confiança nele mesmo, ou então uma distração passageira, mas o que quer que tenha sido, custou sua vida. 

Como aconteceu 

Sua vizinha, Marjorie Gillespie, acompanhou o político à praia naquele dia, acabou presenciando o que seriam os últimos minutos de vida do primeiro-ministro da Austrália. 

"Em vez de apenas ter um plano para sair, [Holt] estava realmente gostando de nadar. Ele nunca pareceu estar em perigo, nem gritou ou levantou a mão pedindo ajuda”, contou ela na época, segundo relatado pela ABC News anos mais tarde. 

Porém, a certo ponto, algo mudou. O primeiro-ministro australiano percebeu que estava longe demais da areia, tentou voltar.

Todavia, era tarde demais. O mar tornou-se revolto, com ondas maiores. Segundo descrito por Gillespie, “[A água] simplesmente o engolfou. Foi como uma folha sendo arrancada, tão rápido e definitivo. Não havia nada que alguém pudesse ter feito.”

A procura 

 Pessoas da equipe de busca esquadrinhando Cheviot Beach após o desaparecimento de Holt / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com apenas duas horas do último momento de Holt em vida, a imprensa da Austrália noticiava atualizações de seu desaparecimento e possível afogamento sem parar.

Um batalhão de policiais e membros de equipes de busca se mobilizaram na praia de Cheviot. Para piorar, o mar estava agitado e o tempo ruim, dificultando os esforços de emergência. 

Todavia, à medida que as horas passavam, as esperanças diminuíam cada vez mais. Logo, o objetivo não era mais encontrar o primeiro-ministro vivo, mas seu corpo, para lhe dar um enterro adequado. Essa nova meta, contudo, também falhou. 

Pouco mais de um mês depois daquela fatídica manhã, em 22 de dezembro de 1967, as buscas foram reduzidas. Em 5 de janeiro do ano seguinte, afinal, foram abandonadas. 

Apesar de a conclusão final ter sido que Harold simplesmente se afogou, muitos criaram teorias conspiratórias por se tratar do desaparecimento de um líder mundial em meio à Guerra Fria. Dentre essas, uma das mais populares - e mirabolantes - seria de que o político foi sequestrado por um submarino chinês. 

"Basicamente, eu acho que as pessoas acham muito difícil aceitar que um primeiro-ministro possa ir nadar em uma tarde de domingo, como qualquer outra pessoa, e acabar avaliando mal a situação e se afogando", explicou Tony Eggleton, secretário de imprensa, em entrevista à ABC em ocasião do 40º aniversário do desaparecimento de Holt.


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