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Caso Daniella Perez: o brutal crime que escandalizou a TV brasileira

A promissora atriz teve sua vida interrompida por um colega de trabalho, durante as gravações da novela De Corpo e Alma

Victória Gearini Publicado em 24/02/2020, às 22h17

Daniella Perez
Daniella Perez - Wikimedia Commons

Um dos crimes mais brutais conhecidos no Brasil foi o assassinato da atriz Daniella Perez, filha da autora de telenovelas Glória Perez, no dia 28 de dezembro de 1992. Sua morte escandalizou o país, e abalou a TV brasileira.

Daniella Ferrante Perez Gazolla, mais conhecida como Daniella Perez, nasceu em 11 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro. Filha da renomada autora de telenovelas, Glória Perez e Luiz Carlos Saupiquet Perez, a jovem tinha uma carreira promissora como atriz e dançarina.

Ligada a arte, Daniella chegou a receber um convite para trabalhar na companhia de dança Vacilou, Dançou da coreógrafa Carlota Portela. No entanto, foi durante sua primeira aparição na TV que conheceu seu marido, Raul Gazolla. Apaixonados, em 1990, Daniella e Raul se casaram e naquele mesmo ano, a dançarina foi convidada a participar da novela Barriga de Aluguel, da Rede Globo e de autoria de sua mãe, Glória Perez.

Daniella Perez com sua mãe Glória Perez / Crédito: Divulgação / Instagram

 

Devido ao seu carisma e bela atuação foi convidada, posteriormente, a participar de mais três novelas, até que o brutal crime interrompeu sua vida. Na época, Daniella estava no auge de sua carreira, interpretando a personagem Yasmin, em De Corpo e Alma, exibida pela Rede Globo.

Aos 22 anos, a jovem promissora teve sua vida interrompida. Seu colega de trabalho e ex-ator, Guilherme de Pádua e sua esposa Paula Nogueira Thomaz, armaram uma emboscada, após as gravações da novela, e a assassinaram com mais de 18 golpes de facada. Segundo a autópsia, a atriz teve o pescoço, o pulmão e o coração perfurados. 

Na semana do crime, o personagem de Guilherme de Pádua teve suas cenas reduzidas, o levando acreditar que estava sendo prejudicado por Daniella e Glória Perez. De acordo com a perícia da época, Guilherme estaria pressionando a atriz para que ela convencesse sua mãe a aumentar sua participação na trama. Insatisfeito, o assassino arquitetou o crime junto de sua esposa, que tinha um ciúmes doentio de Daniella. 

Em menos de 24 horas, a notícia de sua morte percorreu pelo país. Para não levantar suspeitas, Guilherme apareceu em seu velório, demonstrando estar abalado com o ocorrido. No entanto, no mesmo dia, o casal confessou às autoridades a autoria do crime. 

Guilherme de Pádua / Crédito: Divulgação / Youtube

 

Na noite do brutal episódio, uma testemunha avistou uma movimentação estranha e anotou as placas dos carros, ligando imediatamente para a polícia. Ao chegarem no local, não encontraram o segundo veículo, mas ao fazerem uma investigação no Projac viram que o carro de Guilherme se encaixava com a descrição da testemunha. Posteriormente, descobriram que o assassino alterou a placa, o que mostra a premeditação do crime.  

Guilherme e Paula foram detidos imediatamente e condenados por homicídio duplamente qualificado, com motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. No entanto, ambos cumpriram somente seis anos dos 19 anos de regime fechado, ao qual foram sentenciados. 

Por meio da insatisfação popular e de manifestações engajadas por Glória Perez, houve uma alteração da legislação penal, um episódio inédito na história do Brasil. O sumiço da personagem Yasmin, da novela foi explicada com uma viagem de estudos para o exterior, já o personagem interpretado por Guilherme de Pádua, simplesmente deixou de existir. 


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