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Caso Mércia Nakashima: o brutal assassinato que chocou o Brasil em 2010

A advogada foi assassinada por Mizael Bispo de Souza e jogada junto de seu carro em uma represa localizada Nazaré Paulista

Daniela Bazi Publicado em 07/01/2020, às 17h42

Mércia Mikie Nakashima era advogada e tinha apenas 28 anos
Mércia Mikie Nakashima era advogada e tinha apenas 28 anos - Divulgação

No ano de 2010, um crime brutal escandalizou o Brasil. A advogada Mércia Nakashima, de 28 anos, foi morta por seu ex-namorado, o advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo.

Mércia foi vista pela última vez em 23 de maio do mesmo ano, após um almoço em família na casa de sua avó, que residia em Guarulhos. Segundo seus familiares, antes de sair, a mulher havia recebido uma ligação de Mizael e, desde então, não receberam mais notícias.

Após dois dias sem saber o paradeiro de Mércia, a família decidiu iniciar as buscas por conta própria. O registro do desaparecimento na Polícia Civil só foi feito após a falta de sucesso na procura da jovem.

A família passou a desconfiar após a falta de notícias da advogada / Créditos: Divulgação

 

Durante a investigação feita pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Mizael foi dado como suspeito e chamado para prestar depoimento, entretanto, saiu sem contar sua versão. A pressa do homem em sair da delegacia onde, inclusive, esqueceu seu documento de identidade chamou a atenção dos investigadores.

Em 31 de maio, Mizael foi convocado novamente para depor e, dessa vez, contou sua versão. Ele confirmou que ligou para Mércia, mas disse não ter conseguido conversar com ela. O ex-policial militar afirmou que não tinha ideia do que tinha acontecido com a mulher e que, no dia do crime, estava com uma prostituta em Guarulhos, porém, ela nunca apareceu.

Segundo o advogado do suspeito, Sammir Haddad Júnior, Mércia estava sendo ameaçada por um ex-cliente no qual não havia ficado satisfeito com seu trabalho e, por medo do que poderia acontecer, a mulher teria pedido a Mizael para que a buscasse. Entretanto, o advogado da família, Alexandre de Sá Domingues afirmou que o cliente não tinha motivos para ameaças.

No dia 10 de junho, através de uma denúncia anônima feita diretamente para a família, o carro de Mércia foi encontrado dentro de uma represa em Nazaré Paulista por bombeiros.

Mércia estaria dentro do carro na hora do crime / Créditos: Polícia Civil de São Paulo

 

O corpo da advogada seria encontrado no mesmo local no dia seguinte e foi identificado por seu pai e seu irmão, Márcio Nakashima, que também é advogado. De acordo com o laudo divulgado pelo Instituto Médico Legal (IML), Mércia morreu no dia 23 de maio, por afogamento, após ter sido baleada e desmaiado.  

Pouco tempo depois, um pescador que esteve no local no dia do crime prestou um depoimento que mudaria o rumo da investigação. Ele disse que no dia 23 de maio, enquanto se preparava para pescar na represa, viu um carro ser abandonado na água e escutou gritos de “ai” antes do carro submergir. O pescador também relatou que identificou um homem alto, mas que não conseguiu enxergar o rosto.

Outras testemunhas também afirmaram ter visto Mizael conversar dias antes do crime com o vigia Evandro Bezerra da Silva. O homem abandonou seu trabalho após a divulgação de que a polícia havia encontrado o carro de Mércia e passou a ser considerado igualmente suspeito. Ele teve sua prisão preventiva decretada em 25 de junho, e foi preso após tentar fugir para Sergipe.

Projétil encontrado pela perícia dentro do carro de Mércia / Créditos: Polícia Civil de São Paulo

 

Durante seu depoimento, Evandro disse que apenas havia ido ao local do crime no dia 23 para buscar Mizael após o mesmo ter pedido. Porém, acabou mudando sua versão e disse que não tinha qualquer envolvimento com o crime mas, após ser preso definitivamente em 2012 o vigia voltou atrás novamente e contou a mesma história.

Mizael foi preso de forma preventiva em 27 de julho de 2010 mas, assim como Evandro, foi liberado por meio de habeas corpus. No mês de dezembro do mesmo ano, os suspeitos entraram para a lista de procurados da Polícia Civil de São Paulo, após ser decidido que eles iriam para júri popular.

Evandro foi preso em junho, enquanto Mizael se entregou a polícia no mês de fevereiro. O julgamento do caso durou quatro dias e, no dia 15 de março, Mizael Bispo de Souza foi condenado a 20 anos de prisão pela morte de Mércia Nakashima, em regime fechado. O advogado da família recorreu a sentença, e a pena foi aumentada para 22 anos e 8 meses.


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