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15 anos sem Leonel Brizola, o símbolo da esquerda nacional

Brizola governou dois estados, comandou a resistência ao Golpe de 1964 e quase foi presidente do Brasil

Valentina Nunes Publicado em 21/07/2019, às 10h00

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Crédito: Reprodução

De família muito pobre, o gaúcho Itagiba de Moura Brizola só mais tarde virou Leonel, ao adotar o nome de um líder maragato da revolução gaúcha de 1923. Filho de José de Oliveira e Onívida de Moura, Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, no pequeno povoado de Cruzinha, no município de Carazinho, cidade do Rio Grande do Sul que na época pertencia a Passo Fundo. Dali saiu para se tornar técnico rural, em 1939, e se formar em engenharia, em 1949, mas não sem antes trabalhar como engraxate e, depois, como ascensorista.

Um dos principais opositores da ditadura de 1964, e um dos líderes da esquerda brasileira, com intensa atuação na política até sua morte em 21 de junho de 2004, Brizola, segundo o Diário Oficial da União, entrou em 29 de dezembro de 2015 para o Livro dos Heróis da Pátria, que fica em exposição permanente no Panteão da Pátria, em Brasília, e homenageia pessoas que tiveram papel importante na história do Brasil.

Sua trajetória política começou entre 1945 e 1949, enquanto estudava engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e já fazia parte do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 1947, foi eleito deputado estadual; tendo sido reeleito em 1950, cumpriu o mandato por um ano até ser nomeado secretário estadual de Obras.

Brizola no retorno do exílio, em Foz do Iguaçu / Crédito: Reprodução

 

Na época, Brizola já namorava com Neusa Goulart, irmã do também deputado estadual petebista João Goulart, o Jango, mais tarde eleito vice-presidente da República na chapa de Jânio Quadros. De seu casamento com ela nasceram três filhos.

Em 1954, foi eleito novamente pelo PTB, dessa vez deputado federal, chegando à prefeitura de Porto Alegre no ano seguinte. Eleito governador do Rio Grande do Sul com imenso apoio popular, em 1958, adotou medidas impactantes. Entre elas a implantação da reforma agrária e a estatização de empresas multinacionais. Em maio de 1959, o governo gaúcho encampou a Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense, filial da norte-americana American & Foreign Power Company.

A trajetória nacional de Brizola como líder de esquerda começou a se consolidar a partir da renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961. Diante do veto dos ministros militares à posse do vice, João Jango Goulart, o caudilho gaúcho ocupou as rádios Guaíba e Farroupilha, em Porto Alegre, para formar o que chamou de Cadeia da Legalidade. O objetivo de Brizola era aglutinar as forças populares.

Governador do RJ, Brizola trocou armas de brinquedo por livros para as crianças e fez uma fogueira para comemorar / Crédito: Reprodução

 

Em 1962, Brizola conseguiu a façanha de se reeleger deputado federal, ainda pelo PTB, mas dessa vez pelo antigo estado de Guanabara, atual Rio de Janeiro. Recebeu 269 mil votos, a maior votação então registrada. Assumiu no ano seguinte a cadeira na Câmara, de onde exigia de Jango, o cunhado presidente, a implantação das Reformas de Base agrária, bancária e tributária.

Cassado pelo golpe militar de 1964, Brizola foi para o exílio no Uruguai. Em 1977, acusado de violar as normas do exílio, foi expulso e acabou indo morar em Lisboa, até 1979. Anistiado e de volta ao Brasil, perdeu a sigla PTB para o grupo político de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio, e, em 1980, criou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1982 foi eleito governador do estado do Rio de Janeiro, sendo reeleito em 1990.


Reportagem retirada do Livro 365 dias que mudaram o Brasil, da autora Valentina Nunes, Editora Planeta do Brasil, (p. 52, 53).