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Há 13 anos, Fidel Castro renunciava a presidência de Cuba

Afastado por problemas de saúde, a transição dos poderes do ditador para seu irmão, Raúl Castro, durou quase dois anos

Vinícius Buono Publicado em 31/07/2019, às 10h00

Fidel Castro
Fidel Castro - Reprodução

Há exatos 13 anos, o então presidente de Cuba, Fidel Castro, iniciava a transição dos poderes para o sucessor, seu irmão Raúl Castro.

Com 79 anos na época e no comando da ilha desde 1959, quando a Revolução Cubana (orquestrada por ele, Raúl e Che Guevara) venceu as forças do então ditador, o general Fulgencio Batista, Fidel teve problemas de saúde não divulgados pelo governo cubano. O que se sabe é que eram complicações gastrointestinais que foram tratadas após uma cirurgia. 

Fidel foi, por toda a sua vida e governo, um líder controverso. Para seus aliados e apoiadores, era um baluarte contra o imperialismo norte-americano no próprio quintal dos Estados Unidos. Para os dissidentes e críticos, era um ditador que mantinha o povo cubano sob seu punho de ferro, condenando-os a viver sem direitos básicos considerados inalienáveis, principalmente a liberdade.

Em 31 de julho de 2006, El Comandante, como era conhecido, anunciou em pronunciamento na televisão estatal cubana, por meio de seu secretário, que havia realizado uma operação e, por isso, estava fora de combate. Sem dar detalhes sobre sua condição, o comunicado também atestava a passagem de alguns dos poderes do cargo presidencial para seu irmão Raúl.

O processo inaugurou um período de sucessão que durou quase dois anos. Ficou evidente o estado de saúde do governante e, em decorrência disso, a sua incapacidade de seguir no comando da ilha. No final de 2007, deu a primeira declaração considerando a aposentadoria, alegando que "seu dever básico não consistia em se agarrar ao cargo".

No ano seguinte, Fidel anunciou que não se candidataria às eleições presidenciais de Cuba. Logo no início do ano, em fevereiro, Raúl Castro, já encarregado de diversas funções de chefe de Estado, foi eleito por unanimidade pela Assembleia Cubana.

Fidel Castro morreu oito anos depois, 2016, em decorrência da piora gradual do seu estado de saúde. A causa oficial nunca foi divulgada. Depois de 49 anos no cargo —inicialmente de Primeiro-Ministro, posteriormente de Presidente — foi o chefe de Estado mais longevo do século 20 (não pertencente a nenhuma família real).

Passou pela Guerra Fria, viu o fim da União Soviética e sobreviveu à inúmeras tentativas de assassinato por seus inimigos, principalmente a CIA e os EUA, motivo de grande orgulho para o ditador cubano.