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Emiliano Zapata: 101 anos do cruel assassinato de um dos mais importantes heróis mexicanos

Zapata foi uma das figuras mais marcantes e centrais do processo revolucionário pelo qual seu país passou, em 1910

André Nogueira Publicado em 10/04/2020, às 08h00

Emiliano Zapata
Emiliano Zapata - Divulgação/Klimbim

Nascido na pequena vila de San Miguel Anenecuilco, no sul do México, Emiliano Zapata Salazar foi uma das figuras mais marcantes e centrais do processo revolucionário pelo qual passou o México em 1910.  Acima de tudo líder da causa indígena, Zapata liderou seus exércitos paramilitares em direção à Cidade do México, e, junto ao exército de Pancho Villa, ocupou a capital numa estranha manifestação de poder popular.

A Revolução de 1910 teve como principal pauta a derrubada do ditador mexicano Porfírio Diaz. Porém, muito mais complexa e com camadas de articulações entre grupos sociais, a primeira revolução nacional do século 20 desencadeou um cenário de caos político e jogos de poder com a disputa pela ocupação da presidência da república.

Porfírio seria derrubado em 1910 pelas forças liberais articuladas pelo político e fazendeiro Francisco Madero, que toma o poder e inicia um movimento de desenvolvimento do México como Estado Moderno, políticas de desenvolvimento da identidade nacional e reabilitação de signos indenitários como o passado asteca e o muralismo.

Tomada da Cidade do México / Wikimedia Commons

 

Madero seria responsável por uma proposta de Reforma Agrária (que só teria corpo nos anos 1930, na presidência de Lázaro Cárdenas) que tinha como claro objetivo a introdução do indígena à sociedade republicana, incluindo-os ao circuito econômico capitalista e nacional.

Este era um dos principais motivos de rixa entre Madero e Zapata, pois o líder da revolta indígena articulou seu Ejército Libertador del Sur para a construção de uma reforma agrária pautada nos ejidos (terras comunais) e formas tradicionais e culturais de contato com a terra. Ou seja, Zapata se opunha a Madero e seu projeto colonizador de quebra com a autonomia econômica e cultural dos indígenas mexicanos.

Com a ascensão de Madero, é implantado um caos na política nacional, em que inicialmente se convoca um armistício com Zapata, mas o revolucionário se nega, alegando que se armados os indígenas já estavam perdendo, imagine então seu exército desarmado.

Diversos políticos morreram em confrontos com armas de fogo. Madero articula a perseguição aos exércitos libertadores do zapatismo e o banditismo encabeçado por Pancho Villa no Norte. A perseguição aos zapatistas seria uma das principais pautas do exército mexicano no período pós-revolucionário.

Em 1913, Madero foi derrubado por um general porfirista chamado Victoriano Huerta, que assume a presidência sob a bandeira de retomar o desenvolvimento nacional em ordem antes da revolução. Com isso, Villa e Zapata se aliaram a Venustiano Carranza e derrubaram novamente o governo no ano seguinte.

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Crédito: Klimbim

Carranza articulou novamente um governo autoritário que empreendeu diversas missões de extermínio do exército zapatista. Zapata manteve sua oposição, mas os anos de batalha fizeram com que o exército estivesse desarticulado e enfraquecido aos pés de 1914. Carranza então ofereceu uma farta recompensa pela cabeça de Zapata, fazendo do revolucionário alvo numero um do exército e de diversas facções da sociedade.

Mas a morte de Zapata viria ocorrer após alguns anos de resistência. No dia 10 de abril de 1919, o general  Jesús Guajardo, fingindo compactuar com a causa do ELS, convidou Zapata para um encontro estratégico em Morelos, estado central da causa indígena (e estado natal de Zapata).

Ao encontrar com o general, vindo a cavalo, Zapata levou diversos tiros por todo o corpo e foi assassinado em meio ao deserto. Guajardo foi então recolher o corpo do revolucionário e o levou às autoridades para receber a recompensa prometida (mesmo que tenha recebido praticamente metade).

A morte de Emiliano causou a final desarticulação do exército indígena, que seria trucidado pelas forças do Estado nos anos seguintes. O legado político do revolucionário foi negado pelo Estado Mexicano por anos, e retomado somente no fim do século 20, com a estruturação do Exército Zapatista de Libertação Nacional.


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