Matérias » Mundo

A história da vaca quase condenada à morte por cruzar uma divisa

Em 2018, o caso de Penka comoveu internautas e mobilizou ativistas pelos direitos dos animais

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 27/07/2021, às 17h21

Fotografia mostrando Penka
Fotografia mostrando Penka - Divulgação / Facebook/ Arquivo Pessoal

Em maio de 2018, um passeio longo demais dado por uma vaca búlgara resultou em um caso peculiar que chamou a atenção do mundo. Penka, que é o nome do mamífero em questão, afastou-se mais do que deveria de seu bando e acabou cruzando a divisa da Bulgária com a Sérvia sem ser impedida pelos oficiais que estavam guardando a fronteira. 

Naquele momento, por mais absurdo que soe, o animal acabara de se tornar um imigrante ilegal — uma vez que não possuía a papelada adequada para realizar aquela viagem — aos olhos da lei de seu país.

Isso porque a Bulgária faz parte da União Europeia, enquanto o país vizinho visitado pelo ruminante, por sua vez, não está incluído no bloco, fazendo com que essa fronteira só possa ser atravessada sob possessão de certos documentos oficiais. A história foi repercutida pelo Extra em junho daquele ano.

Penka, que também estava grávida quando o episódio se desenrolou, foi encontrada por um agricultor sérvio 15 dias depois de cruzar a divisa. O homem então usou o chip acoplado no mamífero para reencontrar seu dono, que era o fazendeiro Ivan Haralampiev, e devolver o animal. A vaca ainda foi avaliada por uma equipe de veterinários na fronteira, que constataram que ela estava saudável. 

Fotografia de Ivan, o dono de Penka / Crédito: Divulgação/ Facebook/ Arquivo Pessoal 

 

Esse poderia ter sido o fim da história, não fossem as rígidas legislações que a UE possui em relação à suas políticas de imigração, que se estende inclusive à animais — eles não podem se locomover para dentro do bloco sem permissão. Assim, o que aconteceu em seguida chocou Ivan, e, mais tarde, a internet: o animal foi condenado à morte por conta de seu passeio.

Repercussão 

Para conseguir salvar Penka, o fazendeiro decidiu levar o caso a público, e conseguiu assim mobilizar várias pessoas, que se compadeceram da história da vaca gestante que seria sacrificada. 

"O motivo (para o sacrifício) foi ela ter deixado as fronteiras da União Europeia. Depois de ter entrado na Sérvia, ela não pode voltar à União Europeia, da qual a Bulgária faz parte", explicou Haralampiev, durante uma entrevista dava à emissora "BNT News", que é búlgara, ainda de acordo com o Extra. 

Bandeira da União Europeia / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ Capri23auto 

 

A hashtag “#SavePenka” acabou viralizando nas redes sociais e foi elaborado inclusive um abaixo-assinado que reuniu mais de 30 mil assinaturas, incluindo até mesmo o músico Paul McCartney.

O ex-Beatle, que é conhecido por ser vegetariano, não foi o único defensor dos direitos dos animais que se envolveu no caso. O grupo ativista Four Paws, por exemplo, argumentou que Penka definitivamente não é o único bicho a ter ‘desrespeitado’ as fronteiras da UE, e diversas outras vacas, bois, ovelhas e outros vagam pelas divisas diariamente. 

"Seria realmente cruel matar todos aqueles animais. Espero que, se houver uma lacuna na legislação europeia, o caso de Penka ajude a resolver esse problema”, comentou Yavor Gechev, que é um porta-voz da organização. A informação foi repercutida pela AFP naquele mesmo ano. 

No fim, a pressão pública chegou à Comissão Europeia, fazendo com que a decisão fosse mudada, e no dia 12 de junho de 2018 viesse a notícia de que o ruminante iria viver, o que causou comemoração por parte daqueles que acompanhavam a história.