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“Eu, medo de Satanás? É ele que deve ter medo de mim”: Gabriele Amorth, o exorcista do Vaticano

O clérigo italiano morreu aos 91 anos e afirmou ter tratado mais de 70 mil possessões demoníacas

Alana Sousa Publicado em 03/03/2020, às 17h30

Gabriele Amorth, o exorcista do Vaticano
Gabriele Amorth, o exorcista do Vaticano - Getty Images

“Eu, medo de Satanás? É ele que deve ter medo de mim. Eu trabalho em nome do Senhor do mundo. E ele é só o macaco de Deus”. A famosa declaração é do padre Gabriele Amorth, exorcista reconhecido pelo Vaticano, que alega ter tratado 70 mil possessões demoníacas.

O religioso foi um dos mais notórios exorcistas da Igreja Católica, durante sua carreira publicou diversas obras, como Um Exorcista Conta-nos (1990), Novos Relatos de um Exorcista (1992), O Último Exorcista (2012) e, Mais fortes que o mal (O demónio: reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo) (2010). Morreu em setembro de 2016, aos 91 anos, devido a problemas pulmonares. No entanto, seu legado permanece.

“De repente, eu tive a nítida sensação de uma presença demoníaca na minha frente. Senti o demônio me olhando, me examinando, se movimentando ao meu redor. O ar ficou frio. Um amigo exorcista já tinha me falado dessas mudanças bruscas de temperatura. Mas é uma coisa é ouvir falar e outro é viver a experiência”, assim relatou Gabriele, ao site italiano Libero, em 2012, sobre seu primeiro encontro com o diabo.

Um exorcista do Vaticano

Utensílios de Amorth para a realização de um exorcismo / Crédito: Getty Images

 

Nascido na Itália, em 1925, Amorth iniciou sua trajetória religiosa ainda jovem e, aos 30 anos foi ordenado sacerdote católico romano. Seus trabalhos como exorcista oficial do clero foram iniciados em 1986. Para o religioso, um exorcismo não é apenas classificado quando existe uma suspeita de possessão, mas quando é realizada uma oração ou ritual para uma pessoa específica.

No livro O Último Exorcista, o clérigo afirmou que “o mundo está sob o poder do diabo”. Ele chegou a inclusive afirmar que Adolf Hitler e Josef Stalin estavam possuídos pelo demônio, o que seria a grande razão por trás de todas as atrocidades cometidas pelos ditadores.

Relacionando novamente política com questões espirituais, Armoth afirmou que o papa João Paulo II sempre foi um grande nome que amedrontava as criaturas malignas. Sobre os motivos que o levaram a tal crença, ele explicou: “Eu perguntei ao demônio mais de uma vez: Por que você tem tanto medo de João Paulo II? E eu tive duas respostas diferentes, ambas interessantes, a primeira: Porque ele desarmou meus planos. E eu acho que com isso refere-se à queda do comunismo na Rússia e na Europa Oriental, o colapso do comunismo”.

Em uma entrevista, concedida ao italiano Sandro Magister, em 2004, Gabriele falou sobre a influência do Satanás na sociedade moderna, descrevendo-o como um ser tentador. “Ele faz tudo para o homem pecar e cada vez que o mal é feito, ele fica para trás, deixando claro que é o homem que decide livremente suas ações. Mas há também uma ação extraordinária do maligno: e esta é a possessão diabólica”.

Ironicamente, o filme favorito do pároco é o icônico O Exorcista, lançado em 1974, dirigido por William Friedkin. Para o religioso, a obra é relativamente fiel aos fatos reais, apenas exagera nos efeitos especiais.

Polêmicas

Gabriele Amorth, foi o exorcista oficial do Vaticano por 36 anos / Crédito: Getty Images

 

Apesar de ser respeitado na comunidade cristã, em meio ao público, Armoth era conhecido por possuir uma personalidade forte e opiniões, no mínimo, polêmicas. O exorcista, assim como a cristã Gabriele Kuby e o papa emérito Bento XVI, estava entre os nomes que classificaram a saga Harry Potter como diabólica, alegando que “a magia é sempre um caminho para o diabo”.

A intolerância com outras religiões, senão o catolicismo, também era uma marca do religioso, que chegou a dizer que o hinduísmo é baseado em “crenças falsas na reencarnação”. Uma das frases mais controversas — e questionáveis — do líder católico relaciona yoga, satanismo e Harry Potter: “praticar yoga é satânico, leva ao mal como a leitura de Harry Potter”.


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