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Afinal, Jesus era casado?

A ideia é sustentada por alguns historiadores, mas ainda causa muita controvérsia

Redação Publicado em 20/09/2019, às 08h00

A polêmica é discutida desde o século 1
A polêmica é discutida desde o século 1 - Reprodução

Não é invenção de Dan Brown. Já no século 1, os gnósticos, que adotavam uma interpretação do cristianismo posteriormente banida, pareciam acreditar nisso. O apócrifo gnóstico Evangelho de Filipe descreve Maria Madalena como esposa ou amante de Jesus. Na Idade Média, os cátaros, que rejeitavam a divindade de Cristo e achavam que o Deus do Velho Testamento era Satã, também tinham essa opinião.

Dan Brown se inspirou no trabalho do jornalista Donovan Joyce, O Pergaminho de Jesus, de 1972, para criar seu thriller. Joyce afirmava ter lido um pergaminho secreto do ano 73, escrito por Jesus em pessoa. Não só ele havia sobrevivido como se casara com Madalena, tivera um filho e testemunhara a Guerra Judaico-Romana de 66 a 74. O manuscrito, porém, teria sido perdido e contrabandeado para a União Soviética pelo Dr. Grosset, um arqueólogo israelense corrupto.

Joyce não foi levado a sério como historiador. Mas ao menos um acadêmico defende a ideia do Jesus casado: James Tabor, da Universidade do Texas, autor de A Dinastia de Jesus.

Não seria vergonha alguma uma figura religiosa do tempo de Jesus ser casada - isso era praticamente obrigatório para os rabinos, que cumpriam a ordem do crescei e multiplicai-vos (Gênesis 1:28). Mas a interpretação oficial vem de um fato simples: nenhum evangelho - nem mesmo o apócrifo Evangelho de Maria - menciona o casamento de Cristo. E o importante discípulo Pedro, que chegou a ser chamado de primeiro papa, foi retratado como casado (Lucas 4:38).

Tabor, acusado de fazer polêmica pela polêmica, nunca se arrependeu. Afirma que, desde o lançamento do livro, ficou ainda mais convicto de que Jesus era casado.

Aqui vai a explicação: "Às vezes o silêncio fala", diz ele. "Estou convencido de que, nesse caso, o silêncio não quer dizer que Jesus era solteiro. Os autores dos evangelhos, escritos muitas décadas após a vida dele, ou não sabiam da esposa e filho ou, mais provavelmente, por razões teológicas, decidiram suprimir a informação. O Jesus desses evangelhos era o divino Filho de Deus, ascendido aos céus, e qualquer ligação mundana e sexual a uma mulher mortal seria inconcebível."