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Van Gogh: O mestre do pós-impressionismo foi assassinado?

O artista teria dito "Não acusem ninguém. Eu queria me matar", mas para os biógrafos, ganhadores do prestigiado prêmio Pulitzer, a resposta não é assim tão óbvia

Wagner Barreira Publicado em 29/07/2019, às 08h00

Vincent van Gogh
Vincent van Gogh - Wikimedia Commons

Um dos grandes artistas de todos os tempos, mas que ao longo da vida não vendeu um único quadro, o holandês Vincent van Gogh ganhou fama de pintor deprimido e incompreendido. Em um ato de fúria, decepou a própria orelha. Vivia solitário e só conseguia se corresponder com seu irmão, Theo.

Nascido em 1853, sua obra influenciou o expressionismo e ele foi um pioneiro da arte moderna. Diz-se que uma desilusão amorosa, aos 21 anos, teria transformado sua vida em um tormento. Nada mais natural que ele se suicidasse, vivendo na miséria, aos 37 anos, em Auvers-sur-Oise, nas cercanias de Paris, certo? Ainda mais que a principal fonte da informação foi o próprio Van Gogh.

Para seu irmão, médicos e policiais, ele foi claro: "Não acusem ninguém. Eu queria me matar". Para os biógrafos, Steven Naifeh e Gregory White Smith, ambos ganhadores do prestigiado prêmio Pulitzer, a resposta não foi assim tão óbvia.

Segundo eles, Van Gogh pode ter sido assassinado. Os autores de Van Gogh, The Life, acreditam que a história do suicídio tem falhas demais. "A versão que costuma ser aceita não faz sentido", afirma Smith. Van Gogh recebeu o tiro na barriga enquanto pintava em um campo de trigo. Ferido, teria caminhado por quase 2 km até chegar à pensão que ocupava na cidade.

"É difícil imaginar que naquela condição pudesse ter feito o caminho de volta sozinho", disse Naifeh. A arma nunca foi encontrada. A bala atingiu o corpo do artista de um ângulo improvável, ainda segundo os autores. E teria sido disparada a uma distância longe demais de seu corpo.

O artista teria sido baleado por 2 garotos que o conheciam, um deles chamado Rene Secretan, que gostava de andar com uma pistola no cinto. Adulto, Secretan deu uma entrevista em que confessou que a dupla acertou o pintor.

O crítico de arte John Rewald, citado no livro, teria ouvido rumores na cidade, na década de 1930, que os dois rapazes balearam o artista por acidente. Para protegê-los, Van Gogh teria criado a história do suicídio. Na opinião do artista, dizem os biógrafos, os meninos haviam lhe prestado um favor.