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Hoje é dia de Guy Fawkes. Por que isso é importante?

A verdadeira história do terrorista católico que tentou mandar o Parlamento aos ares

Artur Louback e Paula Lepinski Publicado em 05/11/2019, às 15h00

A famosa máscara de Guy Fawkes
A famosa máscara de Guy Fawkes - Getty Images

Já se vão mais de dez anos do lançamento do filme V de Vingança das irmãs Wachowski, que, inspirado nos quadrinhos de 1982 de Alan Moore, trouxe para a cultura popular a face estilizada do conspirador Guy Fawkes, o que tentou mandar aos ares o parlamento britânico e acabou preso em 5 de novembro de 1605.

No filme/quadrinhos, essa face era usada pelo misterioso anarquista V, enfrentando um governo fascista. Daí ela saltou para protestos pelo mundo todo - ideia começada pelo grupo hacktivista Anonymous, que começou com usuários do fórum 4Chan organizando protesto contra a Igreja da Cientologia em 2008.

Máscara de Guy Fawkes no Occupy DC / Crédito: Getty Images

 

O VERDADEIRO

O Fawkes da vida real nasceu em abril de 1570 em York, Inglaterra. Oswald Tesimond, amigo de escola de Fawkes, descrevia-o como "agradável e alegre, averso a brigas e conflitos e leal aos amigos". Tesimond também afirmou que Fawkes era "um homem altamente qualificado em matéria de guerra".

Embora a maior parte de sua família fosse anglicana, seus avós maternos eram católicos, assim com o seu padrasto, Dionis Baynbrigge. Essas seriam as primeiras influências para que, no futuro, Fawkes se convertesse ao catolicismo e planejasse um levante contra o rei protestante James I da Inglaterra e os membros do parlamento.

GUERRA DOS OITENTA ANOS

Aos 21 anos, após ter se convertido e vendido suas propriedades, saiu do país para juntar-se à Espanha católica na luta contra a Holanda protestante na Guerra dos Oitenta Anos. Já era uma traição: seu país estava em guerra com a Espanha. Em 1603, ele foi recomendado como comandante pelos espanhóis.

O verdadeiro Guy Fawkes / Crédito: Wikimedia Commons

 

No mesmo ano, ele viajou para Madri para pedir ao rei Felipe III que apoiasse uma rebelião na Inglaterra contra James I. Já em fase de buscar a paz com a Grã-Bretanha, o rei recusou.

Mas Fawkes tinha outros contatos. Na guerra, conheceu Thomas Wintour, que convenceria a participar de uma conspiração contra a coroa.

A CONSPIRAÇÃO DA PÓLVORA

Em julho de 1605, um grupo de conspiradores chefiado por Robert Catesby (líder de uma comunidade de católicos fervorosos perseguida pela rainha Elizabeth I), colocou 36 barris de pólvora – 2,5 toneladas no total – no porão do Palácio de Westminster, sede do Parlamento.

Em um estudo do começo dos anos 2000, físicos da Universidade do País de Gales concluíram que aquela quantidade de pólvora seria capaz de destruir prédios situados num raio de 490 metros - ou seja, o centro de Londres viraria pó. O plano era detonar tudo em 5 de novembro, quando rei, comuns (deputados) e lordes (espécie de conselheiros) estariam todos reunidos.

Teria dado certo se não fosse a peste bubônica. Ao se constatar vestígios dela em Londres, os parlamentares adiaram o encontro para 5 de novembro, tempo suficiente para a notícia da conspiração vazar.

Na madrugada do dia 5, Fawkes, foi preso quando inspecionava a carga. Sob tortura, ele delatou os companheiros. Meses depois, oito integrantes do grupo foram executados, inclusive Fawkes, que passou à história equivocadamente como líder do movimento, um bode expiatório não muito diferente de Tiradentes no Brasil.

O QUE ISSO TEM A VER COM LIBERDADE?

Alan Moore em 2008 / Crédito: Fimb

 

Um terrorista católico tentando restabelecer a velha religião na Inglaterra. O que isso tem a ver com um guerreiro da liberdade moderno? Só Alan Moore pode dizer.

Felizmente, ele disse. O artigo completo pode ser lido na BBC.

Dois trechos:

 "Quando os pais explicavam aos filhos a respeito de Guy Fawkes e sua tentativa de explodir o Parlamento, sempre havia certo tom de admiração em suas vozes."

"No início dos anos 1980, durante as revoltas anti-Tatcher e uma preocupante subida da ultradireita do National Front, o status de Guy Fawkes como um potencial revolucionário pareciam estranhamente confirmadas."


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