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Henry Howard Holmes: O castelo da morte do primeiro serial killer documentado dos EUA

O assassino sanguinário construiu quartos repletos de equipamentos para torturar suas vítimas

Fabio Previdelli Publicado em 08/05/2020, às 13h00

H.H. Holmes
H.H. Holmes - Getty Imagens

A Exposição Universal de 1893 em Chicago — conhecida na época como Exposição Colombiana — comemorou o 400º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas.

A enorme exibição contou com exposições incríveis, incluindo o primeiro automóvel movido à gasolina dos Estados Unidos, o quadriciclo Daimler e uma estátua da Vênus de Milo feita de chocolate.

Um esboço da abertura da Columbia Expedition de Chicago, também conhecida como feira mundial, em 1893 / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, o local onde aconteceu a exposição se tornou mais conhecido do que muitos imaginariam. Posteriormente, a área ficaria conhecida como o Castelo da Morte, lar de H.H, Holmes, o primeiro serial killer documentado da América.

Nascido em 1861, na cidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, Herman Mudget era considerado um dos melhores alunos da sala e, por conta disso, era um dos alvos preferidos dos chamados valentões.

Os bullies descobriram que ele tinha medo do médico da cidade. Para pregar uma peça no garoto, eles o obrigaram a invadir o laboratório do doutor e ficar frente a frente com um esqueleto. Ali nascia todo seu fascínio pela morte.

Em 1882, ele entrou na Universidade de Michigan, onde se formou em medicina. No seu período como estudante, trabalhou no laboratório de anatomia do lugar — foi nesse período em que ele conheceu o trabalho do Dr. Nahum Wight, um notável defensor da dissecação humana.

Além dessa experiência, Herman também tinha um jeito peculiar de ganhar dinheiro. Ele roubava cadáveres dos cemitérios locais e os vendia ilegalmente para sua faculdade. Além do mais, ele admitiu usar os corpos para fraudar empresas de seguro de vida.

Depois que se formou, Mudgett passou os anos seguintes vivendo como um andarilho, trocando constantemente de cidade, emprego e até mesmo de esposas. Ao se estabelecer em Illinois, em 1885, ele adotou o nome de Henry Howard Holmes — alcunha pela qual ficaria conhecido pelo resto de sua vida.

Lá, conseguiu um emprego em uma farmácia na 63rd Street, usando todo seu conhecimento em medicina e sua incrível capacidade de encantar todos aqueles que o conheceu.

Imagem de H.H. Holmes / Crédito: Getty Imagens

 

Holmes era o tipo de pessoa que sempre andava na moda, sua personalidade agradável e brilhante fazia dele um homem muito charmoso e atraente. Em um determinado ponto de sua vida ele chegou a se casar com três mulheres desconhecidas ao mesmo tempo.

Em contraponto de seus talentos notáveis, Holmes tinha fama de ser um péssimo pagador e isso fez com que ele fizesse sua primeira vítima fatal — justamente a dona da farmácia onde ele trabalhava. Com a morte do marido de Elizabeth S. Holton, a viúva foi convencida a vender seu negócio para ele. Porém, a falta de pagamento fez com que a senhora acionasse seus advogados. Logo depois, ela sumiu e nunca mais foi vista.

Em seguida, o rapaz dedicou-se a seu projeto mais ambicioso e magistral: um castelo. O gigantesco prédio de três andares seria construído em um terreno vazio que ele comprou do outro lado da rua onde ficava a farmácia.

O castelo da morte

A estrutura era feia e grande, contendo mais de 100 quartos e se estendendo por quase um quarteirão inteiro. Chicago era uma cidade em ascensão no final da década de 1880 e novas construções estavam surgindo por todo esse trecho do meio-oeste americano.

Uma das curiosidades da construção é que as equipes de engenheiros eram substituídas constantemente, a estratégia serviu para que somente Holmes soubesse cada detalhe da planta do local.

O primeiro andar era um bloco inteiro de fachadas de lojas, das quais ele poderia alugar para uma enxurrada de novos negócios que abririam na cidade. Já o terceiro andar conteria apartamentos para a crescente população da região — que sem saber, se tornariam vítimas de Holmes.

Alguns do quartos tinham paredes com divisórias falsas, já outros possuíam cinco portas (sendo que algumas davam de cara com uma parede de tijolos). Muitos dos recintos escondiam embaixo das tábuas do assoalho uma tubulação que levava os corpos até o porão — onde o homem dissecava, queimava e esfolava suas vítimas.

O Castelo de Homes / Crédito: Getty Imagens

 

Embora a mansão não tivesse uma aparência convidativa, as vítimas entravam lá por vontade própria. Muitas vezes eles eram funcionárias. Durante seus dois curtos anos no castelo, Holmes contratou mais de 150 mulheres para trabalhar como estenógrafos — elas eram seu alvo predileto.

A prisão do assassino

Apesar de ser acostumado em aplicar golpes, foi justamente em uma dessas fraudes que ele acabou preso. Na ocasião, ele tentava vender um cavalo do qual ele não era dono. No período de cárcere, conheceu o detento Marion Hedgepeth e em uma de suas conversas ele lhe confidenciou um de seus planos: forjaria a própria morte e ficaria com o dinheiro do seguro.

O detento lhe ajudou a encontrar um advogado que o ajudaria no golpe, mas como não foi recompensando pera valiosa dica, dedurou o plano para os policiais. Isso fez com que Holmes tivesse que alterar alguns pontos de seu projeto.

Uma ilustração de HH Holmes em um jornal da época / Crédito: Wikimedia Commons

 

No lugar de Holmes, que iria morrer seria Benjamin Pietzel — empreiteiro e um de seus principais comparsas. No entanto, ele aproveitou a ocasião e matou seu parceiro, além de três dos cinco filhos dele. Após a onda de assassinatos, ele fugiu com o dinheiro.

O fim de Holmes

Apesar de sair bem sucedido do plano, Holmes entrou na mira da polícia por conta da denúncia feita por Hedgepeth. As diversas investigações dos oficiais levaram ao paradeiro dele e, assim, finalmente ele confessou os 27 assassinatos que cometeu. Inclusive, a de Benjamin, foi fundamental para a sentença.

Apesar de ter confessado somente 27 crimes para os polícias, acredita-se que esse número possa ser muito maior, já que Holmes teria dito que fez por volta de 200 vítimas antes de ser enforcado em 7 de maio de 1896.

Antes de morrer, ele teria sugerido que estava se transformando no diabo. E esse estigma ganhou mais força após seu corpo cair ao solo. Seu pescoço não estalou como deveria e ele ficou se contorcendo por 20 minutos antes de ser declarado morto.

Além do mais, algumas pessoas envolvidas no caso tiveram um final trágico. O homem que inicialmente indicou a polícia para os negócios ilegais de H.H. Holmes foi baleado por um policial de Chicago. O diretor da prisão, onde ele foi mantido preso, se matou. O escritório do promotor público pegou fogo e o único item que sobreviveu intacto do incêndio foi uma foto de Holmes.

Artigo sobre o suicídio do zelador do castelo / Crédito: Wkimedia Commons

 

Até Patrick Quinlan — o ex-zelador do castelo que, depois de Holmes, sabia mais sobre o prédio assombrado — cometeu suicídio em 1914.


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