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François Bertrand, o maligno vampiro de Montparnasse

O renomado sargento francês ficou conhecido por desenterrar e violentar cadáveres nos cemitérios de Paris, no século 19

Paola Churchill Publicado em 20/04/2020, às 14h00

Retrato de François Bertrand
Retrato de François Bertrand - Wikimedia Commons

Entre o verão de 1848 e março de 1849, Paris vivia um verdadeiro pesadelo. Nos cemitérios da cidade, centenas de cadáveres de mulheres foram encontrados exumados e, em seus corpos podiam ser encontradas marcas de abusos sexuais.

Ninguém sabia quem seria capaz de um crime tão terrível quanto aquele, a imprensa começou a se dirigir a eles como “os crimes do vampiro de Montparnasse”, pois seus atos aconteciam apenas de madrugada e passavam despercebidos pelos coveiros e guardas.

As autoridades fizeram um plano para capturar o maníaco. No cemitério da cidade, foi instalado um fio metálico tão fino que mal podia ser visto. Assim que ele fosse acionado, o objeto atiraria uma bala para ferir o criminoso fatalmente.

Cemitério parisiense que François cometia seus crimes/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Então, na madrugada do dia 16 de março de 1849, o silêncio da necrópole foi quebrado e um disparo foi ouvido. Os vigilantes correram para ver quem era a pessoa que assombrava o lugar e não dava descanso para os mortos e o choque ficou estampado em seus rostos. O homem era um renomado sargento do exército francês: François Betrand.

O sargento vampiresco ficou conhecido após participar do segundo batalhão de infantaria da África, responsável pela construção de estradas na Argélia.

Gravemente ferido, Bertrand foi levado ao hospital e depois de preso, confessou todos os seus crimes ao médico militar Dr. Marchal de Calvi. Marchal, que relatou sua descoberta para as autoridades.

Em seu depoimento o hábito começou quando ele e alguns amigos passaram por um cemitério. François ficou fascinado quando um dos coveiros estava cobrindo o corpo de uma jovem mulher “A essa visão... desejos horríveis me apoderaram: minha cabeça latejava, meu coração palpitava violentamente; Pedi licença aos meus companheiros e voltei às pressas para a cidade. Assim que me vi sozinho, peguei uma pá e voltei ao cemitério”.  

Os médicos chegaram ao consenso que a compulsão do sargento era uma monomania erótica com cadávares de mulheres. Ele não queria praticar atos tão horripilantes, mas devido a essa doença mental, não tinha como controlar o impulso.

Pouco tempo depois, Bertrand foi ao tribunal. Ainda debilitado por conta dos ferimentos da bala, chegou ao julgamento amparado por muletas e seu semblante estava pálido e fraco.

Desenho do Vampiro de Montparnasse com um dos corpos/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Assim que o juiz perguntou se ele havia cometido os crimes, Bertrand prontamente admitiu a culpa. Mas quando foi questionado o porquê de atos tão hediondos, ele não soube dizer. “Fui levado a isso contra minha própria vontade; nada poderia me parar ou me deter, não consigo descrever nem entender quais eram minhas sensações em rasgar esses corpos. Às vezes exumei de dez a quinze corpos em uma noite. Desenterrei-os com as mãos, que muitas vezes estavam rasgadas e sangrando com o trabalho que sofri, mas não me importei em nada para poder alcançá-los. O desejo me tomou geralmente uma vez por quinzena.”

Bertrand recebeu um ano de prisão, durante todo o período encarcerado, o homem recebeu tratamento médico para tentar curar sua anomalia. Assim que foi liberado, mudou-se para Le Havre, na França, e nenhum relato de profanação grave foi vinculado ao sargento novamente.  

François Bertrand morreu de causas naturais em 25 de fevereiro de 1878, mas sua peculiaridade continuou sendo de interesse para a comunidade médica. Acredita-se que por causa do sargento, o termo necrofolia foi cunhado em 1850.


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