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Os últimos momentos de Mengele, o Anjo da Morte de Auschwitz, no Brasil

O médico mais infame da humanidade passou seus últimos dias no litoral paulista

Victória Gearini Publicado em 25/09/2019, às 15h50

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Poucos sabem, mas Josef Mengele, mais conhecido como o Anjo da Morte, passou seus últimos dias de vida no Brasil. Mengele foi o médico responsável por fazer experimentos insólitos em judeus nos campos de concentração. E encontraria um destino final insólito.

No fim da tarde do dia 7 de fevereiro de 1979, o ex-cabo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Espedito Dias Romão afirmou ter recebido uma ligação informando que um corpo havia sido encontrado na cidade de Bertioga, localizada no litoral de São Paulo. Ele conta ainda que ao chegar no local da ocorrência, notou que havia uma pequena aglomeração na areia.

“Quando cheguei, o corpo estava estirado na faixa de areia. Tudo indicava que ele foi retirado do mar já sem vida. Era um senhor branco e de bigode, e que não apresentava sinais de afogamento comuns, como vômito, e água expelida pelas laterais e pela boca. Fui levado a pensar que se tratava de um caso de mal súbito”, afirma o ex-cabo.

Josef Mengele (1911-1979) / Crédito: Hadding Scott

 

Foram anos de pesquisas até descobrirem a sua verdadeira identidade. Descobriram que na época Mengele utilizava o nome falso de Wolfgang Gerhard, com o intuito de despistar as autoridades. Os documentos levantados sobre Wolfgang informavam que se tratava de um senhor viúvo, com 54 anos de idade, técnico mecânico e que residia no Brooklin, em São Paulo. 

“Segundo apurado entre as testemunhas, a vítima banhava-se no mar, sentiu-se mal, vindo a perecer afogada, embora socorrida por populares”, afirma uma cópia do documento publicada pelo o EL PAÍS.

Mengele foi um dos mais famosos médicos de Auschwitz e capitão SS (força nazista). Ele foi responsável por experimentos cruéis em outros seres humanos, principalmente em crianças gêmeas (judias) e ciganas. Além disso, o nazista selecionava os prisioneiros para o trabalho escravo e escolheia aqueles que iriam morrer nas câmeras de gás.

À esquerda, Josef Mengele / Crédito: Universal History Archive e Getty Images

 

O ex-cabo da PM disse que Mengele estava acompanhado no passeio pelo casal austríaco, Wolfram e Liselotte Bossert, os quais dividia uma casa de temporada. Liselotte foi processada em 1985 por falsidade ideológica e Wolfram foi apontado como um ex-oficial do Exército nazista. Espedito Dias Romão disse ainda que o Anjo da Morte já teria passado por outros países da América Latina, como a Argentina e almejava os Estados Unidos.

“O Wolfram Bossert acabou sendo levado para o pronto socorro por conta do esforço para tirar o Wolfgang da água. E ele tinha uma estrutura óssea bastante forte”, explica Dias. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Santos, mas até os dias atuais a causa oficial de sua morte continua sem explicação.

Dias comenta que o acontecimento alterou a rotina de Bertioga. “A cidade, que era mais tranquila, pacata, sofreu um impacto muito grande”, diz. Na época, o local atraiu a atenção da mídia e de diversas pessoas em buscas de repostas.

O Anjo da Morte passou seus últimos dias no Brasil e foi enterrado no cemitério do Rosário, na cidade de Embu, localizada na região metropolitana de São Paulo.