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Amor e Comunismo: O relacionamento de Olga Benário e Luís Carlos Prestes

O casal de comunistas participou do levante que tentou derrubar Getúlio Vargas, mas a história acabou mal para os dois

Valentina Nunes Publicado em 30/06/2019, às 07h00 - Atualizado às 23h00

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- Reprodução

Falar em Luís Carlos Prestes faz pensar imediatamente em Olga Benário, sua mulher, mãe de sua filha e, como ele, uma combatente revolucionária. Ambos eram idealistas de esquerda e, apesar de diferentes nacionalidades, lutaram do mesmo lado. Prestes era capitão do Exército, nascido em Porto Alegre, em 3 de Janeiro de 1898. Ela, era filha de uma família judia, nascida em Munique em 12 de fevereiro do 1908. O encontro dos dois se deu em 1934.

Primeiro aconteceu o casamento dos ideais revolucionários, em seguida, a afinidade ideológica os tornou marido e mulher. Em 1934, Olga, que deixara a Alemanha nazista e se refugiara na antiga União Soviética, onde recebeu treinamento político-militar, havia sido designada pela Internacional Comunista para acompanhar Prestes ao Brasil, onde deveria liderar uma Revolução.

Prestes já era então conhecido pela chamada Coluna Prestes que liderou, quando percorreu 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil, entre 1925 e 1927, para denunciar a pobreza e protestar contra abusos do poder oligárquico da chamada Primeira República.

A missão de Olga, ao lado de Prestes, em 1934, era garantir a segurança dele e, para isso, precisou passar por sua mulher. Só que o disfarce tomou outro rumo, já que os dois se apaixonaram e concretizaram o que seria apenas um álibi para burlar a repressão do governo Vargas. Na ocasião, eles usavam passaportes falsos em nome do casal português Maria Bergner Vilar e Antonio Vilar. 

A Coluna Prestes / Crédito: Reprodução

 

No Brasil, o casal revolucionário se instalou no Rio de Janeiro e iniciou os preparativos para a revolução. O fracasso da Intentona Comunista de 1935, nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, resultou na prisão deles, em 5 de março de 1936. A partir daí, eles foram separados.

A prisão de Prestes e Olga em uma casa do subúrbio carioca do Méier teve ampla cobertura dos jornais. E deu notoriedade aos agentes da segurança. No local a polícia encontrou propaganda comunista, livros sobre a situação financeira do Brasil e a dívida externa e uma batina de padre que Prestes usava como disfarce. Não foram encontradas armas.

Grávida de sete meses, Olga acusou o governo brasileiro de estar cometendo uma injustiça. Getúlio Vargas, como vingança pessoal contra Prestes e na tentativa de se aproximar do regime nazista de Adolf Hitler, a quem admirava, deportou-a para Hamburgo.

Anita L. Prestes / Crédito: Reprodução

 

Na prisão feminina de Barnimstrasse, Olga ficou incomunicável. No dia 27 de novembro de 1936, um ano depois do fracasso da revolução, nasceu Anita Leocádia, filha do casal revolucionário. 

Na Europa, dona Leocádia, mãe de Prestes, liderou uma forte campanha pela libertação dele, da nora e da neta. A pequena Anita permaneceu ao lado da mãe por catorze meses, durante a amamentação, e em seguida foi entregue aos cuidados dos avós sem o conhecimento de Olga. Dois anos depois, em 1938, Olga foi levada para o campo de concentração de Lichtenburg, e, no ano seguinte, transferida para Ravensbrück, o primeiro campo de concentração nazista exclusivo para mulheres.

Lá, ela deu aulas às companheiras da prisão, até que, em fevereiro de 1942, foi executada ao lado de outras duzentas prisioneiras na câmara de gás de Bernburg. A notícia de sua morte tornou-se pública graças a um bilhete escondido na barra da saia de uma das presas.


Reportagem retirada do Livro 365 dias de mudaram o Brasil, da autora Valentina Nunes, Editora Planeta do Brasil, (p.140, 141).