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Espiões da Guerra Fria: Bisbilhoteiros entre os comunistas

Entre os anos de 1949 a 1989, Alemanha Ocidental tinha 10 mil espiões agindo entre os comunistas

Guilherme Gorgulho Publicado em 30/08/2019, às 09h00

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Que a Stasi, polícia secreta da República Democrática Alemã (RDA), tinha uma das mais eficientes redes de informantes da Guerra Fria atuando na Alemanha Ocidental, é um fato sabido. Um estudo alemão mostrou que o lado capitalista tinha 10 mil agentes infiltrados no lado comunista – 4 mil espiões a mais que a Alemanha Oriental.

Os historiadores Matthias Uhl e Armin Wagner mergulharam nos arquivos da Bundesnachrichtendienst (BND), a agência de inteligência da Alemanha Ocidental, descobrindo que o serviço recrutou para espionagem militar alemães orientais comuns, de donas de casa e estudantes a jornalistas e professores universitários. O estudo cobre o período de formação da República Democrática Alemã, em 1949, e vai até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

Brasão da Stasi / Crédito: Wikimedia commons

 

O resultado foi publicado no livro BND contra Sowjetarmee (BND contra o Exército soviético, em tradução livre), ainda não publicado no Brasil. A obra mostra que os ocidentais eram mais eficientes no recrutamento, mas o trabalho de inteligência dos orientais era melhor - já que a Stasi conseguiu infiltrar um agente, Günter Guillaume, no governo de Bonn. O assessor do chanceler Willy Brandt foi descoberto em 1974, em episódio que provocou a renúncia do governante.

Mais de uma década antes, a BND não quis acreditar quando informantes revelaram os planos dos comunistas de erguer o Muro de Berlim. Até 1955, mais de 4 mil pessoas trabalhavam para a agência secreta ocidental no território comunista.

Os primeiros agentes eram majoritariamente das fileiras do Exército alemão derrotado na Segunda Guerra. Depois do muro, houve mais dificuldade, mas a rede já estava estabelecida e até mesmo turistas alemães do Ocidente serviram de fonte.

Historiadores apontam que os informantes tinham motivações variadas para se arriscar à prisão por traição. Muitos agiam por ter posições anticomunistas, outros por laços familiares ou até mesmo por aventura. Mesmo assim, havia compensação financeira para espiões, que ganhavam valores entre 50 marcos (aproximadamente 25 euros) a milhares de marcos.