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São Sebastião: de soldado romano a mártir cristão

Ele enfrentou o imperador em nome da fé e sobreviveu a um brutal ataque no qual foi eternizado

Redação AH Publicado em 20/01/2019, às 14h00

 São Sebastião também é conhecido como o protetor daqueles que portam arcos e flechas. Os presidiários também podem pedir consolo ao santo.
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Em 20 de janeiro, 256 d.C, nascia São Sebastião. Seu passado é desconhecido. Não se sabe seu sobrenome, se ele nasceu na França ou na Itália, se foi no ano 250 e se seu pai foi um militar a serviço do Império Romano. O que é certo é que ele cresceu em Milão e que sua educação foi cristã. Dizem que, ainda jovem, partiu para Roma e foi soldado como o pai. Corajoso, logo conquistou a admiração dos colegas e do próprio imperador.

Era um profissional exemplar. Chegou a ocupar o invejado posto de capitão da guarda pretoriana, em que era incumbido de zelar pela segurança da família do temido Diocleciano. Mas sua vontade de servir o exército diminuía a cada dia ao ver as atrocidades que os militares cometiam contra os cristãos a mando do governante.

O guarda imperial tinha contato diário com prisioneiros condenados à morte e ficava cada vez mais comovido com a situação deles. Sebastião aproveitou seu acesso irrestrito aos cárceres e começou a frequentá-los escondido dos superiores. Para tentar amenizar suas dores, ele oferecia palavras de esperança e conforto. Muitos acabaram se convertendo ao cristianismo ao descobrir o Deus de Sebastião. Soldados também começaram a se interessar pelas conversas do colega e decidiram abraçar a sua fé para se sentirem mais aliviados.

Isso tudo acontecia durante o século 3, quando era proibido seguir os ensinamentos de Jesus Cristo. Não demorou para Sebastião ganhar fama e seus atos chegarem aos ouvidos do prefeito de Roma, Cromácio. Mas o soldado acabou sendo poupado. Segundo uma das versões da história, o prefeito sofria com um grave reumatismo e pediu para Sebastião curá-lo de qualquer maneira.

O militar, então, batizou Cromácio, que decidiu não puni-lo e ainda abandonou a política para abraçar a causa cristã. Logo, o papa Caio soube do ocorrido e aconselhou Sebastião a fugir de Roma para não ser castigado. Mesmo ameaçado, o soldado ficou e Diocleciano descobriu quem era o traidor de seu império. Mesmo assim, tentou fazer Sebastião se arrepender, Ofereceu-lhe presentes e fez ameaças para ele desistir de sua fé. Como de nada adiantou, mandou matá-lo.

O soldado foi despido, amarrado a uma árvore e alvejado por muitas flechas. Depois de esperarem terminar o sofrimento do mártir, os algozes ouviram o que parecia ser o último suspiro do condenado e foram embora. Nesse mesmo instante, uma viúva que passava pelo local, chamada Irene, o socorreu. Mesmo sem conhecê-lo, ela levou Sebastião para sua casa e cuidou de cada um de seus ferimentos. Anos mais tarde, a mulher foi condenada por ser cristã e morreu queimada, no ano de 304. Irene virou Santa Irene e sua festa é comemorada em 3 de abril.

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Recuperado do ataque dos arqueiros, Sebastião procurou o imperador e pediu o fim às perseguições aos cristãos. Diocleciano não acreditava no que via e, como castigo por tal petulância, mandou açoitá-lo com paus e bolas de ferro. O soldado morreu em 20 de janeiro de 288 e seu martírio foi assistido em Roma por uma multidão.

O imperador mandou que seu corpo fosse jogado nos esgotos de Roma para que o militar não fosse venerado pela população. Porém, de nada adiantou. Seus restos mortais foram recuperados por seguidores e guardados nas catacumbas da cidade, ao lado das relíquias de São Pedro e São Paulo. A veneração aconteceu ali mesmo.

Sebastião foi canonizado por aclamação popular e ganhou do papa Caio o título de Defensor Glorioso da Igreja de Cristo. Ele virou um exemplo de coragem e amor ao próximo.

Após sua morte, textos sobre seu martírio eram afixados nas paredes de Roma e eram lidos também na biblioteca da cidade. Naquela época, várias localidades tinham o mesmo costume. A Igreja construiu em Roma uma basílica em sua honra e, na Idade Média, o local tornou-se um centro popular de devoção e peregrinações.

Os milagres atribuídos a São Sebastião começaram ainda em vida. Dois irmãos, prisioneiros capturados pelo Império Romano, resolveram tirar a própria vida para evitar as torturas e o martírio. Ao saber da decisão deles, Sebastião levou suas palavras de fé e conseguiu encorajá-los a enfrentar seu destino. Os dois desistiram do suicídio. Ao mesmo tempo, Zoé, a esposa de um dos carcereiros, que era muda, pediu perdão a Sebastião pelos maus-tratos que o marido cometia contra inocentes e recebeu o sinal-da-cruz sobre ela. Em seguida, Zoé recuperou a fala.

Outro milagre diz respeito ao dia em que suas relíquias foram transportadas para a basílica de São Paulo, em Roma. Em 680, uma terrível peste assolava a população da cidade. Mas ela desapareceu de uma hora para outra depois que os restos mortais de Sebastião desembarcaram na Basílica. Ele, então, ficou conhecido como protetor contra a peste e as doenças contagiosas.

A lenda popular diz que por onde as relíquias passavam, acontecia um milagre parecido. E foi assim por duas vezes – em 1575, em Milão, na Itália, e em 1599, em Lisboa, em Portugal.

No Brasil não foi diferente. Seus milagres continuaram a acontecer. A devoção ao santo começou no período colonial. Em 20 de janeiro de 1567, dia da festa do santo, portugueses lutavam para expulsar invasores franceses da baía de Guanabara quando os militares lusitanos foram cercados pelas canoas dos índios tamoios. De repente, ouviu-se um estrondo em uma das embarcações dos portugueses e os índios fugiram. Já os soldados viram um jovem guerreiro usando armadura e lutando para expulsar os invasores. A partir de então, São Sebastião, a visão em questão, tornou-se o padroeiro do Rio de Janeiro.

As festas em sua homenagem acontecem principalmente em cidades do litoral. Pela manhã, pescadores fazem uma procissão marítima e pedem ao santo que tenham bastante pescaria durante o ano. Tudo isso regado a bacalhoada, preparada por estivadores. Por isso, São Sebastião também passou a ser conhecido como protetor contra a fome.

Em algumas regiões, é comum outro tipo de festa, a “puxada de mastro”. Nela, os devotos carregam um mastro de no mínimo 4 metros de altura, onde está pregado em seu topo o estandarte com a imagem de São Sebastião. As crianças se reúnem em volta do mastro para subir e “roubar a bandeira”.

São Sebastião também é conhecido como o protetor daqueles que portam arcos e flechas. Os presidiários também podem pedir consolo ao santo.