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A mórbida trajetória da serial killer Belle Gunness, a Lady Barba Azul

A criminosa matou quase 50 pessoas durante sua vida no século 19 e, sua morte permanece um dos maiores mistérios dos Estados Unidos

Alana Sousa Publicado em 29/03/2020, às 09h00

Jovem Belle Gunness
Jovem Belle Gunness - Wikimedia Commons

O começo da vida de Belle Gunness é rodeado de especulações, sabe-se que ela nasceu na Noruega, em 11 de novembro de 1859. Acredita-se que ela tenha se mudado para os Estados Unidos, em 1881, após ser atacada por um homem e perder seu bebê, após esse fato a personalidade de Belle mudou completamente.

Batizada como Brynhild Paulsdatter Størset, a norueguesa decidiu americanizar seu nome, daí nasceu Belle. Segundo sua irmã, Nellie Larson, sua maior fraqueza era o dinheiro, o que mais tarde provou ser a causa de seus crimes.

Primeiro homicídio

Morando em Chicago, nos Estados Unidos, em 1884, casou-se com Mads Ditlev Anton Sorenson. Após seis anos de casamento, em julho de 1900, Mads morreu em circunstâncias duvidosas. O primeiro médico a examinar seu corpo declarou a causa da morte como envenenamento, mas a hipótese foi logo descartada por não encontrarem suspeitos para acusar. A família de Sorenson acusou Belle de assassinar o marido, o que ela recusou.

No dia do enterro, ela foi retirar o dinheiro do seguro que tinha em nome do marido. Com o valor, Gunness comprou uma fazenda na cidade de La Porte, em Indiana, Estados Unidos — mudou-se para lá com as três filhas do casal.

Belle com as três filhas / Crédito: Wikimedia Commons

 

O senso americano de Chicago, que contabilizava famílias na região, registrou que Belle tinha quatro filhos: Caroline, Axel, Myrtle e Lucy. Sendo que dois deles, Caroline e Axel, morreram ainda na infância (os dois possuíam seguro, que foram pagos após a morte). Viviam com ela na fazenda, Lucy, Myrtle, e a filha adotada, Morgan.

La Porte

Em La Porte, Belle conheceu o norueguês Peter Gunness, em abril de 1902 eles se casaram. Uma semana depois a filha de Peter é encontrada morta dentro de casa. Oito meses mais tarde é o marido quem morre. Segundo a homicida, uma máquina de moer caiu em cima do homem e o matou instantaneamente. Mais uma vez, ela recebeu o seguro em dinheiro.

A filha adolescente de Peter, Jennie Olsen, teria afirmado que o pai havia sido assassinado por Belle, uma investigação foi aberta, mas logo foi arquivada. Gunness, grávida, conseguiu convencer ao júri de que não havia feito nada, assim como fez Jennie mudar seu depoimento.

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Ray Lamphere / Crédito: Wikimedia Commons

Quatro anos depois, quando a assassina já estava em uma relação com outro homem, dessa vez, Ray Lamphere, Jennie desapareceu. Belle afirmou que havia enviado a garota para um colégio interno — anos mais tarde, seu corpo seria encontrado enterrado em sua propriedade.

Mesmo vivendo um caso amoroso com Lamphere, a serial killer fez um anúncio no jornal local chamando homens ricos que desejavam juntar sua fortuna com a dela. Era o início de anos de assassinatos.

Diversos homens viajavam para a fazenda de Belle — sempre levando sua fortuna em dinheiro — e jamais voltavam. Ao mesmo tempo vizinhos testemunhavam constantes escavações nas terras da fazenda, e entregas de dezenas de sacos.

Um desses homens foi o agricultor Andrew Helgelien, que viajou da Dakota do Sul para Indiana, a fim de conhecer a mulher. Levou todas as suas economias e Gunness o recebeu com fervor. Alguns dias depois, o homem desapareceu, e Belle foi ao banco descontar um cheque em seu nome.

Ray Lamphere

Ray era apaixonado por Belle, e fazia tudo que ela lhe pedisse, apesar de no início apoiar o golpe e ajudar com os assassinatos realizados pela amada, ele começou a sentir ciúmes. O que incomodou profundamente a homicida.

Gunness o demitiu em fevereiro de 1908, e alertou as autoridades da cidade sobre o perigo que Ray poderia ser para a comunidade, alegando que ele sofria de insanidade. Um teste foi realizado e Lamphere foi liberado. Alguns dias depois, ela voltou para prestar uma queixa, dizendo que ele havia ameaçado sua família e tentado invadir sua residência.

A fazenda Gunness / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ray espalhou boatos sobre Belle, e com a situação piorando, a mulher procurou o advogado, M.E. Leliter, para redigir seu testamento, com medo de que Lamphere atentasse contra sua vida e de seus filhos.

Dias depois, o funcionário de Belle, Joe Maxon, contratado para substituir Ray Lamphere, acordou a noite e percebeu que a casa estava ardendo em chamas. Correu em busca de ajuda, mas já era tarde. Os filhos de Gunness foram encontrados mortos juntos a um cadáver sem cabeça, que julgaram ser dela.

As autoridades, que já estavam cientes das supostas ameaças que Ray havia feita à família Gunness, acusaram-no de incêndio criminoso e assassinato. O homem, no entanto, sempre negou a autoria do crime, e afirmou que Belle havia incendiado a própria casa.

Esqueleto desenterrado da fazenda / Crédito: Domínio Público

 

De quem é o esqueleto decapitado?

Apesar de identificarem o esqueleto sem cabeça como sendo de Belle, os vizinhos negaram que o cadáver pertencia à mulher. Amigos de Belle também examinaram o corpo e concordaram que não poderia ser de Gunness. A autópsia comparou o esqueleto encontrado no incêndio com as roupas da serial killer, e registros em lojas de departamento, a conclusão foi a mesma: não era Belle.

A dúvida sobre a identidade atrás do cadáver decapitado gerou outra investigação, ainda mais terrível. Após Asle Helgelien chegar a La Porte em busca do paradeiro do irmão, que havia sido visto pela última vez em contato com Belle, uma busca na fazenda da assassina teve início.

O cadáver de Andrew Helgelien / Crédito: Domínio Público

 

Todos os dias corpos eram desenterrados do solo da propriedade, incluindo de Jennie Olsen, Andrew Helgelien e também de duas crianças que acreditaram ser de Axel e Caroline. Ao todo cerca de 40 restos mortais foram encontrados.

Ray Lamphere foi acusado de cometer todos os assassinatos, mas confessou posteriormente que nunca matou ninguém, apenas ajudava Belle a enterrar as vítimas. Ele foi condenado à prisão pelo incêndio e morreu na cadeia um ano depois, de tuberculose.

Paradeiro desconhecido

A cabeça de uma das vítimas de Belle / Crédito: Domínio Público

 

Ainda no julgamento de Lamphere, foi provado que a arcada dentária que supostamente seria de Belle, realmente não era dela. Em sua última confissão, ele disse que o corpo decapitado pertencia à uma camareira, que Gunness havia assassinado poucos dias antes do incêndio. E que tudo fazia parte de seu plano de fuga. Ela havia sufocado as crianças até a morte e posicionado junto ao corpo da mulher. Depois ela teria fugido para outra cidade.

Nas décadas seguintes diversas pessoas afirmaram ter avistado Belle em lugares como Chicago, São Francisco, Nova York, e Los Angeles. Existe uma teoria de que ela seria Esther Carlson, uma mulher acusada de matar o marido envenenado, e que morreu esperando julgamento na prisão. O destino da serial killer permanece desconhecido até hoje.


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