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Leonid Rogozov: O médico russo que removeu o próprio apêndice

Durante uma viagem na Antártida, Rogozov sofreu complicações de saúde e teve que apelar para o médico da expedição — que era ele mesmo

Redação Publicado em 01/11/2019, às 11h00

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Wikimedia Commons

Leonid Ivanovich Rogozov foi um importante médico russo envolvido com a Expedição Soviética à Antártida de 1960 até 1961. Ele era especializado em medicina familiar e cuidados da comunidade e foi aceito na residência clínica de imediato, devido sua perícia singular.

Em 1960, interrompeu seus estudos e embarcou numa viajem soviética à base Novolazarevskaya, na Antártida. Era a sexta expedição da URSS à estação. E foi nessa missão, devido um imprevisto, que Leonid atingiu fama mundial: o médico sentiu fraqueza, náuseas, febre e dor na região ilíaca direita, durante o inverno.

O médico / Crédito: Vladislav Rogozov

 

Aos 27 anos, ele era o único médico da expedição. No dia seguinte, sentindo os sintomas, sua temperatura subiu mais, deixando todos preocupados. No entanto, Leonid conseguiu fazer um autodiagnostico, descobrindo que tinha apendicite aguda. Ele precisaria de uma cirurgia de emergência. O que seria impossível: o médico não conseguiria ser transportado até o hospital.

A solução encontrada foi, no mínimo, surpreendente: o jovem decidiu realizar a cirurgia em si mesmo na noite do dia 30 de abril de 1961. Com auxílio de um engenheiro mecânico e um meteorologista, que ajudavam com os instrumentos e seguravam um espelho na altura de sua barriga, ele aplicou uma anestesia local e abriu uma incisão de doze centímetros para conseguir realizar o procedimento. 

Durante o procedimento / Crédito: Vladislav Rogozov

 

Com a ajuda dos espelho e sentindo pelo toque, o médico realizou o procedimento com maestria, retirando o apêndice inflamado e aplicando a dose de antibiótico necessária para o momento. Após 30 minutos de cirurgia, ele sofreu um desmaio que o obrigou fazer algumas pausas de descanso. Entretanto, após uma hora e 45 minutos, a operação foi finalizada com sucesso.

Crédito: Vladislav Rogozov

 

Em cinco dias, a temperatura do corpo de Rogozov voltou ao normal. Em seguida, os pontos usados para fechar a incisão foram retirados sem obstáculos. Após a divulgação desse bizarro feito, Leonid foi reconhecido como um cirurgião excepcional e ganhou fama internacional.

O Museu do Ártico e da Antártida de São Petersburgo, na Rússia, mantém expostos os instrumentos usados durante o insólito episódio.


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