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"Morte generalizada, destruição e terrorismo": Ernie Chambers, o homem que processou Deus

O senador norte-americano acusou o divino, encarando um difícil processo

Ingredi Brunato Publicado em 17/01/2021, às 10h00

Fotografia de Ernie Chamber
Fotografia de Ernie Chamber - Divulgação/ Kristin Streff/ Lincoln Journal Star

Ernie Chambers, atualmente aos 83 anos de idade, é um político norte-americano do estado de Nebraska. Ativista pelos direitos civis, ele nunca teve receio de agir contra o racismo (inclusive, perdeu seu primeiro emprego assim) e é considerado um aliado da causa LGBT desde os anos 70. 

Embora o americano tenha muitas características notáveis em sua biografia, existe um episódio em peculiar a respeito de sua vida que se destaca entre os outros: a vez em que ele abriu um processo jurídico contra Deus

Ernie no Senado em 1978 / Crédito: Divulgação/ Don Walton/ Lincoln Journal Star 

 

Processando Ele

Ernielevou o Todo-Poderoso para os tribunais em 2008. Na época, membros da legislatura de seu estado estavam tentando banir ações judiciais consideradas frívolas. Ele, todavia, acreditava que todos deviam ter o direito de processar quem bem entendessem. 

Para defender seu ponto, tomou a decisão excêntrica de abrir uma ação contra Deus. Suas acusações contra o ser divino não foram pequenas: "morte generalizada, destruição e terrorismo de milhões e milhões de habitantes da Terra”. O caso foi divulgado pela AP em 2008.

Os desdobramentos

Apesar da gravidade das maldades supostamente infringidas pelo Supremo, o processo acabou não indo para frente por motivos burocráticos - não foi possível achar o endereço de Deus para informá-lo da ação. 

O argumento de Chambers, todavia, foi de que, por ser onisciente, o Todo-Poderoso não precisava ser notificado. Apesar disso, no fim aceitou que a ação fosse arquivada. O desfecho de tudo foi divulgado pela NBC News em 2008. 

Outro detalhe é que a própria Igreja Batista de Westboro se envolveu no pleito, oferecendo seu parecer como uma organização que tinha um entendimento mais profundo a respeito de Deus

Segundo a entidade cristã, o político norte-americano era “totalmente merecedor dos derramamentos da feroz ira de Deus", o que tiraria sua legitimidade de fazer acusações ao ser divino. 

O episódio todo só se torna mais curioso quando se leva em conta que Ernie é, na verdade, ateu, fato sobre si que não faz qualquer questão de manter em segredo.  

Determinado 

Ernie atualmente / Crédito: Divulgação/ Don Walton/ Lincoln Journal Star

 

Essa não foi a única vez que Chambers provou que não pouparia esforços para defender o que acreditava. Outro posicionamento importante para o político era o fim da pena de morte. Assim, ele apresentou um projeto de lei para aboli-la no início de cada sessão legislativa do qual fez parte - o que resultou em 36 tentativas ao longo de 40 anos. 

Na trigésima sétima tentativa, que ocorreu em 2015, Ernie afinal foi capaz de alcançar seu objetivo, acabando de vez com a pena de morte estado de Nebraska, ainda que ele seja um local conhecido por sua população conservadora. 

Chambers não foi o único a ter a ideia de acusar formalmente o Todo-Poderoso, embora possa ser o que tinha um contexto mais curioso. 

O político pode não ter tido tanta sorte ao realizar sua ação de 2008 em Nebraska, já outro norte-americano que fez o mesmo no estado de Indiana em 1969 se saiu muito melhor.

“Negligência”

O advogado Arizonan Russel T. Tansie acusou Deus de “negligência” quando a casa de sua secretária foi atingida por um raio, pedindo uma compensação de 100 mil dólares para cobrir os estragos. 

Quando a entidade divina não apareceu no tribunal para apresentar sua defesa, o caso foi ganho por Arizonan. A história do processo foi divulgada pelo jornal Indianopolis Star naquele mesmo ano. 

Na Romênia, em 2005, um prisioneiro identificado como Pavel M. processou a Igreja Ortodoxa Romena - que considerou a representante de Deus na Terra - por não ter sido eficientemente afastado do Diabo durante sua vida. 

Ele havia sido preso por assassinato, e considerou que seu batismo logo no início da vida era como um “contrato vinculativo” entre ele e o ser divino.

O processo, todavia, também foi descartado. O sistema de justiça apontou que não era possível buscar uma ação legal contra uma entidade que não fosse uma empresa ou indivíduo. Quem divulgou esse processo foi a Agência Russa de Notícias em 2005. 


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