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De sobrevivente de Guerra a 'caçador' de nazistas: a impressionante história de Simon Wiesenthal

Após os horrores do período, Wiesenthal passou a dedicar sua vida à 'caça' aos nazistas e à defesa dos direitos humanos

Giovanna Gomes Publicado em 07/01/2021, às 13h09

Simon Wiesenthal em 1993
Simon Wiesenthal em 1993 - Divulgação/Simon Wiesenthal Center

Nascido na Ucrânia, Simon Wiesenthal foi uma das poucas pessoas que sobreviveram aos campos de concentração nazistas, que fizeram milhões de vítimas durante a Segunda Guerra Mundial.

Após perder muitos de seus familiares e sofrer durante anos no campo de Janowski e, posteriormente, Mauthausen, ele reuniu forças para seguir uma incansável luta com o objetivo de capturar nazistas.

"Quando a história olhar para trás", relatou Wiesenthal, segundo o site Simon Wiesenthal Center, "quero que as pessoas saibam que os nazistas não foram capazes de matar milhões de pessoas e escapar impunes". 

A saga

Simon Wiesenthal nasceu em 31 de dezembro de 1908 em Buczacz, onde hoje fica Lvov, na Ucrânia. Ele estudou engenharia na Universidade Técnica de Praga, tendo se graduado em 1932. Casou-se, no ano de 1936, com Cyla Mueller.

Após o pacto de "não agressão" entre a Rússia e a Alemanha, a partir do qual a Polônia foi dividida, o exército russo ocupou Lvov, dando início ao expurgo de elementos "burgueses". 

Assim, Wiesenthal foi forçado a fechar seu negócio e passou a trabalhar como mecânico. "O padrasto de Wiesenthal foi preso pelo NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos - Polícia Secreta Soviética) e acabou morrendo na prisão, seu meio-irmão foi baleado", relata o site da Instituição.

Em seguida, ele conseguiu salvar sua esposa e mãe da deportação diante do ato de subornar um desses oficiais, no entanto, o pior aconteceria depois.

Prisioneiros no campo de Janowska/ Crédito: Divulgação

 

Quando os alemães ocuparam a região em 1941, um ex-funcionário do ucraniano ajudou-o a escapar de ser morto pelos nazistas. No entanto, Wiesenthal acabou por ser preso e enviado ao campo de concentração Janowska, próximo a Lvov. No ano seguinte, com o tenebroso projeto Solução Final, muitos de seus parentes foram mortos.

Ele e sua esposa conseguiram escapar com a ajuda do Estado Secreto Polaco (Polish Underground State) - ela em 1942 e ele no ano seguinte. No entanto, Wiesenthal acabou sendo novamente capturado em junho de 1944 e apenas não foi morto devido ao avanço do Exército Vermelho sobre a Alemanha.

Para evitar que fossem enviados para o combate, por não terem prisioneiros para 'observar', os oficiais decidiram manter vivas as 34 pessoas que ainda restavam entre as que haviam sido enviadas para o campo de Janowska. Assim, os guardas partiram com os prisioneiros até Mauthausen, na Áustria, em um trem.

Soviéticos no campo de concentração de Janowska/ Crédito: Divulgação/Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos

 

Quando os prisioneiros foram libertados pelos EUA em 1945, Simon Wiesenthal pesava menos de 45 quilos e estava muito debilitado. Era o começo de uma nova vida após anos de horrores.

Contudo, assim que se recuperou, ele passou a reunir provas para punir os nazistas na Seção de Crimes de Guerra do Exército dos Estados Unidos. No final de 1945, ele e sua esposa se reencontraram e tiveram uma filha chamada Pauline no ano seguinte.

Após a guerra

Terminada a missão da Seção de Crimes de Guerra, no ano de 1947, o sobrevivente abriu o Centro de Documentação Histórica Judaica em Linz, na Áustria, para facilitar futuros julgamentos.

Conforme relatado pelo site, com a Guerra Fria, tanto os EUA quanto a União Soviética perderam o interesse em punir os alemães, de modo que a organização teve de ser fechada em 1954 e os documentos enviados ao arquivo Yad Vashem, em Israel.

No entanto, Wiesenthal continuou sua procura pelo chefe do Departamento Judaico da Gestapo, Adolf Eichmann, que supervisionou a implementação da solução final.

"Em 1953, Wiesenthal recebeu informações de que Eichmann estava na Argentina (...). Ele repassou essa informação a Israel por meio da embaixada israelense em Viena e, em 1954, também informou a Nahum Goldmann, mas o FBI havia recebido informações de que Eichmann estava em Damasco, na Síria", explica o site da Instituição. "Foi somente em 1959 que Israel foi informado pela Alemanha que Eichmann estava em Buenos Aires vivendo sob o pseudônimo de Ricardo Klement. Ele foi capturado lá por agentes israelenses e levado a Israel para julgamento".

Simon Wiesenthal/ Crédito: Divulgação/Simon Wiesenthal Center

 

Após a captura de Eichmann, Wiesenthal reabriu o Centro de Documentação Judaica na cidade de Viena e passou a se concentrar na caça de criminosos de guerra. Foi ele também que priorizou a pesquisa sobre o paradeiro do nazista Karl Silberbauer, responsável por capturar Anne Frank. 

Para se ter ideia dos esforços de Simon, o site relata que em 1966, um total de dezesseis oficiais da SS foram a julgamento em Stuttagart, Alemanha Ocidental. Deles, nove haviam sido encontrados por Wiesenthal. 

Em novembro de 1977, o Simon Wiesenthal Center foi fundado. Trata-se de uma Instituição para a lembrança do Holocausto e para a defesa dos direitos humanos, que em 1981, produziu o documentário vencedor do Oscar "Genocídio".

“Recebi muitas homenagens em minha vida”, disse o sobrevivente certa vez. "Quando eu morrer, essas honras morrerão comigo. Mas o Simon Wiesenthal Center viverá como meu legado."

Em 20 de setembro de 2005, Simon Wiesenthal morreu de causas naturais enquanto dormia em sua casa. O corpo foi levado para Israel, onde foi sepultado.


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