Matérias » Segunda Guerra

Estupros e assassinatos: Os horrores causados pelo Japão na Segunda Guerra

Tendo como principal alvo os chineses, os japoneses foram responsáveis por episódios cruéis no lado oriental do conflito bélico

Caio Tortamano Publicado em 06/02/2020, às 18h00

Corpos empilhados durante o Massacre de Nanquim
Corpos empilhados durante o Massacre de Nanquim - Wikimedia Commons

A brutalidade e crueldade dos nazistas durante a Segunda Guerra gerou a morte de aproximadamente 6 milhões de judeus e 20 milhões de soviéticos. Se esses números assustam e impressionam, pouco é dito sobre a quantidade de mortes causadas pelo Japão entre 1937 e 1945.

O Império japonês cometeu terríveis atrocidades com filipinos, malaios, vietnamitas, cambojanos, indonésios, burmeses e até australianos, mas nenhuma etnia foi tão perseguida pelo país do Eixo como os chineses.

Na China, um dos episódios mais sórdidos protagonizados pelos japoneses foi o Massacre de Nanquim, um assalto feito pelo Império na cidade de Nanquim que levou a morte de 300 mil pessoas. Dentre essas vítimas, grande parte eram civis que foram estuprados, torturados e enterrados vivos.

Por mais que a operação de tomada de poder da cidade chinesa tenha durado poucas horas, os habitantes de Nanquim foram feitos reféns durante meses. Com macabras e sádicas apostas, os soldados japoneses competiam entre si para ver qual deles conseguia decapitar mais prisioneiros em menos tempo.

Soldado australiano prestes a ser decapitado por um japonês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os estupros coletivos tornaram-se hábito comum entre os militares do Japão, as chamadas mulheres de conforto eram, na verdade, abusadas em bordéis gratuitos fazendo delas escravas sexuais.

A perseguição com os chineses se agravou quando, em uma diretriz de 1937 assinada pelo imperador Hirohito, as restrições de tratamento com prisioneiros foram simplesmente retiradas. Dessa forma, os abusos não somente eram permitidos, bem como endossados pelos superiores do exército, que tinham plena noção dos absurdos cometidos por seus comandados.

O Japão seguia a Política dos Três Tudos: Matem Tudo, Queimem Tudo e Saqueiem Tudo. A ordem era expressa aos soldados para que fizessem o máximo de estrago por onde passassem. A doutrina era uma retaliação justamente contra os chineses, mas que acabou se estendendo pra todos os prisioneiros de guerra dos japoneses e dos lugares que eles invadiam.

O livro Os Três Tudos: Confissões Japonesas de Crimes de Guerra na China, conta com diversas confessões de crimes de guerras cometidos a mando do general Yasuji Okamura. Os responsáveis pela publicação do livro foram ameaçados de morte por grupos de extrema direita, e retiraram a obra de circulação.

As diabólicas práticas só vieram a ter fim com a derrota do Eixo na Segunda Guerra Mundial. Os responsáveis pelo Massacre de Nanquim, por exemplo, foram executados depois de serem considerados culpados pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente e pelo Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim.

Assim como no Holocausto, alguns revisionistas históricos que seguem um pensamento nacionalista tentam diminuir a seriedade dos eventos questionando, inclusive, a existência desses massacres e práticas — contrariando dados oficias de governos como o da China e o do próprio Japão.

Por mais tolo que pareça negar fatos desse tipo, esse tipo de movimento causa atritos frequentes nas relações entre China e Japão, bem como outras nações do Pacífico, que sofreram com invasões japonesas na década de 30 e 40.


+ Saiba mais sobre o tema através das obras abaixo:

Marcha Para a Morte, de Shigeru Mizuki (2018) - https://amzn.to/2H3iLyB

Hiroshima e Nagasaki: 32 Curiosidades Sobre o Maior Bombardeio Atômico da História, de Editora Mundo dos Curiosos (ebook) - https://amzn.to/2Uwxs5i

História secreta da rendição japonesa de 1945: Fim de um império milenar, de Lester Brooks (2019) - https://amzn.to/2NYoWYq

História concisa do Japão, de Brett L. Walker (2017) - https://amzn.to/2RMhosT

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.