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Aída Curi: O brutal crime que escandalizou o Brasil nos anos 50

Assassinada a sangue frio, a jovem teve seu corpo arremessado de duplex localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro

Victória Gearini Publicado em 05/10/2019, às 08h00

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- Wikimedia Commons

No final da década de 50, um crime brutal revoltou a população carioca. A jovem Aída Curi foi abusada psicologicamente e submetida a longas sessões de tortura. Para encobrir o crime, os assassinos arremessaram seu corpo do alto de um prédio localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na época, o caso ganhou a notoriedade da imprensa e foi pauta de diversos debates.

Filha de imigrantes sírios e órfã de pai, Aída Curi, 18 anos, morava na Gávea, mas passara a infância em um colégio interno de freiras. A jovem trabalhava na loja de seu irmão e fazia cursos de datilografia, inglês e português em Copacabana — que seria palco do homicídio.

Por volta das 21h do dia 14 de julho de 1958, a jovem foi atraída até um duplex na Avenida Atlântica e foi brutalmente assassinada pelos jovens de classe média alta Ronaldo Castro e Cássio Murilo. Eles obtiveram ainda a ajuda do porteiro Antônio Sousa.

Ao analisar o corpo, os peritos encontraram marcas de arranhões nas coxas, ventre e pescoço da vítima. Os braços e punhos estavam machucados, decorrentes de uma luta corporal entre a vítima e os agressores contra uma tentativa de estrangulamento e abuso sexual.

Crédito: Wikimedia Commons

 

A autopsia comprovou ainda que a jovem chegou a um estado de exaustão, isto é, seu corpo não suportara mais as agressões, fato que os levaram a crer que o crime teria sido cometido por mais de duas pessoas simultaneamente.

Os agressores pertenciam ao movimento juventude transviada — termo que se refere aos jovens rebeldes dos anos 50 — e não teriam tido um motivo de fato para terem cometido o crime. Para encobrir as agressões, simularam um suicídio e arremessaram seu corpo do edifício.

A imprensa foi duramente criticada por expor em capas do jornais a imagem do corpo de Aída Curi em pedaços e ensanguentado. Além disso, as provas do crime foram forjadas e receberam adulterações.  

Crédito: Wikimedia Commons

 

O pai de Ronaldo Castro chegou a contratar uma jovem chamada Zilza Maria para servir de álibi do assassino, mas a testemunha não compareceu ao tribunal. Desesperados, a defesa recorreu a uma segunda testemunha, chamada Lecy Gomes Lopes que afirmou ter visto o criminoso com Zilza.

Em um primeiro momento os réus foram condenados, mas a defesa recorreu e conseguiu inocentar Castro e Antônio Sousa. O júri condenou somente Cássio Murilo pela morte de Aída Curi, mas, pelo fato de ser menor de idade, foi absolvido.

Em um terceiro julgamento, Ronaldo foi condenado e, após cumprir a pena, virou um empresário bem sucedido. Cássio seguiu a carreira militar, mas em 1978 foi assassinado.

O caso de Aída Curi entrou para a estatística de feminicídio no país. Seu crime foi indevidamente julgado pela justiça e explorado de forma sensacionalista pela imprensa brasileira.