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Avel Yenukidze, o conspirador do Partido Comunista que foi executado a mando de Stalin

O político soviético teria usado sua posição no Partido para abusar de jovens mulheres na época em que era Secretário do governo, além de permitir que oposicionistas entrassem no Kremlin

André Nogueira Publicado em 15/02/2020, às 10h30 - Atualizado às 11h00

Avel Safronovich Yenukidze
Avel Safronovich Yenukidze - Domínio Público

Avel Safronovich Yenukidze foi um político russo conhecido por ser parte dos velhos bolcheviques — os membros do partido comunista aliados de Lenin e Stalin durante o processo revolucionário de 1917. Membro do governo soviético no início dos expurgos, ele teria sido expulso do Politburo e assassinado por ações imorais que podem ter incluído pedofilia.

Yenukidze  teve vários cargos políticos nos anos 1920 e 1930, tinha grande carisma e, com isso, se tornou bastante conhecido. Pouco ambicioso, virou amigo de Stalin e um dos únicos deste círculo a terem credibilidade até para Trotsky. Porém, sua imagem passou por uma total desconstrução no início dos anos 1930.

Na época, ele era o único membro do Comitê Central do partido a receber no Kremlin relevantes nomes que estavam sendo colocados na oposição com a ascensão de Stalin. O caso do poeta Osip Mandelstam teve muito peso, pois Yenukidze foi o único oficial do governo a auxiliar aqueles que o procuravam na época de sua prisão.

O caso trouxe a tona ações de Yenukidze que moldariam seu caráter político, incluindo seu tempo de exílio na Sibéria (entre 1902 e 1903), quando ele era membro do Partido Operário Social Democrata da Rússia, e no início de sua vida pública pós-Revolução.

Yenukidze e Stalin / Crédito: Divulgação

 

Segundo o jornalista Simon Montefiore, na obra Stalin - A Corte do Czar Vermelho (2003), na época da prisão, ele teve um caso com a esposa do comandante militar Kliment Vorochilov. Já depois da vitória bolchevique, quando era Secretário do Comitê Executivo dos Sovietes, cargo em que era responsável pela administração e segurança do Kremlin, ele teria abusado da posição para seduzir e assediar mulheres jovens.

Os fatos foram bastante prejudiciais à sua carreira e, em 1935, ele foi removido de seu posto e transferido para a administração do soviete transcaucasiano, na Geórgia. A época era de perseguição, após a morte de Sergei Kirov, e Yenukidze pendia entre a amizade que tinha com Stalin e a sentença de despacho do Comitê Central em Moscou.

O georgiano implorou para que não fosse enviado de volta a seu país de origem. Alegando problemas de saúde, conseguiu ser transferido apenas ao Cáucaso do Norte, onde passou a supervisionar a indústria de mineração. Duas semanas depois, porém, foi convocado para uma plenária do partido em Moscou.

Quando chegou à capital, ele descobriu que a reunião, na verdade, era um tribunal em que estava sendo denunciado. Com baixíssima credibilidade política, Yenukidze se tornou réu de diversas acusações de traição.

O principal promotor do julgamento, Nikolai Yezhov, da polícia secreta, alegou que ele estaria levando assassinos para dentro do Kremlin, com sua improbidade ao administrar a segurança do Politburo. Portanto, Avel seria uma ameaça a Stalin.

Josef Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Também foi acusado de doar dinheiro a dissidentes partidários para que organizassem uma oposição ao presidente do partido. Ao mesmo tempo, Yenukidze sofria preconceitos por ser conterrâneo de Lavrenti Beria e outros membros escusos do governo. Diante dessas alegações, Yenukidze foi expulso do Comitê Central e transferidos para a chefia de uma fábrica onde hoje é a Polônia.

Como alvo do Grande Expurgo, Yenukidze foi preso em fevereiro de 1937. Por sua má reputação, ele foi um dos poucos prisioneiros executados no mesmo ano, segundo a imprensa oficial do governo, jornal Pravda. Entretanto, sua morte havia ocorrido, dois meses antes, em outubro. Devido a uma série de falsas denúncias de conspirações ao quais ele era alegado como mentor.


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