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Acarajé ainda existe na África, mas mudou completamente no Brasil

Conheça a história de uma legítima preciosidade africana na cultura brasileira

Lucas Vasconcellos Publicado em 11/10/2018, às 07h00

Entenda a origem do prato
Pixabay

A cor avermelhada do acarajé após a fritura em azeite de dendê foi responsável pelo batismo, ainda na África, da comida que caracteriza as ruas de Salvador. O termo veio do iorubá akara, bolinho de feijão, como o prato é chamado ainda hoje, e ije, comida, de forma algo redundante.

Embora haja controvérsias sobre quando e de onde exatamente ele veio, em Acarajé: Tradição e Modernidade, o mestre em estudos étnicos e africanos Florismar Menezes Borges afirma que o alimento foi trazido para o Brasil por escravos vindos de Benim, entre o final do século 18 e a primeira metade do século 19. Mas era uma receita mais simples.

Estatuetas representam os escravos vindos de Benin Wikimedia Commons

O akara africano era — e ainda hoje é — feito de feijão-fradinho triturado, temperos e a fritura em dendê. Nada mais. Lá é um prato de celebração, de vitórias militares a velórios de anciãos.

Em terras brasileiras, o bolinho aparece, a princípio, no candomblé, elaborado apenas por mulheres iniciadas e em obrigações para orixás como Iansã e Xangô. Às ruas chegou pelas mãos de negras libertas ou de ganho, escravas urbanas.

Os complementos só vieram no século 20. O vatapá, o caruru e o camarão seco também têm origem africana; o vinagrete, portuguesa. A inovação, o acarajé estilo sanduíche, logo se mostrou um sucesso de público.

O acarajé como conhecemos Pixabay

Era ideal para quem precisava escapar da fome nas crescentes distâncias entre casa e trabalho. A isso se juntou o gosto dos turistas por algo mais exótico — juntar três iguarias africanas num prato só.