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Joseph Goebbels, idealizador da propaganda do Terceiro Reich e fiel aliado do Führer

Principal responsável por perpetuar a imagem do ditador alemão, Goebbels permaneceu ao lado de Hitler até o final

Fabio Previdelli Publicado em 01/05/2020, às 06h00

Joseph Goebbels em encontro com Adolf Hitler
Joseph Goebbels em encontro com Adolf Hitler - Getty Images

Em 1933, ano em que Adolf Hitler se tornou chanceler da Alemanha, ele nomeou Joseph Goebbels, seu amigo e homem de confiança, para exercer o cargo de ministro da Propaganda. No cargo, Goebbels seria encarregado de apresentar conectar Hitler ao povo da maneira mais favorável possível para o Führer. Assim, ele regulamentou todo o conteúdo da mídia alemã e fomentou o antissemitismo.

Goebbels foi responsável por forçar a demissão de artistas judeus, músicos, atores, diretores e editores de jornais e revistas. Ele também ordenou uma queima pública de livros considerados “não alemães”.

Em sua função, Goebbels liderou a produção de filmes e propagandas com o ideal nazista. Ele permaneceu no cargo e permaneceu fiel ao ditador nazista até o dia de seu suicídio, em 30 de abril de 1945.

Os primeiros anos de Joseph Goebbels

Nascido em 29 de outubro de 1987, em Rheydet, uma cidade industrial alemã localizada da Renânia, Paul Joseph Goebbels era o mais velho entre os seis filhos de Friederich e Katharina, um modesto casal católico romano.

O pequeno Goebbels sofria com alguns problemas de saúde, o que incluiu um longo período de inflamação pulmonar. Ele também tinha uma deformidade congênita no pé direito — era mais grosso e mais curto que o esquerdo. Este seria o motivo para ele ser dispensado, anos mais tarde, do serviço no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial.

Joseph Goebbels durante discurso / Crédito: Getty Images

 

Em vez disso, ele se dedicou aos estudos e estudou em diversas universidades da Alemanha. Se tornando doutor em filologia alemã pela Universidade de Heidelberg, em 1921. Apesar da qualidade curricular que tinha, ele não conseguiu se estabelecer em uma carreira como jornalista, romancista e dramaturgo.

Assim, na primeira metade da década de 1920, Goebbels se torna membro do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o partido nazista. Nesse período, ele acaba se familiarizando com o líder da organização, Adolf Hitler.

Contextualização histórica: naquela época, a inflação havia destruído a economia alemã. Além do mais, a moral da população estava baixa devido a derrota na Primeira Guerra Mundial. Assim, Hitler e Goebbels acreditavam que as palavras e as imagens eram dispositivos importantes que poderiam ser usados para explorar esse descontentamento.

Hitler ficou impressionado com a capacidade que Goebbels tinha em se comunicar o que pensava através de sua escrita. Ao mesmo tempo, Goebbels admirava a maneira que Hitler discursava e se impunha diante das grandes multidões, e também do modo que ele empregava palavras e gestos para aflorar o orgulho nacionalista alemão.


A ascensão de Goebbels no Partido Nazista

Goebbels rapidamente subiu fileiras dentro do Partido Nazista. Para isso, ele deixou de apoiar Gregor Strasser para se subverter ao conservadorismo de Hitler. Então, em 1926, ele se tornou um líder do distrito partidário em Berlim.

No ano seguinte, ele passou a escrever comentários no Der Angriff, um jornal semanal que defendia o ideal nazista. Em 1928, Goebbels foi eleito para o Reichstag, o parlamento alemão. Hitler o nomeou diretor de propaganda do Partido Nazista.

Fotografia de Joseph Goebbels / Crédito: Getty Images

 

Nessa função, ele começou a formular a estratégia que moldou o mito de Hitler com um líder brilhante e decisivo. Ele organizou grandes reuniões políticas nas quais Hitler foi apresentado como o salvador de uma nova Alemanha.

Em um golpe de mestre, Goebbels supervisionou a colocação de câmeras e microfones de filme em locais essenciais para acentuar a imagem e a voz de Hitler. Tais eventos e manobras tiveram um papel central em convencer o povo alemão de que seu país só recuperaria sua honra dando apoio inabalável a Hitler.


Joseph Goebbels: o Ministro da Propaganda de Hitler

Em janeiro de 1933, Hitler se tornou chanceler alemão e, em março daquele ano, o Führer nomeou Goebbels como ministro da Propaganda do país. Com a função, ele tinha jurisdição completa sobre os conteúdos de jornais, revistas, livros, músicas, filmes, peças de teatro, programas de rádio e até mesmo nas artes plásticas.

Sua missão era censurar toda a oposição a Hitler e apresentar o chanceler e o Partido Nazista da maneira mais positiva possível, enquanto despertava ódio pelo povo judeu. No mês seguinte, em abril de 1933, sob a ordem de Hitler, Goebbels orquestrou um boicote às empresas judaicas.

