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Anjo da morte: Beverlly Allit, a sádica enfermeira assassina de crianças

Injetando substâncias perigosas ou em excesso, Allit matou quatro crianças e causou onze lesões corporais graves na década de 1990

Vanessa Centamori Publicado em 02/04/2020, às 18h00 - Atualizado às 22h00

Divulgação/ Youtube
Divulgação/ Youtube - Beverlly Allit

Na década de 1990, na Inglaterra, na região de Lincolnshire, onde vivia a enfermeira Beverley Allitt, havia uma população de cerca de 100 mil habitantes, dos quais um terço eram crianças.

Ao ano, nasciam cerca de 2 mil bebês, a maioria deles no Grantham and Kesteven Hospital, onde a moça foi contratada temporiariamente para suprir a falta de profissionais na equipe. 

O primeiro crime 

Naquela instituição hospitalar, morreram repentinamente quatro crianças, no ano de 1991, ao longo de apenas 59 dias. Ninguém sabia na época, mas aqueles eram apenas os primeiros de muitos outros crimes de Beverley Allitt. 

A primeira das crianças mortas pela enfermeira foi um neném de 7 semanas de idade, chamado Liam Taylor. Liam havia sido internado em 21 de fevereiro, com um quadro de pneumonia leve, segundo os médicos.

Beverly tentou consolar os pais da criança, pedindo que eles descansassem. Só que quando o casal voltou no dia seguinte eles tiveram uma péssima surpresa. O bebê tinha piorado, e muito.

Beverlly Allit / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

Beverly se prezou a continuar cuidando dele e os pais de Liam confiaram nela novamente. Só que quando deu meia noite, a criança teve uma crise respiratória, após somente a enfermeira estar com ele. 

O quadro ficou grave rapidamente e outros enfermeiros foram acionados para salvar o neném. Os profissionais estranharam o fato do alarme dos aparelhos do pequeno paciente não terem se acionado quando ele teve uma parada cardíaca.

Naquela hora, infelizmente, foi tarde: Liam sofreu danos cerebrais irreversíveis. O laudo hospitalar dizia que a causa da morte foi insuficiência cardíaca. Suspeitamente, o bebê não tinha nenhum problema no coração. 

Os pais, de luto, optaram por desligar os aparelhos. A enfermeira foi embora para casa, como se nada tivesse ocorrido. Mas ela era, na verdade, uma criminosa de sangue frio: ministrava nas inocentes vítimas injeções contendo substâncias como potássio, insulina, ou puro e simplesmente ar, causando-lhes reações adversas.

Jornal dos anos 90 mostra enfermeira Beverlly Allit / Crédito: Divulgação 

 

Modus operandi consolidado 

Beverley Allitt seguiu matando mais crianças. A próxima foi um garotinho de apenas 11 anos, chamado Timothy Hardwick, que tinha deficiência intelectual. Ele teria morrido, segundo a autópsia, por ataque cardíaco, após ter tido uma crise epiléptica. 

Mas, claro, aquilo não tinha sido natural. Beverley se mostrou disposta em ajudar o menino, embora ela soubesse muito bem o que tinha causado a crise. Quando os demais membros da equipe médica chegaram, Timothy Hardwick teve a parada cardíaca, mas não respondeu à nenhuma das tentativas de ressuscitação. 

Três dias depois, em 3 de março de 1991, faleceu Kayley Desmond, de um ano de vida. Ela estava com o peito congestionado e foi atendida por Beverley. Estava até melhorando, mas teve também uma parada cardíaca.

Os médicos conseguiram ressuscitá-la e a criança foi levada para um outro hospital em Nottingham. Lá, um exame detectou que um orifício estava sob a axila da menina, próximo ao qual havia uma bolha de ar. Aquilo só podia ter sido causado por uma injeção. O caso foi dado como apenas um acidente e não houve investigação. 

Crianças assassinadas por Beverlly Allit / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

A última vítima

Claire Peck tinha apenas um ano e três meses, quando teve uma crise de asma e os pais a levaram ao hospital. Lá, Beverley ministrou-lhe uma injeção de potássio e lidocaína. A criança foi a óbito, após uma parada cardíaca.

Profissionais começaram a desconfiar dos óbitos frequentes no Grantham and Kesteven Hospital e começaram a apurar porque havia tantas paradas cardíacas na unidade pediátrica da instituição hospitalar. 

Os especialistas descartaram a possibilidade da existência de algum vírus fatal. Após recolherem amostras de sangue da vítima, perceberam um nível anormal de potássio. Ali estava a explicação das mortes. A polícia foi prontamente acionada. 

Grantham and Kesteven Hospital, onde ocorreram os crimes / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O crime vem à tona 

Após a exumação do corpo de Claire Peck, o superintendente da polícia, Stuart Clifton, se convenceu de que havia um assassino no hospital. Examinou os casos de morte e viu que em todos a enfermeira Beverley Allitt havia ficado à sós por um tempo com os pacientes da ala infantil. 

Os investigadores encontraram ainda um teor grande de insulina no sangue de Peck, e viram que a enfermeira tinha anteriormente informado sobre o sumiço da chave da geladeira onde guardavam a substância. Ela foi presa provisioriamente. 

A enfermeira assassina sendo detida / Crédito: Divulgação 

 

Insanidade

Após passar por um psiquiatra, a mulher foi diagnosticada com a síndrome de Münchausen. Essa doença ocorre quando indivíduos fingem ou causam, geralmente em si mesmos, doenças ou traumas psicológicos para chamar atenção ou gerar simpatia por eles.

Beverley Allitt escondia na verdade um histórico perturbador. Tinha sido internada várias vezes por doenças inexistentes e tinha fracassado muitas vezes em exames de enfermagem. Desde criança, usava bandagens e fingia estar ferida. 

Certa vez, ela tinha até mesmo convencido um médico para que ele retirasse o seu apêndice saudável. A recuperação da cirurgia foi praticamente impossível, pois ela não se curava já que removia seus curativos cirúrgicos de propósito.

O pior de tudo é que Beverley Allitt passou a depositar seus traumas psicológicos nas crianças doentes e inocentes do hospital onde trabalhava. Após quatro audiências, foi acusada por quatro homicídios, onze tentativas de assassinato e onze de lesões corporais graves - todos em crianças e bebês. 

Sua condenação ocorreu em 23 de maio de 1993, quando, aos 23 anos de idade, ela recebeu treze prisões perpétuas. A enfermeira serial killer só poderá ser considerada a recorrer para uma possível liberdade condicional em 2022, quando tiver 54 anos de idade. 


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