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O legado de Clarice Lispector: há 43 anos, morria a ilustre escritora

De origem judia, a autora veio a falecer pouco tempo após a publicação do clássico A Hora da Estrela

Victória Gearini Publicado em 09/12/2020, às 09h34

Clarice Lispector, em agosto de 1969
Clarice Lispector, em agosto de 1969 - Divulgação / Acervo IMS

Clarice Lispector foi uma renomada escritora e jornalista ucraniana do século 20. Naturalizada brasileira, a autora escreveu diversos romances, contos e ensaios, sendo considerada a maior autora de origem judia, desde Franz Kafka. Com enredos repletos de cenas cotidianas corriqueiras e tramas psicológicas, suas obras atravessam gerações.

Nascida no dia 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, a escritora foi registrada como Chaya Pinkhasovna Lispector. Filha dos judeus russos Pinkhas Lispector e Mania Lispector, seu nascimento se deu durante o planejamento da família em fugir para o Brasil, em decorrência do aumento do antissemitismo no país de origem.

Em condições insalubres, a família Lispector desembarcou em Maceió, no Brasil, em 1922. No novo lar, passaram a viver de maneira precária, em decorrência das dificuldades financeiras e culturais.

Em primeiro momento, o patriarca passou a comprar roupas usadas e revendê-las a outros comerciantes da cidade. Além disso, vendia cortes de linho e ensinava hebraico para conhecidos. 

Ainda pequena, Clarice já demonstrava interesse pela escrita, escrevendo alguns contos e peças. Fato que inspirou o seu futuro. Após a morte de sua mãe, em 1930, a autora compôs, ainda, sua primeira peça para piano, em homenagem à matriarca. Ao completar 13 anos, a garota já sabia o que queria ser para o resto de sua vida: escritora

Clarice Lispector, escritora e jornalista / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com o intuito de arranjar bons maridos para suas filhas, Pinkhas Lispector mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, em 1935. No entanto, após terminar o ginásio, a promissora escritora ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até então chamada de Universidade do Brasil. Na época, a decisão da jovem causou estranhamento, pelo fato de Clarice ser mulher e não pertencer à elite carioca.

Carreira 

Aos 19 anos, a jovem descobriu uma nova paixão: a literatura. Nesta mesma época publicou seu primeiro conto conhecido, chamado o Triunfo, na revista Pan. 

Mais tarde, ingressou na área jornalística, sendo direcionada para a redação da revista Vamos Ler! — que na época era predominantemente consumida pelo público masculino da classe alta.

Seu primeiro conto publicado no veículo contava com uma temática feminista, centralizada na relação amorosa entre um homem e uma mulher. Em seguida, ingressou na Agência Nacional, onde trabalhou como editora e repórter, sendo a única mulher, até então, a ocupar tal cargo.

Ao longo de sua carreira, Clarice publicou inúmeros textos em diversos periódicos nacionais e internacionais. Além disso, é autora de vários clássicos atemporais, consagrando-se como uma das maiores escritoras brasileiras do século 20. 

Vida pessoal

Em de janeiro de 1943, foi naturalizada brasileira e, poucos dias depois, casou-se com Maury Gurgel Valente. Em dezembro, o casal foi contemplado, ainda, com o diploma no curso de Direito. Naquele mesmo mês, o primeiro romance da autora, Perto do Coração Selvagem, foi publicado com a impressão de mil exemplares.

Retrato da escritora Clarice Lispector / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aclamado pela crítica, o livro foi um sucesso de lançamento, sendo comparado a obras de outros grandes escritores, como Virginia Woolf, James Joyce, Jean-Paul Sartre e Marcel Proust

Em decorrência da profissão do marido, como vice-cônsul, Clarice passou a viajar cada vez mais e utilizou o tempo disponível para aprimorar a leitura de autores que até então desconhecia.

Já em 10 de agosto de 1948, na Suíça, a autora deu à luz ao primeiro filho do casal, chamado Pedro Lispector Valente e, em 10 de fevereiro de 1953, nasceu nos Estados Unidos, o seu segundo filho, nomeado de Paulo Lispector Valente.

Tudo parecia ir bem, até que na adolescência de Pedro, a família recebeu a notícia que o primogênito sofria de esquizofrenia. Sem saber como lidar com a situação, a escritora passou a se culpar pela doença do filho. Pouco tempo depois, o casal decidiu se separar, devido a incompatibilidade das agendas.

Na época, Clarice queria dedicar-se a sua carreira como escritora e focar em cuidar do filho doente. Maury, por outro lado, estava sempre viajando a negócios e exigia o mesmo da esposa, o que acarretou no divórcio, em 1959.

Últimos anos

Ao retornar para o Brasil, a autora passou a escrever para a coluna Correio feminino: Feira de Utilidades, no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. Mais tarde, assumiu a coluna Só para mulheres, do Diário da Noite, como "escritora-fantasma" da atriz Ilka Soares.

Estátua em homenagem a Clarice Lispector / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já em 1966, um acidente devastador quase a matou. Após esquecer seu cigarro aceso e dormir, Clarice provocou, involuntariamente, um incêndio em seu quarto. Entretanto, a escritora foi resgatada a tempo e imediatamente hospitalizada, permanecendo internada durante dois meses. 

Anos mais tarde, publicou seu último romance famoso, chamado A Hora da Estrela. No entanto, a felicidade com o lançamento da obra logo foi interrompida por uma drástica notícia. Após ser hospitalizada com problemas de saúde, Clarice foi diagnosticada com um grave câncer de ovário, que infelizmente foi detectado de forma tardia. 

Em seus últimos dias de vida, a autora ainda recitava frases para sua melhor amiga, Olga Borelli, que sempre esteve ao seu lado.

Entretanto, em um período curto de tempo, a doença se alastrou pelo seu corpo, levando à morte no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Os restos mortais da ilustre escritora foram enterrados no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro.


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