Já em maio, ele foi a mente por trás na queima dos livros “não alemães” em uma cerimônia pública na Ópera de Berlim. As obras de dezenas de escritores foram destruídas, incluindo autores alemães Erich Maria Remarque, Arnold Zweig, Thomas Mann, Albert Einstein e Heinrich Mann, e não-alemães como Émile Zola, Helen Keller, Marcel Proust, Upton Sinclair, Sigmund Freud, H.G Wells, Jack London  e André Gide.

Joseph Goebbels e Adolf Hitler sendo saudados por alguns nazistas / Crédito: Getty Images

 

Em setembro de 1933, Goebbels tornou-se diretor da recém-criada Câmara de Cultura do Reich, cuja missão era controlar todos os aspectos das artes criativas. Uma ramificação da formação da câmara foi o desemprego forçado de todos os artistas criativos judeus, incluindo escritores, músicos e atores e diretores de teatro e cinema.

Como os nazistas viam a arte moderna como imoral, Goebbels instruiu que toda essa arte “decadente” fosse confiscada e substituída por obras com conteúdo mais representacional e sentimental. Então, em outubro, foi aprovada a Lei da Imprensa do Reich, que ordenou a remoção de todos os editores judeus e não nazistas dos jornais e revistas alemães.

A função de Goebbels na Segunda Guerra

Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, foi confiada a Goebbels a tarefa de elevar o espírito do povo alemão e empregar a mídia — mais especificamente o cinema — para convencer a população a apoiar o esforço de guerra.

Joseph Goebbels discursando / Crédito: Getty Images

 

Um projeto que ele iniciou foi o "Der ewige Jude", conhecido como "O Eterno Judeu", um filme propaganda que ostensivamente representava a história dos judeus. Na produção, no entanto, os judeus são retratados como parasitas que perturbam um mundo arrumado.

Goebbels também orquestrou a produção “Jude Süs”, um longa-metragem que descreve a vida de Josef Süss Oppenheimer, um judeu que trabalhava como consultou financeiro que era responsável por cobrar impostos para o duque Karl Alexander de Württemberg, governante do Ducado de Württemberg no início do século 18. Após a morte repentina do duque, Oppenheimer foi julgado e executado.


O início da derrocada nazista

Em 1942, Goebbels organizou “O Paraíso Soviético”, uma produção propagandística nazista que foi exibida em Berlim. Seu objetivo era reforçar a resolução do povo alemão, expondo a trapaça dos bolcheviques judeus. Em 18 de maio, Herbert Baum ,um líder da Resistência Judaica-Alemã de Berlim, e seus cúmplices demoliram parcialmente a exposição, colocando-a em chamas.

Joseph Goebbels e Adolf Hitler na chancelaria do Reich / Crédito: Getty Images

 

Goebbels recusou-se a permitir que esse ato fosse divulgado na mídia alemã. No entanto, Baum e seu pequeno, mas determinado grupo, conseguiram dar um golpe psicológico considerável em Goebbels e sua máquina de propaganda nazista.


Josef Goebbels e seus anos finais

À medida que a guerra avançava e as baixas alemãs aumentavam, Goebbels tornou-se um defensor de uma batalha total até a morte contra as forças aliadas. Nesse sentido, ele empregou suas próprias habilidades como orador público para incitar ainda mais a população alemã.

Em uma ocasião, em agosto de 1944, falando no Palácio do Esporte em Berlim, ele ordenou ao povo alemão que apoiasse um esforço total de guerra. Se a Alemanha estava destinada a perder a guerra, ele argumentou, era apropriado que a nação e o povo alemães fossem destruídos.

Entre 1944 e 1945, a derrota alemã se aproximava, uma derrota era quase inevitável para o regime nazista. Enquanto outros chefes alemães entraram em contato com os Aliados na esperança de negociar um tratamento brando após a rendição alemã, Goebbels permaneceu firmemente fiel a Hitler.

Nos últimos dias de abril de 1945, quando as tropas soviéticas adentravam Berlim, Hitler permaneceu escondido em seu bunker. Goebbels era o único oficial nazista a seu lado. No trigésimo dia daquele mês, o führer cometeu suicídio, aos 56 anos e Joseph Goebbels o substituiu como chanceler da Alemanha.

Joseph Goebbels co0m sua esposa e três de seus filhos / Crédito: Getty Images

 

Entretanto, o mandato de Goebbels durou pouco. No dia seguinte, ele e sua esposa, Magda, envenenaram seus seis filhos. Após isso, o casal tirou sua própria vida. Existem várias versões de como isso aconteceu: uma mais popular diz que o chanceler matou sua esposa e depois tirou sua própria vida; em outra, eles supostamente teriam adotado a mesma técnica de Hitler e Eva Braun, ingerindo comprimidos de cianeto e, logo em seguida, deram-lhes um tiro fatal na têmpora.


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