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Como a homofobia causou a morte de Gabriel Fernandez, de 8 anos

O brutal crime foi orquestrado pela mãe e pelo padrasto do garoto, em 2013, nos Estados Unidos

Victória Gearini Publicado em 17/03/2020, às 21h28

Gabriel Fernandez, morto em 2013 pela mãe mãe e padrasto
Gabriel Fernandez, morto em 2013 pela mãe mãe e padrasto - Divulgação / Facebook

Gabriel Fernandez, um menino de apenas oito anos e de origem latina, foi brutalmente assassinado pela sua mãe e pelo seu padrasto, nos Estados Unidos, em 2013. Antes de vir a óbito, a criança foi torturada por horas, pois segundo os autores do crime ele seria homossexual.

Descrito como uma criança doce e amável, Gabriel sempre procurou o amor de seus familiares, mas teve uma infância muito difícil. Segundo parentes e amigos próximos, quando sua mãe Pearl Fernandez descobriu que estava grávida, se sentiu frustrada, mas foi convencida a levar a gravidez adiante. Ao nascer, o bebê foi abandonado no hospital, mas recebeu acolhimento de seus avós.

Ao longo da vida, Gabriel morou em diversos lares temporários, todos de parentes, até que em 2012 sua mãe decidiu levar o garoto para morar com o ela e com seu namorado, Isauro Aguirre. Algumas pessoas chegaram a acreditar, na época, que seu intuito era maternal e afetivo, mas mais tarde as autoridades descobriram que Pearl só acolheu o garoto para receber benefícios sociais do governo americano. 

Segundo os familiares, Gabriel era uma criança feliz e saudável no período em que morou com seus tios e avós. Com sete anos, o garoto foi morar no humilde apartamento de sua mãe, onde dividia espaço com mais dois irmãos menores de idade: Ezequiel e Virgínia.

Durante oito meses, Gabriel viveu um verdadeiro pesadelo e era agredido constantemente pela sua mãe. Devido a sua mudança de casa repentina, também foi obrigado a trocar de escola, onde conheceu a professora Jennifer Garcia. Desesperado pela situação que estava vivendo em casa e sem saber para quem pedir ajuda, acabou contando tudo que estava acontecendo para Garcia, que imediatamente tomou providências. 

Gabriel Fernandez, vítima de um brutal assassinato / Crédito: Divulgação 

 

Segundo a professora, Gabriel chegou a perguntar se era normal mães baterem em filhos, e se durante as agressões era normal sangrar. Preocupada, Garcia denunciou o caso para as autoridades e detalhou tudo o que a criança havia lhe contado. A partir disso, o caso passou a ser acompanhado pela assistente social Stefanie Rodriguez, que frequentemente visitava e telefonava para o garoto, mas nenhuma outra medida foi tomada.

Mesmo após a denúncia, Gabriel continuou sendo violentado. De acordo com colegas e a professora, constantemente a criança aparecia com o couro cabeludo machucado, lábios inchados, feridas no rosto e perfurações no corpo ocasionadas por tiros de pistola de ar comprimido.

Mais uma vez Garcia foi até as autoridades, e desta vez teve ajuda de familiares do garoto, que também estavam preocupados. Poucos dias antes do crime, policiais chegaram a visitar o local, mas nada fizeram. Tal negligência resultou em sua morte, aos 8 anos de idade.

No dia 22 de maio de 2013, Pearl Fernandez ligou para as autoridades afirmando que a criança não estava respirando. Ao chegar no local, a perícia identificou contusões na cabeça, costelas quebradas e partes da pele queimada, devido às cinzas de cigarro. A maior surpresa, no entanto, veio com a autópsia que constatou fezes de gato no estômago do garoto. 

De acordo com os irmãos da vítima, ele era obrigado a comer excrementos dos animais caso não cumprisse com suas tarefas. Os jovens disseram, ainda, que por diversas vezes Gabriel foi trancado em um móvel do seu quarto, onde não podia se alimentar ou ir ao banheiro. 

Ezequiel e Virgínia afirmaram que o irmão era constantemente espancado pelo padrasto, que utilizava palavras pejorativas e homofóbicas contra o garoto por suspeitar que ele fosse homossexual. O irmão mais velho revelou à polícia, também, que foi obrigado a bater no menino, pois segundo Isauro, Gabriel seria gay e isso justificaria a agressão.  

Durante o depoimento, Pearl e Isauro declararam que gostavam de espancar a criança por acharem que ela fosse gay. Mesmo após as afirmações que desejavam a morte de Gabriel, o advogado de defesa disse ao júri que os assassinos não tiveram a intenção de matar. 

No entanto, a Justiça condenou Isauro Aguirre à morte e, atualmente, o réu aguarda no corredor da morte. Já Pearl Fernandez se declarou culpada para evitar a cadeira elétrica e, com isso, isso foi sentenciada a prisão perpétua.

Cartaz da série documental The Trials of Gabriel Fernandez / Crédito: Divulgação / Netflix

 

Além do casal, as assistentes sociais Stefanie Rodriguez e Patricia Clement e os supervisores Gregory Merritt e Kevin Bom foram acusados pelo crime, por abuso infantil e falsificação de registros públicos em 2017, mas pouco tempo depois foram absolvidos das acusações criminais. 

Recentemente, a plataforma de streaming Netflix lançou a série documental The Trials of Gabriel Fernandez, em que conta em detalhes a trajetória da vida de Gabriel Fernandez e explica como a homofobia de seus pais levou a sua morte.


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