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John C. Woods, o carrasco que enforcou comparsas do Terceiro Reich por prazer

Após os Julgamentos de Nuremberg, o estadunidense foi responsável por executar dez colaboradores de Hitler; mas ele fez com que seus enforcamentos resultassem em lentas e agonizantes mortes

Isabela Barreiros Publicado em 04/02/2020, às 14h35

John C. Woods
John C. Woods - Wikimedia Commons

Após os diversos e atrozes crimes contra a humanidade ocorridos durante o regime nazista, com o inevitável fim da guerra e a invasão de Berlim, foi instaurado um tribunal de exceção para julgar os oficiais responsáveis pelos horrores Holocausto.

Organizados pelos Aliados, esses tribunais foram palco do sentenciamento de 24 líderes alemães pelo Tribunal Militar Internacional, em novembro de 1945 até o ano seguinte, em Nuremberg, Alemanha. Os Julgamentos de Nuremberg ocorreram entre 20 de novembro de 1945 e 1 de outubro de 1946 e dez representantes do Partido Nazista foram enforcados, sem grandes cerimônias.

John C. Woods, sargento-mestre do Exército dos Estados Unidos, e o carrasco das Forças Armadas dos EUA, Joseph Malta, foram os responsáveis por enforcar os nazistas condenados à morte devido a seus crimes contra a humanidade.

Os Julgamentos de Nuremberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

Martin Bormann, Hans Frank, Wilhelm Frick, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunner, Wilhelm Keitel, Joachim von Ribbentrop, Alfred Rosenberg, Fritz Sauckel e Arthur Seyss-Inquart foram enforcados pelos carrascos, e outros tiveram penas menores, como prisão perpétua, como Walther Funk, Ministro da Economia, por exemplo, ou de alguns anos, como a pena de 20 anos do arquiteto nazista Albert Speer.

Hermann Göring, Comandante da Luftwaffe, responsável por missões aéreas da Alemanha Nazista, também foi um dos que deveriam ter sido assassinados naquele dia. No entanto, ele cometeu suicídio um dia antes, ingerindo uma cápsula de cianeto e falecendo dentro de sua cela.

Os Julgamentos de Nuremberg são processualmente polêmicos para os especialistas em direito. Isso porque como tribunal de exceção, estes não poderiam acabar com condenação à morte, no máximo à prisão, segundo o consenso internacional. No entanto, os vencedores da Guerra estabeleceram as próprias regras na análise dos casos nazistas.

Segundo a revista estadunidense TIME, o sargento John C. Woods não se sentiu incomodado com a tarefa que foi designada a ele.

“Pendurei aqueles dez nazistas e tenho orgulho disso. Não estava nervoso, um sujeito não pode se dar ao luxo de ter nervos neste negócio. Da maneira como vejo esse trabalho, alguém tem que fazê-lo. Eu entrei nisso por acidente, anos atrás nos Estados Unidos”, disse Woods à TIME após os julgamentos.

Os Julgamentos de Nuremberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ele até mesmo teria demorado intencionalmente em seu dever para que pudesse aumentar o sofrimento dos nazistas. Ao “estragar” deliberadamente as execuções por enforcamento, os membros do Partido Nazistas condenados passaram mais tempo agonizando antes de morrerem.

Depois de o processo ter terminado, percebeu-se que muitos dos dez homens que haviam sido mortos não estavam com os pescoços quebrados. Essa, na verdade, deveria ser a consequência de um assassinado que tivesse como método pendurar pessoas pelo pescoço com uma corda.

Wilhelm Keitel, chefe do OKW, responsável pelo planejamento das Forças Armadas da Alemanha Nazista, teve uma morte, no mínimo, extensa. Acredita-se que ele tenha demorado por volta de 30 minutos do momento em que a corda foi colocada até o momento em que ele parou de respirar, resultando em um doloroso e demorado óbito.

É por isso que se assume que Woods, muito mais que ruim no seu trabalho, deliberadamente fazia com que tais demoras acontecessem. Ele sentia que os nazistas deveriam sofrer pelo que tinham feito em vida, terminando-as por meio de assassinatos lentos e torturantes.  


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