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Amor e comunismo: o relacionamento de Olga Benário e Luís Carlos Prestes

O casal comunista participou do levante que tentou derrubar Getúlio Vargas, entretanto, encontraram um trágico fim

André Nogueira Publicado em 03/01/2020, às 08h00

Luís Carlos Prestes, Anita e Olga Benário
Luís Carlos Prestes, Anita e Olga Benário - Wikimedia Commons

Olga Benário e Luís Carlos Prestes são nomes que entraram para a história de maneira indissociável. O desertor do exército que comandou uma das maiores mobilizações públicas de sua época esteve plenamente envolvido com a revolucionária marxista alemã até sua deportação, durante o governo Vargas, e ao lado dela elaborou projetos ligados ao idealismo esquerdista compartilhado entre o casal.

Luís era um porto-alegrense nascido em 1898 e chegou à patente de capitão do Exército. Olga, por sua vez, era uma judia de Munique, nascida em 1908. O encontro do casal ocorreu em 1934, em decorrência da estadia de Prestes no estrangeiro após a derrota da Coluna.

Olga fugira naquele ano da Alemanha, que já estava em mãos nazistas, se refugiando na União Soviética, onde Prestes esteve para aprimorar seus estudos de economia política. Olga recebeu treinamento político e militar e foi indicada pela Internacional Comunista para que acompanhasse o brasileiro de volta ao país de origem, onde ele iniciaria a organização de um projeto revolucionário.

Olga Benário presta depoimento à polícia brasileira / Crédito: Getty Images

 

O primeiro encontro entre os dois socialistas teve uma afinidade puramente ideológica, que sustentava um casamento de fachada para a entrada no Brasil. Entretanto, essa intimidade desencadeou uma paixão que os transformou em marido e esposa na vida real.

A missão original de Benário era garantir a segurança do revolucionário brasileiro, passando por esposa dele para burlar a repressão do governo varguista – ambos usaram passaportes com nomes portugueses, Maria Bergner Vilar e Antonio Vilar.

Chegando ao Brasil, o casal se instalou na cidade do Rio de Janeiro, criando um núcleo preparativo para a revolução brasileira. Articulando grupos urbanos da capital e de Recife e Natal, Prestes e Benário fomentaram um levante que desencadeou em 1935 e foi rapidamente derrotado pela polícia e pelo Exército nacionais – e, por isso, esse evento fatídico é conhecido na História como Intentona Comunista.

Julgamento no Tribunal de Segurança Nacional dos líderes da Intentona de 1935 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com a derrota do levante da Aliança Nacional Libertadora – apoiado pelo Partido Comunista do Brasil – o casal foi preso em uma casa de subúrbio no Méier e, como consequência, foi separado. Na casa, havia diversos livros e propaganda comunista, mas nenhuma arma. Mesmo assim, a operação policial teve ampla divulgação e aumentou o moral dos agentes da segurança.

Olga Benário estava grávida de sete meses do filho de Luís Carlos na época. A alemã acusou o governo brasileiro de cometer uma injustiça, pois na tentativa de Getúlio em se vingar pessoalmente de Prestes e no esforço dele de se aproximar do ascendente Reich nazista, Olga foi deportada para Hamburgo, o que implicou em um crime. Afinal, Benário carregava uma criança legitimamente brasileira.

Na Alemanha Nazista, cortaram toda a comunicação de Olga com o marido. Ela foi levada à prisão feminina de Barnimstrasse e lá, após um ano do fracasso da revolução, deu à luz a uma menina que, em homenagem a Garibaldi, foi nomeada Anita Leocádia. Seu segundo nome é referência à mãe de Prestes, que realizava uma grande campanha na Europa pela libertação do casal e da criança.

Quando a situação política de ambos apertou, Vargas e Prestes igonoraram o passado de violência mútua e se associaram em 1947 / Crédito: Domínio Público

 

Enquanto amamentava, Olga pôde manter-se com a filha. Após 14 meses, porém, a criança foi tirada das mãos da mãe e, por pressões externas, entregue aos avós sem conhecimento de Olga. Sozinha, a revolucionária foi transferida para Lichtenburg em 1938 e, um ano depois, finalmente, foi encaminhada para Ravensbrück, onde dava aula às prisioneiras.

Em 1942, Olga foi executada a gás na câmara de Bernburg. A notícia de sua morte tornou-se pública graças a um bilhete escondido na barra da saia de uma das presas. Já Prestes continuou na política brasileira, passando por diversos momentos da História: desde uma reconciliação política pragmática com Getúlio, até a Ditadura Militar e a redemocratização. Ele morreu em 1990, no Rio de Janeira, amargurado pela crise do comunismo mundial.


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