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Joana de Leeds, a freira que fingiu a própria morte para fugir do convento

Usando de táticas extremas, a religiosa elaborou um enterro fictício para viver outra vida no século 14

Joseane Pereira Publicado em 01/02/2020, às 08h00

Foto meramente ilustrativa de Edmund Blair Leighton
Foto meramente ilustrativa de Edmund Blair Leighton - Getty Images

Um evento curioso ronda a história de uma freira do século 14. Joana de Leeds, que vivia reclusa na casa de St. Clement em York, forjou o próprio enterro para fugir de seu convento e desfrutar de outra vida.

O esquema da freira ficou registrado em uma carta do Arcebispo de York, traduzida por pesquisadores do Instituto de Arquivos Borthwick da Universidade de York, Reino Unido. O arcebispo William Melton demonstrou grande desaprovação pela empreitada de Leeds, em seu livro datado de 1318.

Segundo ele, “Tendo fingido sua morte e, de uma maneira astuta e nefasta, dado as costas à observância da religião que ela anteriormente professava, e dando as costas à decência e ao bem da religião, seduzida pela indecência, ela perverteu seu caminho da vida de maneira arrogante para o caminho da luxúria carnal e para longe da pobreza e da obediência”.

Registro escrito de Joana de Leeds / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para realizar seu intento, Leeds teria fingido estar gravemente doente. Com ajuda de colegas do convento beneditino, ela enterrou um boneco no espaço sagrado e acabou por enganar muitas pessoas.

Apesar de o arcebispo afirmar que sua fuga se deu por “desejos carnais”, não se sabe ao certo o que causou o plano. “As mulheres costumavam entrar em conventos na adolescência, e tais mudanças de coração em relação à sua vocação não eram incomuns”, afirmou a historiadora da Universidade de York, Sarah Rees Jones.

Na época medieval, casos de freiras fugitivas eram bem conhecidos. Segundo Jones, sobreviver naquela época era algo difícil, e entrar para o celibato era garantia de sempre ter um lugar para viver.“Da arqueologia, podemos dizer que as pessoas que moram em casas religiosas, mesmo pequenas como a de Joana de Leeds, provavelmente tinham, em média, um padrão de vida melhor do que as pessoas comuns fora da vida religiosa”, afirmou a pesquisadora Jones.


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