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Lobotomia: A técnica medieval que ganhou o Nobel

A técnica bizarra é considerada um dos capítulos mais abomináveis e cruéis da história da psiquiatria

Alexandre Carvalho Publicado em 27/11/2019, às 12h00

Operação médica na cabeça
Operação médica na cabeça - Wikimedia Commons

No que talvez seja o maior arrependimento do Instituto Karolinska – a universidade sueca que escolhe os vencedores anuais –, o Prêmio Nobel de Medicina de 1949 foi entregue ao neurologista português António Egas Moniz “pela descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses”.

Leucotomia era o nome original da lobotomia. A perspectiva convencional na época era de que doenças mentais tinham a ver com alguma enfermidade física do cérebro — uma visão diferente da atual, que entende os distúrbios psiquiátricos como algo impossível de ser tratado com bisturi.

Nos EUA, Walter Freeman virou um médico-celebridade por causa da lobotomia. Ficou famoso pelo método de martelar um picador de gelo sobre o globo ocular do paciente, crânio adentro, até separar as vias que ligam os lobos frontais a outras regiões do cérebro. O cirurgião tinha até um lobotomóvel, que usava para viajar pelo país, divulgando suas técnicas.

O português Moniz defendia que ela só deveria ser aplicada em pacientes muito violentos ou em suicidas. Freeman aumentou a abrangência, prometendo curar também a hiperatividade e a ansiedade. Chegou a praticar até em crianças malcomportadas. Só não contava aos clientes que, apesar de alguns casos bem-sucedidos, havia os muitos que ficavam com deficiências graves para o resto da vida, ou até morriam na intervenção.

Cerca de 50 mil americanos foram lobotomizados entre 1936 e os anos 1970. Se fosse uma mulher dos nossos tempos, Rosemary não correria o risco de sofrer essa violência – assim como pacientes bipolares, depressivos, hiperativos ou crianças desobedientes: a lobotomia foi substituída por remédios tarja preta. 


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