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José Ramos, o ex-policial que transformava suas vítimas em linguiça no século 19

Os crimes na Rua do Arvoredo apavoraram os moradores de Porto Alegre, em meados de 1863

Daniela Bazi Publicado em 22/02/2020, às 12h00 - Atualizado às 18h12

José Ramos e sua namorada Catarina Paulsen
José Ramos e sua namorada Catarina Paulsen - Domínio Público

No século 19, em Santa Catarina, o catarinense José Ramos fez parte de alguns dos assassinatos mais brutais na história do Brasil. Quando ainda era jovem, ele teria assassinado seu pai enquanto defendia sua mãe de ser violentada fisicamente pelo mesmo.

Logo após, se mudou para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e se tornou um rígido policial. Entretanto, acabou sendo exonerado por ser pego no flagra tentando degolar o famoso bandido Domingos José da Costa, e passou a atuar apenas como informante da polícia.

Seus crimes começaram no ano de 1863, junto de sua namorada na época, a húngara Catarina Paulsen. Eles costumavam frequentar lugares públicos famosos, e procuravam por homens ricos, de preferência estrangeiros, que a mulher pudesse seduzir, já que não falava português.

Quando conseguiam suas vítimas, elas eram atraídas até a casa de seu cúmplice, o açougueiro Carlos Claussner, na Rua do Arvoredo. Chegando lá, José era o responsável por roubar seus pertences, antes de matá-las, as degolando, esquartejando e descarnando.

Para conseguirem encobrir os crimes, Carlos teria sugerido para que transformassem as carnes das pessoas mortas em linguiças, que passariam a ser vendidas no açougue do homem.

Sendo assim, após os assassinatos, Ramos levava os pedaços dos corpos em um carrinho até o estabelecimento de Claussner, que as preparava, temperava e misturava com carne bovina antes de colocá-las à venda. O trio de criminosos, no entanto, não comia nada do que produziam, e acabavam queimando os ossos e outros restos mortais.

Rua do Arvoredo / Crédito: Domínio Público

 

Em agosto do mesmo ano, inúmeros desaparecimentos começaram a ser relatados pela cidade, deixando a população e as autoridades em alerta. Assustado com a situação, Carlos teria dito que não estava feliz e queria se mudar para o Uruguai.

Com medo de que o cumplice fizesse algo que os incriminasse, José acabou matando o parceiro e o enterrou no quintal do próprio açougue, e tomou posse junto de Catarina das propriedades do homem. Quando eram perguntados sobre o que aconteceu, apenas respondiam que haviam comprado tanto a casa quanto a loja.

Após o assassinato de Claussner, o negócio de linguiças humanas foi por água abaixo já que nenhum dos dois tinha a habilidade de fabricá-las. Em 1864, a polícia começou a suspeitar do casal após o desaparecimento do caixeiro-viajante José Ignacio de Souza Ávila, e do comerciante português Januário Martins Ramos da Silva, que haviam sido vistos na casa deles na noite anterior.

Ramos e Paulsen foram convocados para prestar depoimento, mas não conseguiram convencer o delegado de que eram inocentes. Com isso, no dia seguinte, a polícia foi realizar uma revista na residência e acabou encontrando várias provas dos crimes cometidos.

Catarina, que já havia sido presa outras vezes, acabou confessando tudo. Em 1864, a mulher foi condenada a 13 anos com trabalhos forçados, e José acabou sendo sentenciado à morte por enforcamento, que acabou sendo mudada para prisão perpétua.

O homem negou todos os seus crimes até sua morte, em 1893, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Já Paulsen, acabou sendo liberada após cumprir sua sentença, em 6 de maio de 1891. Apesar das crueldades dos crimes, eles só tiveram grande repercussão na mídia internacional, mas não na brasileira.


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