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Fim do Levante do Gueto de Varsóvia: Na Segunda Guerra esses judeus preferiram morrer lutando

Em 1943, os judeus do gueto de Varsóvia começaram um levante: era melhor morrer atirando em nazistas do que numa câmara de gás

André Nogueira Publicado em 16/05/2019, às 14h00 - Atualizado às 19h00

Levante de Varsóvia
Levante de Varsóvia - wikimedia commons

Houve, em 1943, um grande evento da resistência contra o nazismo, que acabou em uma horrenda chacina. Trata-se do Levante do Gueto de Varsóvia, trecho da capital polonesa onde os judeus eram confinados. Os quais posteriormente, optaram pela luta armada contra a ocupação alemã e a perseguição racial.

O Gueto de Varsóvia era uma das maiores concentrações urbanas de comunidade judaica, um dos corações do Holocausto. Foi um espaço de despojo de minorias de origem judaica estabelecido pelos nazistas como forma de conter, esconder e diminuir as condições de vida dos judeus na Polônia.

Em 1943, nesse gueto, viviam famílias judaicas que tentavam resistir. No processo de extermínio do fim da guerra, mais de 300 mil pessoas já tinham sido deslocadas ao campo de concentração de Treblinka, próximo ao complexo de Auchwitz-Birkenau e os que restavam no gueto já tinham plena noção do que os esperava. Em geral, esses contingentes levados de Varsóvia eram assassinados logo ao chegarem de trem ao campo.

A opção era a resistência / Crédito: Reprodução

 

Cientes do destino fatal na indústria da morte patrocinada pelo Reich, os varsovianos optaram pela opção mais digna: era melhor morrer lutando e matando nazistasinvasores do que se sujeitar ao extermínio na câmara de gás.

Seguindo essa lógica, em 19 de abril de 1943, os judeus do gueto iniciaram um levante em resistência aos planos genocidas de Hitler e a ocupação militar do país pelas forças armadas alemãs. 

Com um contingente de 1,5 mil pessoas, os judeus do gueto iniciaram a revolta com armas de fogo e pedras contra o policiamento nazista, que logo foi reforçado por um exército de 3 mil homens, comandados pelo então Brigadeführer da SS Jürgen Stroop.

O gueto estava em grande desvantagem. O que lhes favorecia era o conhecimento do terreno, pois eles atiravam e agrediam os nazistas entre as vielas e becos da cidade. Como represália, as tropas alemãs começaram a derrubar, uma à uma, as casas do complexo, destruindo as bases da revolta.

Após a derrota, a maioria foi levada para o paredão / Crédito: Wikimedia commons

 

Depois de dias de batalha, as chances de vitória pareciam nulas. Muitos optaram pelo suicídio (que tem um peso negativo forte no judaísmo) à câmara de gás. A resistência se manteve, mesmo que com a consciência de sua inutilidade.

O avanço nazista foi destruindo o gueto. No dia 16 de maio daquele ano, os nazistas chegaram à sinagoga do gueto, explodindo-a. Isso marca o fim do levante e a completa derrota dos revoltosos.

O gueto destruído após a vitória nazista / Crédito: Wikimedia commons

 

Os judeus que mantiveram o levante foram todos assassinados. Por ordens de Hitler, todo o gueto foi reduzido a ruínas e as obras completamente destruídas. Os alemães construíram sobre o gueto um campo de contenção de prisioneiros políticos e militantes polacos, levados lá para serem exterminados. Depois, foi montado naquele espaço o campo de concentração KL Warschau.