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François Vatel, inventor do chantili, se matou porque faltava peixe no banquete

O maior cozinheiro da história encontrou seu fim de uma forma trágica — e irônica

Redação Publicado em 14/12/2019, às 10h00

François Vatel
François Vatel - Wikimedia Commons

François Vatel era famoso na França do século 17. Insuperável na criação de receitas (criou o creme chantili), tinha também o dom de transformar banquetes em verdadeiros espetáculos. Imagine um Cirque du Soleil gastronômico e você terá um ideia da sua grandiosidade. Porém, não foi pela faca de cozinha que ele entrou para a História — mas sim por um punhal, com o qual se matou.

Para entender a atitude do desafortunado Vatel, é preciso entrar no espírito da época. Na França de 1600, a mesa dos banquetes era o lugar em que se tomavam decisões políticas, rolavam as intrigas na corte, lançava-se moda ou fofocava-se sobre a vida alheia. Por trás desse circo de vaidades, o cozinheiro reinava absoluto. Numa comparação com o Brasil, um bom chef seria tão popular quanto hoje é um escritor de novelas de televisão.

Ilustração mostra o momento do suicídio de François Vatel / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando o patrão do cozinheiro, o príncipe Condé, convidou o rei e sua comitiva (de mil pessoas) para um fim de semana no castelo de Chantilly, Vatel se esmerou. O menu do banquete principal seria filé de linguado, anchovas, melão com presunto de Parma, lagosta com molho de camarão, pernil de carneiro, pato ao molho de vinho Madeira e, de sobremesa, bombas de morango.

Vatel encomendou frutos do mar dos principais portos franceses. No entanto, justo naquela ocasião houve um grande atraso dos peixeiros. No dia do banquete, 23 de abril de 1671, Vatel surtou ao ver que o peixe não chegava. Soluçando, trancou-se no seu quarto, pegou o fatídico punhal e enterrou-o no coração. Quarenta e cinco minutos depois, os peixeiross bateram à porta do castelo com as encomendas.

O banquete correu às mil maravilhas e, claro, o suicídio de Vatel foi o assunto da noite. Como, no Brasil, de hoje, um escritor viraria notícia caso se suicidasse por não entregar o último capítulo da novela.


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