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Da riqueza à reclusão: Ida Mayfield Wood, a socialite que se isolou em um quarto de hotel durante 24 anos

A mulher, que acumulou milhões com a venda de sua empresa, teve uma vida digna de um roteiro de Hollywood

Nicoli Raveli Publicado em 21/03/2020, às 09h00

Ilustração de Ida Wood
Ilustração de Ida Wood - Divulgação

Ida Mayfield Wood foi a terceira esposa de Benjamin Wood, o famoso político e editor de jornais. A mulher foi para Nova York aos 19 anos de idade, quando conheceu o futuro marido que, na época, era casado, mas isso não impediu que os dois trocassem cartas de amor e se tornassem amantes. Mais tarde, eles tiveram uma filha, Emma. Para não levantar suspeitas, Ida sempre afirmava que a garota era fruto de seu relacionamento passageiro.

Seu marido sempre obteve grande destaque, já que era o editor do New York Daily News. Após a morte de sua segunda esposa, ele assumiu o relacionamento com Mayfield e ela ganhou espaço na elite da cidade. Benjamin, no entanto, era viciado em apostas e, devido a isso, não tinha cuidado com seu dinheiro.

Por outro lado, Ida era controladora e fazia com que o homem dividisse seus ganhos com ela. Dessa maneira, ela guardou grande parte da riqueza. Em 1990, o inevitável aconteceu: o editor morreu e ela ficou com todo seu dinheiro.

Ilustração de Bejamin Wood / Crédito: Wikimedia Commons

 

 

Wood, a viúva

Durante alguns meses, a própria mulher cuidou da edição e publicação dos jornais, arrecadando aproximadamente 300 mil dólares. No entanto, em 1907, ela decidiu fechar sua conta bancária e foi com sua filha e irmã, Mary Mayfield, até o hotel Herald Square, onde solicitaram dois quartos. Desde então, ficaram reclusas por décadas.

Ida nunca imaginou que voltaria a ter contato com o mundo exterior. Todavia, em 1931, quando tinha 93 anos, foi obrigada a abrir a porta do quarto de hotel pela primeira vez. Pelos corredores, ela corria e pedia ajuda desesperadamente: sua irmã estava morrendo. De imaediato, a família recebeu a ajuda de uma camareira, enquanto Mary estava no sofá enrolada em um lençol.

hotel Herald Square / Crédito: Divulgação

 

Naquele momento, o gerente do estabelecimento e um médico foram até o local. Minutos depois, um agente funerário, acompanhado de dois advogados, chegaram no hotel. O dono informou que, durante sete anos, nunca havia conversado com Wood ou sua irmã falecida.

O único registro que o local possuía era sobre o dia da entrada da família, quando Ida chegou acompanhada da filha e de sua irmã. Emma, no entanto, morreu em 1928 em um hospital. De acordo com os funcionários do hotel, ninguém teve contato com as irmãs.

Enquanto o corpo da mulher era retirado do local, Ida não parava de conversar com as pessoas que estavam em seu apartamento. Em detalhes, ela contou sobre sua vida e também sobre o falecido marido.

Foi quando o advogado O’Brien ligou para seu pai, que confirmou a história que a mulher havia contado. Além disso, o idoso afirmou que conheceu Ida na década de 1880, e incentivou o filho a aceitar o caso.

Ao examinar o passado da editora, o profissional descobriu que Wood havia vendido a empresa em 1901, apenas um ano depois da morte do marido. Um conhecido da família afirmou que, além do dinheiro que recebeu com a venda de seu negócio, Ida se livrou de todos os bens que adquiriu com o passar dos anos.

Um oficial da Guaranty Trust Company também informou que lembra-se de vê-la no banco em 1907, e ela aparentava estar em pânico. No dia, ela exigiu o encerramento de sua conta, tirando o dinheiro do banco.

Ao alegar que estava cansada, ela passou a morar no hotel e manteve distância de tudo que lembrava sua antiga vida. Diante tais informações, a empresa contratou mais dois detetives particulares para vigiá-la o tempo todo.

Embora os envolvidos ficassem longe dos jornalistas, a notícia logo se espalhou. Foi quando Otis Wood indentificou-se como sobrinho de Ida e ofereceu ajuda.

Investigações

Ela recebeu ajuda de duas enfermeiras e foi transferida para outro quarto contra sua vontade, já que o seu estava completamente sujo e desarrumado, com roupas e comidas por toda parte. Sua antiga suíte foi organizada e analisada, e os investigadores encontraram mais de 240 mil dólares dentro de uma caixa de sapatos. Mais tarde, uma das enfermeiras encontrou mais 500 mil dólares em um dos vestidos da mulher, além de joias.

Todos os achados foram levados ao Banco Nacional Harriman e colocados em cofres. Durante todo o tempo, Ida se mostrou teimosa. Durante a investigação, aproveitou que as enfermeiras estavam distraídas e foi até uma janela aberta, onde gritou por socorro, alegando que era uma prisioneira.

Quanto mais sua história ficava famosa, mais herdeiros apareciam. No total, foram 406. Naquela altura, ela também já esperava pela morte. O dia 12 de março de 1932 ficou marcado por seu falecimento e também pela descoberta dos advogados. Seu pai, na verdade, não era Henry Mayfield e sua mãe cresceu nas favelas de Dublin. Além disso, seu nome era Ellen Walsh, mas ela decidiu trocar para Ida Mayfield. 

Túmulo de Ida Wood / Crédito: Divulgação

 

Entretanto, o mais surpreendente foi a descoberta sobre Emma que, na verdade, não era sua filha, mas outra irmã. A morte de Mary nunca foi solucionada, entretanto, a vida de Wood voltou a fazer parte dos noticiários após 24 anos de reclusão.


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