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Arapuca virtual: o serial killer que foi pego pela própria isca

Em 2016, Khalil Wheeler-Weaver, de 20 anos, matou três mulheres a sangue frio. A irmã de uma delas, indignada, procurou justiça — e conseguiu

Pamela Malva Publicado em 18/02/2020, às 18h00 - Atualizado às 19h00

O serial killer Khalil Wheeler-Weaver já na cadeia
O serial killer Khalil Wheeler-Weaver já na cadeia - Promotoria de Justiça de Essex

Aos 20 anos, Sarah Butler era uma jovem com um futuro brilhante pela frente. Ela morava com os pais e estava no segundo ano da faculdade. Mesmo assim, quando um desconhecido lhe ofereceu 500 dólares em troca de sexo, ela não deixou a oportunidade passar.

Os dois trocavam mensagens pelo aplicativo Tagged e, por lá, marcaram uma data para se encontrar. Cinquenta minutos antes de ir até Khalil Wheeler-Weaver, de 20 anos, Sarah mandou uma última mensagem.

“Você não é um serial killer, certo?”, Sarah escreveu, em tom de brincadeira. Mal sabia ela que, sim, Khalil era um assassino em série. E que ela logo entraria para a lista de vítimas, atrás de outras duas mulheres.

Khalil Wheeler-Weaver, serial killer de 20 anos / Crédito: Domínio Público

 

Mensagens mortais

Tudo começou em agosto de 2016, quando Khalil começou a conversar com Robin West através do aplicativo Tagged. Com sérios problemas de saúde mental, a jovem de 19 anos ganhava a vida como prostituta quando desapareceu.

No dia seguinte ao seu sumiço, a polícia recebeu uma denúncia sobre um incêndio. Na casa carbonizada, entre os destroços, estavam os restos de Robin, também queimados. Seu corpo estava tão deteriorado que ela só foi reconhecida através de seus registros dentários. A causa da morte não pôde ser determinada.

Robin West, a primeira vítima de Khalil / Crédito: Facebook

 

Pouco tempo depois, Khalil fez sua segunda vítima, muito parecida com a primeira. Aos 33 anos, Joanne Brown também era prostituta e sofria de problemas de saúde mental. As últimas pessoas que a viram com vida, testemunharam que ela entrou no carro do homem, em outubro de 2016.

Ela foi dada como desaparecida e, em dezembro, seus restos mortais foram encontrados em outra casa abandonada. Sua boca estava coberta com fita adesiva e, dessa vez, os peritos conseguiram identificar a causa da morte: estrangulamento.

Joanne Brown, de 33 anos, a segunda vítima / Crédito: Facebook

 

A terceira vítima

A última e mais enigmática vítima de Khalil foi Sarah, exatamente a jovem que previu que ele era um assassino. Em novembro de 2016, os dois começaram a conversar, um mês depois, o corpo da mulher foi encontrado.

Segundo os promotores do caso, Sarah fugia do padrão das vítimas anteriores de Khalil, o que tornava a escolha, no mínimo, inusitada. Isso porque a jovem vivia uma vida de classe média e não sofria de nenhuma limitação mental.

Nesse sentido, foi possível traçar um perfil para as escolhas do assassino. Segundo Adam Wells, o promotor assistente do condado de Essex, Khalil procurava mulheres “menos humanas, menos valiosas”. Aquelas que, caso desaparecessem, ninguém perceberia.

Sarah Butler, a terceira e última vítima do assassino / Crédito: Facebook

 

O golpe vitual

A lista do serial killer só não aumentou graças à irmã de Sarah. Como eram muito próximas, sabiam as senhas uma da outra e, a partir disso, a menina traçou um plano. Ela entrou na conta do Tagged de Sarah e encontrou as conversas da jovem com Khalil.

Com um perfil falso, a irmã de Sarah começou a conversar com o garoto e, assim como as outras, marcou de se encontrar com ele. No entanto, quando chegou ao local determinado, Khalil não encontrou uma mulher: ele deu de cara com a polícia, em dezembro de 2016.

Em fevereiro do ano seguinte, o criminoso foi indiciado por três acusações de assassinato, uma tentativa de homicídio, incêndio criminoso agravado, agressão sexual agravada, sequestro e profanação de restos humanos. Khalil se declarou inocente das acusações.

Muito tempo depois, em dezembro de 2019, o serial killer finalmente foi a julgamento. Por todas as acusações e pelas provas apresentadas pela promotoria, Khalil Wheeler-Weaver foi sentenciado a mais de 80 anos de prisão.


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