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KKK: O que significa Ku Klux Klan?

Grupo racista surgiu como subproduto da guerra civil dos EUA e chegou a 4 milhões de adeptos

Izabel Duva Rapoport Publicado em 13/09/2019, às 05h00

Membros da Klu Klux Klan queimando uma cruz
Membros da Klu Klux Klan queimando uma cruz - Getty Images

Numa madrugada fria de 1866, seis oficiais do antigo Exército Confederado do sul dos Estados Unidos fundaram um clube social em Pulaski, no Tennessee. Vestiram lençóis brancos e saíram de casa para perseguir e assustar os negros que viviam nas fazendas locais.

Era o início da Ku Klux Klan, uma sociedade secreta que nasceu como um subproduto da Guerra Civil Americana (1861-1865), iniciada pelos estados do sul do país, inconformados com o fim da escravidão. A luta terminou com a vitória da União sobre os insurgentes.

Em um ano, o sexteto virou uma organização com mais de meio milhão de pessoas que viviam nas redondezas, e a perseguição aos negros, cada vez mais violentas, foram ganhando força e motivação política.

O objetivo era claro: impedir a ascensão social dos escravos recém-libertos, como queriam os estados do norte – lá, os negros já tinham alguns direitos, como o de votar, por exemplo. E o crescimento da Klan era uma reação de ódio ao projeto do governo chamado Reconstrução, que integraria a população negra à sociedade.

Esse rancor, aliás, está no nome: Ku Klux vem da palavra grega kyklos, que significa círculo e representa unidade. Klan foi acrescentado porque, além de melhorar a sonoridade do nome, remetia aos tradicionais clãs familiares da região, confirmando a segregação.

Por quase duas décadas, esta comunidade de supremacia branca aterrorizou os negros, cometendo atrocidades e atos covardes como atear fogo a casas e promover espancamentos que, não raro, terminavam em morte. Até que, em 1882, a Suprema Corte do país declarou a associação ilegal.

No entanto, ela continuou clandestina e, em 1915, ressurgiu com toda força no estado da Georgia, com alvos ampliados: judeus, católicos e imigrantes também eram perseguidos. E agora, além da bata e do capuz triangular, uma cruz em chamas tornava-se símbolo da organização, que chegou a ter 4 milhões de associados.

Após a Grande Depressão de 1929, o grupo perdeu força novamente, mas voltou à tona em 1960 para combater movimentos que pregavam a igualdade racial. Hoje, vem perdendo adeptos para grupos neonazistas, mas mantém seu status como a pioneira do supremacismo branco.