Bandeirantes: Os brutais conquistadores do Brasil

Em nome da conquista de escravos e ouro, eles descobriram e tomaram a maioria do território brasileiro

sexta 18 maio, 2018
Saiba mais sobre os bandeirantes
Saiba mais sobre os bandeirantes Foto:Reprodução / Youtube

No início do século 17, o Brasil era um território a ser explorado. O país terminava na linha do Tratado de Tordesilhas e regiões distantes do litoral eram muito pouco conhecidas. Entre o mar ocupado e o sertão, ficava uma vila pobre chamada São Paulo de Piratininga. Seus moradores precisavam sobreviver. Para alguns deles, os bandeirantes, a solução foi escravizar índios. "Era uma forma de conseguir mão de obra para as fazendas paulistas e faturar com o tráfico indígena", diz Manuel Pacheco Neto, historiador da Universidade Federal da Grande Dourados (MS).

O patriarca dos bandeirantes é João Ramalho, um português que, por volta de 1513, se estabeleceu no planalto paulista e aprisionou índios que atacavam a região. Começava assim um movimento intenso e lucrativo, que teve seu ápice entre os séculos 17 e 18. Chamadas de entradas, quando havia autorização da coroa, ou bandeiras, com financiamento particular, as expedições procuravam riquezas minerais e, principalmente, buscavam índios em quantidades gigantescas: por volta de 1630, 500 mil pessoas estavam mortas ou escravizadas.

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Uma viagem levava, em média, 50 brancos, 50 mamelucos e centenas de índios escravos. Os colonizadores andavam com pistolas e arcabuzes (espingardas carregadas pela boca com bolas de ferro e até pedregulhos). Por dia, eram percorridos de 10 a 12 quilômetros, a pé ou por rios, como o Tietê. A alimentação vinha principalmente da caça e da pesca. Quando chegava às aldeias, o grupo atacava de surpresa. Para criar pânico, podia matar crianças e idosos.

De botas limpas, chapéu e roupas em ordem. Assim os bandeirantes costumam ser retratados. Mas, em geral, esses homens eram bem menos arrumados: mestiços, muitos deles provavelmente andavam descalços. Mas um aspecto do vestuário corresponde às imagens dos livros escolares: para se proteger das flechas, eles usavam coletes de couro acolchoado.

Do bandeirismo ficou o legado da conquista territorial para muito além de Tordesilhas. Em 1750, o Tratado de Madri reconheceria o Brasil com um formato muito próximo do atual.

Mato adentro

Os caminhos das mais importantes bandeiras

1628

Manuel Preto Wikimedia Commons

➽ Líderes: Manuel Preto e Raposo Tavares

➽ Expedição: 2 mil índios e 900 mestiços

➽ Objetivo: Prender índios

Ao sul do Brasil ficavam as tribos guaranis. Eram alvo fácil: falavam uma mistura de tupi e português (conhecida dos bandeirantes), dominavam a agricultura e estavam reunidos em missões jesuítas. Até 1641, outras expedições destruíram mais de dez missões e escravizaram entre 33 mil e 55 mil nativos.

1648 - 1651

Raposo Tavres Reprodução

➽ Líder: Raposo Tavares

➽ Expedição: 1142 homens

➽ Objetivo: Prender índios.

Depois de uma grande derrota no Sul, os bandeirantes partiram para a região central. Ao tentar a sorte no Itatim, ao longo do rio Paraguai, Raposo Tavares teria levado uma sova e fugido para o norte. Outra versão diz que ele capturou índios e seguiu viagem. O fato é que ele alcançou o rio Amazonas.

1674-1681

Fernão Dias Reprodução

➽ Líder: Fernão Dias

➽ Expedição: 240 homens

➽ Objetivo: Procurar metais e pedras preciosos

Fernão Dias era caçador de nativos em São Paulo. Tinha mais de 60 anos quando partiu para as Gerais. Ao seu lado foram seu genro, Manuel de Borba Gato, e seu filho, Garcia Rodrigues Pais. Fernão morreu no sertão, após sete anos de viagem. Em sua trilha outros se deram bem melhor - caso do próprio Borba Gato, que encontrou ouro.

1694

Domingos Jorge Velho Reprodução

➽ Líder: Domingos Jorge Velho

➽ Expedição: 1300 homens

 Objetivo: Lutar contra tribos indígenas e acabar com o Quilombo dos Palmares

Domingos Jorge Velho vivia no Piauí quando foi chamado para destruir o Quilombo dos Palmares. Primeiro, foi até São Paulo, onde organizou um exército. Na volta, antes de chegar ao quilombo, parou para derrotar os tapuias que viviam entre Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Só então seguiu ao quilombo, que venceu com grande dificuldade.

1722-1725

Bartolomeu Bueno da Silva Reprodução

➽ Líder: Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhanguera

➽ Expedição: 152 homens

➽ Objetivo: Procurar metais preciosos

Em 1682, Anhanguera filho acompanhou o pai em uma missão para capturar índios na região central. Lembrando ter visto ouro nas tribos, partiu na mesma direção, em uma viagem de três anos em que quase morreu de fome. Ao retornar, em 1725, trouxe ouro. A notícia promoveu uma corrida em busca de riquezas na região.

Maria Carolina Cristianini e Tiago Cordeiro


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