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De Benim para o Farol da Barra: A origem do tradicional acarajé

Acompanhado pelos mais distintos condimentos, o prato é uma iguaria africana, mas mudou bastante quando chegou ao Brasil

Lucas Vasconcellos Publicado em 11/10/2018, às 07h00 - Atualizado em 13/06/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa de acarajé
Imagem meramente ilustrativa de acarajé - Claudia Baiana/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Quase tão famosos quanto o Parque Nacional da Chapada Diamantina, o Elevador Lacerda e o Farol da Barra, os icônicos acarajés já são um cartão postal da Bahia. Carregado de tempero, cultura e tradição, é o tipo de prato que não pode ficar de fora de um roteiro turístico e ainda marca presença na lista de quitutes imperdíveis no Brasil. 

A cor avermelhada do acarajé após a fritura em azeite de dendê foi responsável pelo batismo, ainda na África, da comida que caracteriza as ruas de Salvador. O termo veio do iorubá 'akara', significado de 'bolinho de feijão', como o prato é chamado ainda hoje, e 'ije', tradução do termo 'comida', de forma algo redundante.

Embora haja controvérsias sobre quando e de onde exatamente ele veio, em 'Acarajé: Tradição e Modernidade', o mestre em estudos étnicos e africanos Florismar Menezes Borges afirma que o alimento foi trazido por escravos vindos de Benim, entre o final do século 18 e a primeira metade do século 19. Mas era uma receita mais simples.

Imagem meramente ilustrativa de prato de acarajé / Crédito: Divulgação / Pixabay / joseclaudioguima

 

O akara africano era — e ainda hoje é — feito de feijão-fradinho triturado, temperos e a fritura em azeite de dendê. Nada mais. Segundo o especialista, em Benim, esse é um prato de celebração, consumido em situações de vitórias militares a velórios de anciãos.

Em terras brasileiras, o bolinho aparece, a princípio, no candomblé, elaborado apenas por mulheres iniciadas e em obrigações para orixás como Iansã e Xangô. Ainda assim, o quitute chegou às ruas pelas mãos de negras libertas ou de ganho, escravas urbanas.

Os complementos só vieram em meados do século 20. O vatapá, o caruru e o camarão seco também têm origem africana; o vinagrete veio direto de Portugal. Foi então que a inovação, o acarajé estilo sanduíche, se mostrou um sucesso de público.

Inovador e suculento, era o prato ideal para quem precisava escapar da fome nas crescentes distâncias entre casa e trabalho. A isso se juntou o gosto dos turistas por algo mais exótico — juntar três iguarias africanas num prato só.


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