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Ham: O primeiro astronauta americano

Há 59 anos, o filhote de chimpanzé entrou para a História como o primeiro hominídeo a chegar ao espaço

Letícia Yazbek e Alana Sousa Publicado em 31/01/2019, às 10h00

Ham em Janeiro de 1961, antes de seu voo para o espaço
Ham em Janeiro de 1961, antes de seu voo para o espaço - Wikimedia Commons

Na manhã de 31 de janeiro de 1961, nenhum hominídeo havia chegado ao espaço. Mas isso estava prestes a mudar. O chimpanzé Ham, de quatro anos de idade, seria lançado de Cabo Canaveral, Flórida, em uma missão do Projeto Mercury chamada MR-2, para um voo suborbital.

Nascido em 1957 em Camarões, o chimpanzé foi capturado por caçadores de animais e comprado pela Força Aérea dos Estados Unidos. Dois anos depois, foi levado para a Base da Força Aérea Holloman – local que, futuramente, inspiraria seu nome.

Na base de Holloman, havia cerca de 40 chimpanzés candidatos a astronautas. Após os primeiros testes, restaram 18 escolhidos. Ham estava entre os seis finalistas, sendo conhecido como n°65 até o fim da missão.

Ham durante os testes Reprodução

O treinamento, iniciado em julho de 1959, durou cerca de dois anos. Sob a direção do neurocientista Joseph V. Brady, os seis chimpanzés selecionados eram ensinados a realizar tarefas simples e cronometradas de acordo com luzes e sons elétricos.

Após uma série de testes, Ham foi o escolhido – foi considerado capaz de não só dar um passeio em um foguete, mas controlá-lo. Em seu treinamento pré-voo, foi ensinado a empurrar alavancas e apertar botões que o trariam de volta à Terra.

À bordo do foguete Mercury 5, Ham foi lançado ao espaço em um voo que durou 16 minutos e 39 segundos. Suas tarefas e sinais vitais eram monitorados da base de Holloman. Durante o voo, a cápsula sofreu uma perda parcial de pressão, mas o traje especial de Ham impediu que o animal sofresse qualquer dano. Ham foi capaz de operar a nave conforme o treinamento recebido. A cápsula mergulhou no oceano Atlântico e foi resgatada no mesmo dia.

Após o sucesso do voo Reprodução

Após o sucesso da missão, o chimpanzé – até então chamado apenas de n°65 – recebeu o nome de Ham, acrônimo para o laboratório médico da base de Holloman (Holloman Aerospace Medical Center). Isso porque as autoridades temiam que, caso a missão desse errado, ela ficasse marcada pelo nome de um animal sacrificado – como aconteceu com a cadela Laika, lançada pela nave soviética Sputnik 2 em 1957. 

Ham foi o primeiro hominídeo, mas não o primeiro mamífero a sobreviver ao espaço. Meses antes, em 19 de agosto de 1960, a Korabl-Sputnik 2 (ou, informalmente, Sputink 5) havia levado e trazido as cadelas Belka e Strelka para uma viagem de um dia em órbita. Inclusive, meses após a viagem de Ham, o premiê soviético Nikita Krushchev presentearia John Kennedy com uma filhote de Strelka, Pushinka, cuja linhagem ainda vive nos EUA. 

Aposentado da carreira de astronauta, Ham viveu por mais 20 anos, sendo 17 deles no Zoológico Nacional, em Washington, e o restante no Zoológico da Carolina do Norte. Sua morte, em 19 de janeiro de 1983, rendeu até mesmo um discurso fúnebre pelo Coronel da aeronáutica John Stapp, um dos pioneiros que levaram ao programa espacial americano.