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Klester Cavalcanti: o jornalista brasileiro que foi torturado na Guerra da Síria

Durante seis dias o correspondente foi humilhado e agredido por forças de Bashar al-Assad

Victória Gearini Publicado em 14/03/2020, às 18h13

Jornalista brasileiro Klester Cavalcanti
Jornalista brasileiro Klester Cavalcanti - Divulgação

Após uma série de manifestações que se iniciaram no dia 26 de janeiro de 2011, a Síria entrou em uma guerra civil, que ainda está em andamento. Influenciada por outros protestos árabes, e pela mobilização social e midiática a população entrou em confronto com o governo. Tal fato, gerou uma comoção mundial e por isso diversos países enviaram correspondentes para cobrir o conflito, como foi o caso do jornalista Klester Cavalcanti, que foi preso e torturado.

Klester Severo Cavalcanti da Silva nasceu em Recife, em Pernambuco, onde se formou em Comunicação Social, com ênfase em jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco. Considerado um dos melhores jornalistas investigativos do país, Klester já trabalhou em diversos veículos renomados, como Veja, Estadão e IstoÉ. 

Devido a sua excelente cobertura jornalística e seu comprometimento com a profissão, Klester foi contemplado com prêmios internacionais, como o Natali Prize — o mais importante de Direitos Humanos do mundo — e na categoria de Melhor Reportagem Ambiental da América do Sul, pela agência Reuters e pela ICUN  (International Union for Conservation of Nature, em tradução livre União Mundial para a Natureza). 

No Brasil, Klester recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. Um dos marcos de sua carreira envolvem o prêmio Jabuti de Literatura, o mais influente de Literatura nacional. Em 2005, foi contemplado com o seu primeiro Jabuti graças ao seu livro Viúvas da Terra e em 2007 voltou a receber o prêmio por causa de O Nome da Morte. No entanto, foi em decorrência a sua obra Dias de Inferno na Síria, que recebeu o seu terceiro prêmio em 2013, considerado um dos mais memoráveis. 

Publicado em 2014, pela Editora Benvirá, seu quarto livro Dias de Inferno na Síria retrata sua experiência durante a guerra civil no país. Em maio 2012 o jornalista partiu de São Paulo rumo Síria, com o objetivo de relatar as atrocidades que estavam sendo cometidas na guerra, que tinha sido iniciado a pouco mais de um ano. 

Soldado durante confronto na Guerra da Síria / Crédito: Wikimedia Commons


Com toda sua documentação em ordem, Klester seguiu viagem para Beirute, no Líbano. Com ele havia uma lista de equipamentos que poderia transportar,  visto de imprensa concedido pelo Governo Sírio e um contato no país. Sua fonte o esperava em Homs, o local mais afetado pelo conflito, no entanto, ao chegar na cidade foi surpreendido por forças do governo de Bashar al-Assad. 

Inicialmente, seu plano era entrar no território sírio por meio da fronteira libanesa. Para registrar todos os detalhes, seu objetivo era se infiltrar nos atos e acompanhar por alguns dias os rebeldes. Na época, a cidade de Homs era a região mais crítica, com conflitos entre as forças do ditador Bashar al-Assad e os rebeldes do Exército Livre da Síria.

Embora parecesse um bom plano, antes de poder executá-lo o jornalista foi preso e torturado por tropas oficiais. Klester ficou detido na Penitenciária Central de Homs, em uma cela com mais outras 20 pessoas, todas de origem árabe e moradores de Homs. Ao todo o correspondente ficou seis dias preso, sendo constantemente ameaçado de morte. 

Os torturados o algemaram e o obrigaram a dormir e comer no chão. Neste ambiente, Klester teve a ideia de retratar os horrores da guerra por meio dos personagens que estavam presos com ele. Entre bombardeios e explosões, o jornalista construir sua narrativa. 

Dias de inferno na Síria, de Klester Cavalcanti (2014) / Crédito: Divulgação / Amazon

 

Quando o governo Brasileiro soube o que estava acontecendo exigiu sua libertação, que foi aceita pelo governo Sírio. De volta ao seu país de origem, Klester construiu a obra Dias de Inferno na Síria, resultado dos seus dias conturbados no país árabe. A narrativa retrata a visão das vítimas e reflete, ainda, sobre as diferenças religiosas e de raça. Até hoje, Klester é o único jornalista brasileiro a entrar em Homs, desde o começo do conflito. 


+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras: 

Dias de inferno na Síria: O relato do jornalista brasileiro que foi preso e torturado em plena guerra, de Klester Cavalcanti (2014) - https://amzn.to/2wZfazB

O nome da morte: A história real de júlio santana, o homem que já matou 492 pessoas, de Klester Cavalcanti (2018) - https://amzn.to/2wXizze

A dama da liberdade: A história de Marinalva Dantas, a mulher que libertou 2.354 trabalhadores escravos no Brasil, em pleno século 21, de Klester Cavalcanti (2015) - https://amzn.to/2xzbYuV

The Name of Death (Edição Inglês), de Klester Cavalcanti (2018) - https://amzn.to/2TOYJz5

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