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Serial killer e prostituta: Por dentro da vida conturbada de Aileen Wuornos

Matando homens, a mulher se tornou uma das maiores criminosas dos Estados Unidos

Pamela Malva Publicado em 24/04/2020, às 13h00

Aileen Wuornos algemada
Aileen Wuornos algemada - Divulgação

A história dos Estados Unidos está repleta de psicopatas e serial killers. Mas, uma em especial deixou os norte americanos assustados com o que uma mulher pode fazer. É a história de Aileen Wuornos, a décima mulher a ser condenada à pena de morte.

Aileen Carol nasceu em fevereiro de 1956, em Michigan, nos EUA. Seus pais, adolescentes na época, se separaram antes mesmo dela nascer. O pai, Leo Dale Pittman, era um molestador e sociopata e a mãe, Diane Wuornos, a abandonou aos 6 meses de idade, junto ao irmão Keith, com quem teve relações incestuosas desde pequena.

Sozinhos, os dois foram adotados pelos avós maternos. Foi aí que o nome da menina mudou para Aileen Wuornos. Depois desse momento, a vida da jovem apenas piorou. Seu avô era um alcoólatra violento, que a estuprava e espancava constantemente.

Aos onze anos, a menina trocava favores sexuais na escola por cigarros e comida. Quando Aileen tinha treze anos, seu pai foi preso por assediar uma menina de 7 anos e se enforcou na cadeia. Menos de um ano depois sua avó morreu com insuficiência hepática. 

Logo depois, quando tinha 14 anos, Aileen engravidou após ser estuprada por um amigo do avô. Ela foi expulsa de casa e teve o bebê em uma casa de apoio a mães solteiras em 1971. O menino recém-nascido foi dado para a adoção e a garota passou a viver na rua.

Vivendo as ruas, Lee, como ficou conhecida, abusava das drogas e se prostituía para ganhar dinheiro. Tempos depois, com 20 anos, se casou com um homem de 69 anos chamado Lewis Fell.

O casamento durou nove semanas. Lewis pediu divórcio depois que sua esposa bateu nele com a própria bengala. Ela, então, teve vários relacionamentos fracassados, usando diversos nomes falsos. 

Foi mais ou menos nessa época que ela começou a ter os primeiros problemas com a polícia. Identidades falsas, roubos e assalto a mão armada, conduta desordeira, dirigir embriagada e disparos com uma arma calibre 22 de um veículo em movimento foram alguns dos delitos.

Trabalhando como prostituta novamente, a mulher foi presa em 1986, quando um de seus clientes alegou à polícia que a criminosa havia ameaçado ele com uma arma, exigido dinheiro.

No mesmo ano, frustrada e revoltada com os homens, Aileen passou a frequentar bares homossexuais. Em um deles, conheceu Tyria Moore, por quem se apaixonou passou a viver junto desde então. Ainda assim, ela seguia se prostituindo em bares para se sustentar.

A primeira vítima

No final de 1989, Aileen saiu com Richard Mallory, um de seus clientes, de 51 anos. Segundo ela, o programa teria saído de controle e o homem a levara para um local isolado, onde a espancou, estuprou e ameaçou de morte.

Supostamente em legítima defesa, ela o baleou três vezes com seu revólver calibre 22. Enrolou o corpo em um tapete e o abandonou em uma clareira isolada. O carro do homem foi encontrado em Ormond Beach.

O corpo de Richard foi encontrado apenas 12 dias depois, em um estado avançado de decomposição. Lee teria contado sobre o assassinato para Tyria, que teria se recusado a ouvir mais detalhes sobre o crime. No ano que se seguiu, ela fez outras seis vítimas, todos homens.

Investigador do caso com fotos de Aileen e de Richard / Crédito: Getty Images

 

Ela sempre os matava com tiros à queima roupa. Seus corpos eram deixados em beiras de estradas e os carros em outras regiões. Após o ato, Lee sempre levava os pertences. As outras vítimas foram David Spears, 43 anos, Charles Carskaddon, de 40 anos, Troy Eugene Burress, de 50 anos, Charles Richard "Dick" Humphreys, de 56, e Walter Jeno Antonio, de 62.

A essa altura, as autoridades já buscavam por um possível serial killer, considerando as semelhanças entre os casos. Uma pista importante era que os bancos do motorista de todos os carros encontrados estavam sempre puxados para frente, o que indicava um homem pequeno, ou uma mulher.

O começo do fim

Em julho de 1990, duas mulheres se envolveram em um acidente de carro e o abandonaram antes da chegada dos policiais. O veículo pertencia a Peter Siems, desaparecido há cerca de um mês.

Testemunhas montaram retratos falados das duas mulheres envolvidas no acidente. Logo, algumas pessoas começaram a ligar para a polícia, reconhecendo Tyria e Aileen. Em janeiro de 1991, ela foi localizada por um policial disfarçado.

Como as provas contra Lee eram muito poucas, as autoridades prenderam a mulher como suspeita. Os policiais foram, então, atrás de Tyria, que fugiu para a casa da mãe, na Pensilvânia quando viu seu retrato falado na televisão.

No entanto, quando foi encontrada pela polícia e com medo de ser condenada como cúmplice, a amante de Aileen contou tudo que sabia e disse que ajudaria a retirar a confissão da assassina.

A criminosa já na cadeia / Crédito: Getty Images

 

Em 16 de janeiro do mesmo ano, depois de assumir os crimes em uma conversa com sua amada pelo telefone e confrontada com as provas, Lee confessou os sete assassinatos. Ela inocentou Tyria e disse que todos os assassinatos foram em legítima defesa.

A defesa montou o caso nessa afirmativa, mas o júri achou improvável que todos as sete mortes tenham sido em defesa. Afirmaram, assim, que os prováveis motivos eram financeiros ou o simples gosto por matar.

Depois do depoimento de Tyria no tribunal, confirmando o que sabia sobre o primeiro assassinato, Aileen desistiu de negar as acusações e até mesmo alegou algumas. Ela recebeu pena de morte, mas nunca foi acusada por matar Peter, porque seu corpo nunca foi encontrado.

Em seus julgamentos, ela expressava seus diagnósticos psicológicos com falas distintas. Uma vez, chegou a falar que era alguém que “odeia seriamente a vida humana e mataria novamente”. Ela chegou a dizer que voltaria depois de sua morte, acompanhada por Jesus e sua nave-mãe. Aileen ainda alegou que não tinha morte, porque todo mundo morreria em 2019, quando alguma coisa atingiria a terra.

Em 9 de outubro de 2002, aos 46 anos, Aillen foi executada com uma injeção letal na prisão estadual da Flórida. Mesmo nessa época, muita gente defendia a assassina, acreditando em sua versão baseada em legítima defesa.

A história de Aileen serviu de inspiração para várias peças da cultura pop, como o filme Monster — Desejo Assassino, que deu um Oscar de melhor atriz para Charlize Theron. As séries Law & Order, Criminal Minds e American Horror Story e o filme Overkill: a história de Aileen Wuornos também reproduziram os crimes da assassina.


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