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Ed Kemper: serial-killer, necrófilo e fonte do FBI

Retratado na série Mindhunter da Netflix, o assassino tornou-se importante fonte do FBI na caçada de serial-killers

Isabela Barreiros Publicado em 27/08/2019, às 11h00

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- Crédito: Reprodução

Ed Kemper teve uma infância conturbada. Ele sofria bullying por conta de sua altura: 2,06 metros. Sua mãe era abusiva e rígida e, às vezes, obrigava-o a passar a noite no chão do sótão, pois ele apresentaria riscos a suas irmãs.

Quando seus pais se separaram, decidiu morar com seu pai, mas descobriu que ele tinha se casado novamente e morava com sua esposa e filho. Por último, acabou na casa de seus avós paternos — mas isso não funcionou muito bem, porque foi nesse momento que seus crimes começaram.

Aos 15 anos, Kemper assassinou sua avó com dois tiros de espingarda após uma briga. Mesmo que ela já estivesse morta, o garoto ainda esfaqueou seu corpo. Ele ainda aguardou que seu avô chegasse na casa para também matá-lo e fez o que se repetiria em seus futuros assassinatos: ligou para a polícia e aguardou as autoridades.

Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, ele foi sentenciado a ficar no Hospital Estadual de Atascadero, uma prisão de segurança-máxima para pessoas com problemas mentais. Lá, além de ser amigo de todos, tornou-se assistente de seu psicólogo. Assim, sendo privilegiado no local, ele conseguiu antecipar o exame que reabilitaria sua vida em sociedade.

Crédito: Bettmann / Getty Images

 

Sua onda de assassinatos começa quando ele deixa o centro psiquiátrico e passa a dar caronas para inúmeras garotas da região onde morava. Em entrevistas, ele disse ter feito isso aproximadamente 150 vezes antes de decidir matá-las. Kemper dirigia para áreas isoladas, onde as vítimas eram mortas e, depois, levadas de volta para sua casa. Além disso, os corpos eram decapitados, desmembrados e estuprados.

Seis de suas ações foram assim. Somando seus avós, foram oito pessoas assassinadas, mas sua temporada acabaria após sua mãe acorda-lo ao chegar de uma festa. O serial-killer esperou que ela dormisse e a espancou com um martelo e cortou sua garganta com uma faca. Além disso, ele a decapitou, violou seu cadáver e usou sua cabeça como alvo de dardos. Depois disso, ainda chamou uma amiga de sua mãe para a casa, que foi assassinada por ele e teve seu carro roubado.

Ele ligou para a polícia e esperou sua prisão. Mas o homicida também ficou conhecido por outro fato: Kemper se tornou uma importante fonte de informações do FBI que tentava desenvolver um método de identificação de serial-killers. A série da Netflix Mindhunter retrata exatamente esse momento.

A colaboração de Kemper com o FBI / Crédito: Reprodução

 

Entre suas declarações, as mais marcantes e úteis para a polícia foram admitir que ele guardava “souvenirs” de cada vítima e a vontade do assassino de voltar à cena do crime para revivê-lo. Em entrevistas, ele culpa a mãe pelas suas ações, mostrando-se arrependido.

À esquerda, a representação do serial-killer na série Mindhunter da Netflix / Crédito: Reprodução

 

Kemper ainda está vivo. Aos 70 anos, ele está em uma prisão na Califórnia onde cumpre pena perpétua.