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Hades: O injustiçado deus do submundo

Conhecido por governar o mundo das almas, o deus, diferente do que se pensa, não é tão mau assim

Isabela Barreiros Publicado em 10/09/2019, às 19h00

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Conhecido por ser o deus do submundo, Hades, filho de Cronos e irmão de Poseidon e Zeus, governa o mais sombrio território do mundo. Após uma grande batalha com os titãs, os irmãos saem vitoriosos e dividem a Terra. Zeus passou a dominar os céus, Poseidon os mares, e Hades o submundo.

Mesmo governando o tenebroso reino dos mortos, ele não é considerado o deus da morte. Isso acontece porque Hades, na verdade, cuida do que acontece com a alma das pessoas após a sua morte — ele não é o provocador delas. Pode-se dizer que ele é o deus do “pós-morte”, lidando com as consequências da vida dos outros.

Esse é um dos motivos pelo qual os homens temem tanto ao governador do submundo. Sendo o deus mais odiado pelos mortais, já foi citado inúmeras vezes em textos e na linguagem popular da Grécia Antiga. Homero, em Ilíada, e Platão, em Crátilo, demonstram como as pessoas têm medo de Hades, evitando até mesmo o nome do tal deus. Passou-se a usar então Plutão, um eufemismo.

Ainda que persista o pensamento de que ele seja um grande senhor do mal, o deus nunca foi associado à maldade na mitologia grega. De fato, ele é o deus do submundo, do reino dos mortos, entre outros nomes para o local em que residia e governava, mas sua representação passava um pouco longe disso.

Muitas vezes foi apresentado como passivo, e não mau. Além disso, também é possível dizer que seu papel estava intimamente ligado à manutenção de um equilíbrio relativo na terra das almas. Frio e severo, não teve muitas outras características ligadas ao seu nome simplesmente pelo medo do povo em pensar muito sobre ele e atrair sua atenção.

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Como era o único deus a não viver no Olimpo, raramente deixava seu reino para visitar outros lugares. Em uma das vezes que o fez, foi por amor à Perséfone, deusa das ervas, flores, frutos e perfumes, e essa viagem gerou um dos únicos mitos sobre Hades na cultura grega: o Mito das Estações.

O deus do submundo decidiu sequestrar Perséfone, mas a atitude não foi bem recebida pela mãe da garota, que procurou a Zeus para pedir por sua libertação. Por sua vez, Zeus pediu que Hades deixasse a deusa voltar, mas, esperto, ele fez com que a sobrinha comesse um grão de romã, sabendo que quem se alimentasse de qualquer alimento no reino dos mortos não poderia sair de lá.

Assim, o deus do trovão decidiu que Perséfone iria passar uma parte do ano no submundo, com seu marido, e o restante com Deméter, sua mãe, no monte Olimpo. Surgem desse modo as estações do ano.

Hades também é conhecido como deus da riqueza, porque possui muitos metais preciosos em seu mundo. As terras do submundo são divididas em duas partes. Primeiro, o Érebo, onde as almas ficam para receber o julgamento da sua vida. A outra parte é o Tártaro, o local em que ficam aprisionados os titãs.

Hades, mais que governador do mundo das almas, é uma espécie de presidente do tribunal: é ele quem dá a sentença dos julgamentos. O medo que causa nos humanos pode estar exatamente nesse fato, visto que o deus decide o que acontecerá com as almas dos que morreram.