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O prepúcio sagrado de Jesus Cristo

E outros cinco órgãos humanos que viraram relíquias sagradas

quarta 9 janeiro, 2019
O quadro 'Circuncisão de Jesus' por Friedrich Herlin
O quadro 'Circuncisão de Jesus' por Friedrich Herlin Foto:Reprodução

De acordo com a Bíblia, Jesus ressuscitou dos mortos e subiu aos céus. Por isso, ele não deixou na Terra evidências físicas de sua existência. 

Ou deixou? Durante a Idade Média, fiéis veneraram vidrinhos com sangue, lágrimas e suor que teriam sido recolhidos de Cristo. Mas o “Santo Graal” dessas relíquias era um órgão do corpo: o prepúcio, a pele que recobre o pênis. Segundo os evangelhos, ele perdeu essa parte aos 8 dias de vida, ao ser circuncidado conforme a religião judaica. 

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Até o final do século 20, a relíquia atraiu peregrinos para a vila de Calcata, Itália, a 30 quilômetros de Roma. A peça ficava em uma caixa de sapatos na casa do padre local, Dario Magnoni. Todo dia 10 de janeiro, era colocada dentro de um relicário e exibida aos fiéis. 

Até 1983: segundo o padre, uma noite ele encontrou o quarto arrombado e a caixa vazia. Mais de três décadas depois, o caso permanece sem solução. Entre os suspeitos do roubo estão sociedades secretas, seitas satânicas e o próprio Vaticano.

Por seis anos, o jornalista americano David Farley procurou este que seria o único pedaço do corpo do filho de Deus. Não achou, mas contou a aventura no livro An Irreverent Curiosity (“Uma Curiosidade Irreverente”). 

Relíquias não são novidade na história da Igreja Católica, mas elas ficaram muito mais importantes durante a Idade Média. Nessa época, os teólogos lembraram que o Evangelho de São Lucas mencionava a circuncisão do messias e que, segundo os evangelhos apócrifos, o pedaço de pele foi conservado em um jarro com essências aromáticas. De repente, o santo prepúcio apareceu em 18 cidades da Europa – a vila francesa de Auverne chegou a possuir dois simultaneamente. Nenhum, no entanto, tinha o prestígio do de Calcata.

Entregue por um anjo ao imperador Carlos Magno, a relíquia foi dada mais tarde de presente ao papa Inocêncio III, no ano 800. Quando Roma foi pilhada, em 1527, ela sumiu, para reaparecer 30 anos depois, em Calcata. 

Farley não resolveu o caso. Mas, acredita, o maior suspeito do roubo é o padre Magnoni, que teria levado o prepúcio para o Vaticano. Nem ele nem  a Igreja comentam o caso.


Museus e igrejas também preservam ossos, dentes e dedos de figuras religiosas

1. Língua viva

A língua de Santo Antonio Basílica de Santo Antonio de Pádua

Trinta anos depois da morte de Santo Antônio de Pádua (1195-1231), sua tumba foi aberta. O corpo estava deteriorado, mas a língua permanecia intacta. Ainda hoje, fiéis visitam o relicário que contém a língua sagrada na Basílica de Santo Antônio em Pádua, na Itália

2. Sangue milagroso

Papa Francisco segura o relicário com o sangue de São Januário Reprodução

Um relicário com sangue de São Januário (?-305) causa espanto. Desde 1389, em intervalos regulares, o conteúdo, que se encontra em estado sólido, se liquefaz. Cientistas acham que o sangue deve estar misturado com algum composto que derrete no calor.

3. Mão santa

A mão do Santo Estevão exposta Basílica de Santo Estevão

Quando, em 1083, a Igreja desenterrou Santo Estevão da Hungria (975-1038) para dar início ao processo de beatificação, os padres perceberam que a mão direita estava inteirinha. Escura e bastante ressecada, ela continua recebendo fiéis na Basílica de Santo Estevão, em Budapeste.

4. Corpo incorrupto

O corpo de Santo Antonio de Florença no caixão de vidro Reprodução

Santo Antonino de Florença (1389-1459) passou a vida ajudando os pobres. Em 1559, seu corpo foi desenterrado, e os fiéis perceberam que ele não tinha apodrecido nada. Incorrupto até hoje, o santo é mantido em um caixão de vidro em uma igreja de Florença.

5. Santa decapitada

A cabeça decapitada de Catarina Siena Reprodução

Assim que Catarina de Siena (1347-1380) morreu, os fiéis italianos brigaram por seu corpo. Acabaram encontrando uma solução bizarra: os moradores de Siena deceparam a cabeça e o dedão da mão direita. O pé direito foi parar em Veneza. E o resto repousa em Roma.


Saiba mais

An Irreverent Curiosity: In Search of the Church's Strangest Relic in Italy's Oddest Town, David Farley, 2009

Álvaro Oppermann


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