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Nagasaki: O segundo pesadelo do Japão

Há 74 anos, 80 mil pessoas eram exterminadas em Nagasaki como demonstração do poder nuclear norte-americano

Redação AH Publicado em 09/08/2018, às 07h00 - Atualizado às 07h01

A destruição em Nagasaki
A destruição em Nagasaki - Crédito: Reprodução

Às 11h02 de 9 de agosto de 1945, a bomba Fat Man foi lançada em direção a Nagasaki. O artefato, carregado com 6,4 quilos de plutônio-239, explodiu a 469 metros do chão. O que se seguiu foi horror puro: a cidade japonesa sumiu do mapa. A detonação provocou um calor de 3.900 graus Celsius e ventos de 1 005 km/h. Cerca de 80 mil pessoas morreram imediatamente.

Tripulação responsável pelo lançamento da bomba Fat Man / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na história das guerras, nunca foram usadas bombas tão potentes quanto as que foram lançadas em agosto de 1945 sobre o Japão. Às 8h15 do dia 6 de agosto, o bombardeiro B-29 americano Enola Gay lançou sobre a cidade de Hiroshima, no sul do Japão, a primeira bomba atômica da história, detonada por uma reação em cadeia de urânio-235. Em poucos segundos, a Little Boy, como os americanos chamavam a carga explosiva, formou um cogumelo de fumaça de 18 quilômetros de altura e matou 80 mil pessoas. 

Pássaros queimaram em pleno vôo; cadáveres transformados em cinzas continuaram de pé; cérebros, olhos e intestinos explodiram com o calor. Com poder equivalente a mais de 15 mil toneladas de explosivos, a bomba ainda mataria mais 200 mil japoneses nos cinco anos seguintes de doenças provocadas pela radiação e complicações decorrentes dos ferimentos.

Réplica da bomba Fat Man / Crédito: Wikimedia Commons

Três dias depois, veio a segunda bomba, em Nagasaki. O golpe de misericórdia arrasou a cidade: dos 263 mil habitantes, cerca de 80 mil morreram. O cogumelo de fumaça era visível a 400 quilômetros de distância — como se uma bomba lançada sobre o Rio de Janeiro fosse vista de São Paulo.

A icônica fotografia do gogumelo de Nagasaki, feita por um militar / Crédito: Wikimedia Commons

Em Hiroshima, três dias antes, o responsável por fotografar a destruição havia sido o sargento americano Bob Caron. No caso de Nagasaki, não se sabe quem fez o registro. Certo mesmo é que seu autor era um dos militares que estavam nos bombardeiros envolvidos na missão. Foi desse ângulo privilegiado que o autor clicou a nuvem de 18 quilômetros de altura. Depois desse ataque, nenhuma bomba atômica voltou a ser usada em guerras. Mas a sombra do cogumelo de Nagasaki ainda paira sobre o planeta.

Nagasaki: cidade arrasada / Crédito: Wikimedia Commons

Mas, por que, depois do sucesso da missão em Hiroshima, os americanos lançaram outra bomba em Nagasaki? "Os dois ataques eram desnecessários, mas os Estados Unidos gastaram cerca de 2 bilhões de dólares nas bombas, o maior investimento feito num artefato de guerra. Queriam mostrar aos soviéticos que tinham poder e que estavam prontos para usá-lo", diz o historiador Martin Sherwin, autor do livro A World Destroyed: Hiroshima and its Legacies (Um Mundo Destruído: Hiroshima e seu Legado).

"A bomba também serviu para evitar a morte de milhões de pessoas, caso a guerra continuasse no solo", afirma o historiador americano Gerhard Weinberg. Ironicamente, a bomba que matou tantas pessoas serviu também como arma de ameaça para evitar outros conflitos e outras tantas mortes.