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Eric da Pomerânia: De rei a pirata

A bizarra vida do monarca, filho de Margaret I, que perdeu o trono e decidiu se juntar a uma organização pirata

Alana Sousa Publicado em 05/10/2019, às 11h00

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- Reprodução

Filho da única monarca feminina na história da Noruega, Margaret I, Eric herdou o trono, mas não as habilidades da mãe. Em 1388, Margaret assinou o Tratado de Dalaborg, tornou-se a legítima rainha dos três grandes reinos nórdicos — Noruega, Dinamarca e Suécia. Seu filho, porém, reinou com viés autoritário.

Adotado por Margaret aos seis anos de idade, Eric era neto de sua irmã, Maria de Meclemburgo, e a partir daí passou a viver na Dinamarca junto à nova família. Para se tornar rainha dos três reinos nórdicos, sua mãe adotiva precisou fazer uma aliança e oferecer como sucessor um rei que, no futuro, manteria seu povo unido e os trataria igualmente. Eric era o candidato ideal, pois seu único filho, Olavo, já havia falecido.

Aos 15 anos, o garoto já era rei da União de Calmar, que buscava unir sob o comando de um só monarca, a Dinamarca, Noruega e Suécia. Sua mãe continuou a reinar oficialmente até sua morte súbita, em 1412. Eric então assume o poder, e então começa a guiar seu povo rumo ao colapso.

Coroação de Eric / Crédito: Reprodução

 

Seus primeiros anos como rei foram dedicados à expansão de seu império. O monarca travou uma longa guerra, e após duas décadas, derrotou a Liga Hanseática, uma confederação de corporações de poderosos mercadores alemães.

Com a vitória, Eric implementou novas medidas de taxas, entre elas a de que todos os navios que quisessem entrar ou sair do Mar Báltico, um estreito entre a Dinamarca e a Suécia, eram obrigados a pagar-lhe um pedágio.

A ação despertou a ira de inimigos que antes viviam em paz e respeitavam a rainha Margaret. Os alemães não aceitavam a imposição e se recusavam a pagar o Império Nórdico.

Não só pessoas de fora do reino estavam insatisfeitas com as atitudes tomadas por Eric. Plebeus e nobres viram seu dinheiro investido em uma guerra de vinte anos que não apresentou benefícios para a população. Ao invés disso, apenas aumentaram a riqueza do rei.

A década de 1430 foi o ponto crucial para que os moradores do reino decidissem que Eric não deveria mais continuar no trono. O primeiro ato de rebelião surgiu na Suécia, a qual ganhou sua liberdade em 1439. Seguida pela Dinamarca e Noruega.

O domínio absolutista e autoritário do rei Eric sobre tais terras havia acabado. O ex-monarca foi obrigado a fugir, e decidiu deixar sua esposa, Filipa da Inglaterra, para trás.

Sozinho, Eric decidiu se juntar a um grupo de piratas. Assim seguiu sua vida por muitos anos, contou com a ajuda de uma organização pirata que devastou o Mar Báltico e o ajudou a continuar suas leis de pedágio. Tentou novamente conquistar o trono, e falhou.

Morreu na Pomerânia em 1459. Nunca se soube o que aconteceu com sua esposa. E a União de Calmar jamais se recuperou dos danos sofridos durante o reinado de Eric, e se desfez completamente em 1523.