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Projeto Medicação: Após o 11 de setembro, a CIA quis usar o soro da verdade para evitar atentados

Pressionada por não ter antecipado os ataques a território americano, a agência de inteligência partiu em busca de uma solução radical

Thiago Lincolins Publicado em 11/09/2019, às 01h00

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A agência de inteligência dos Estados Unidos não foi muito criativa ao escolher o nome de um novo programa secreto de pesquisas, entre 2002 e 2003: o Project Medication , ou Projeto Medicação, visava apresentar um... remédio para o terrorismo. O objetivo era encontrar uma droga responsável por alterar os sentidos dos acusados e fazê-los revelar informações sobre possíveis novos ataques.

A informação era secreta, até que uma ONG, a American Civil Liberties Union, conseguisse autorização judicial para ter acesso ao documento de 90 páginas que descreve o projeto.

Divulgado em 2018, o relatório sobre a iniciativa informa que a CIA pesquisou a melhor solução por meses. Depois de analisar registros de programas soviéticos semelhantes, a agência optou pelo Midazolam, comercializado como Versed, para atingir o objetivo.

Usado no tratamento de pessoas que sofrem de ansiedade e insônia, o Versed também causa efeitos na memória, como amnésia. No entanto, o arquivo não explica como a droga seria utilizada para conseguir informações dos suspeitos.

A data do início dos testes não é casual: logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a CIA iniciou a chamada Guerra ao Terrorismo, uma campanha militar que visava impedir novos atentados por parte de extremistas e acabou desembocando na Guerra do Iraque.

O projeto nunca saiu do papel. Como encontraria graves problemas para levar a ideia adiante, a agência acabou engavetando o esquema. “Havia pelo menos dois obstáculos legais: a proibição de experimento médico em prisioneiros, e a proibição do uso de 'drogas que alteram a mente' ou aquelas que 'alteravam profundamente os sentidos' em interrogatórios”, detalha o documento.

De acordo com relatório, em 10 instalações secretas da CIA, inúmeros médicos participaram do programa de detenção dos acusados. Entre 2002 e 2007, um total de 97 pessoas acabou na mira desses profissionais.